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Nota da traduo: Esta fic est sendo traduzida com a devida
autorizao do autor. Esta histria pertence ao autor, 
e os feedbacks devero ser enviados para ele, 
de preferncia em ingls. Caso voc no saiba escrever em 
ingls, terei o prazer de traduzir seu feedback, e passa-lo para
o autor, e caso ele responda, te devolver este e-mail.
Edna Barros (ednabarros@uol.com.br) 
Para outras tradues, visite: 
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Translation's notes: This fic is being translated with the due  
the author's authorization. This storie belongs to the author, and the   
feedbacks should be correspondents for him(her),   
preferably in English. In case you don't know how to write in   
English, I will have the pleasure to translate your feedback, and send it for  
the author, and in case he answers, to return your e-mail  
Edna Barros (ednabarros@uol.com.br)   
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De: Linda Stoops <jassmoris@yahoo.com>
Sbado, 21 Set 2002 23:43:40 -0700 (PDT)

Ttulo - PARADIGMA SHIFT
Autores - Linda Stoops e Andra Brown
Taxando - PG-13
Classificao - C
Spoilers - Vrios das temporadas das duas sries (pre-1996/97)
Palavras chaves - Crossover, Drama, Vampiros, Forever Knight
 
Resumo - Uma investigao de roubo de artes arrasta Mulder e Scully para
um reino mais escuro do que qualquer um imaginou, e isso vai requerer a ajuda
de um certo detetive de Toronto, e sua amiga patologista para trazer a 
agente Scully de volta do mundo dos vampirismo.

RETRATAO: Todos os personagens dos arquivos X so de posse
exclusiva de Chris Carter e de Dez-treze Productions. Todos os 
personagens de Forever Knight so de posse exclusivade Jon Gray e
Nicholas Parriot, e no temos inteno de violar nenhum direito autoral.
Byron Soares, Byron Soares, Sally Dickinson, Paula, Hanson, 
Mildred e Ann-Marie so personagens originais. A seguinte histria est
sendo postada e publicada (como uma novela na The Presses)
para apenas entretenimento. V para o site de Mysti Frank, 
"Agente com Estilo", para pedir o fanzine.

Esta histria no tem nenhum enredo sexual,  e  apenas um pouco forte
demais, ento os shippers tero que procurar diverso em outro lugar.
Porm, tem uma cena onde Frohike quase realiza seu sonho mais aficcionado. 
Existem vrias cenas de violencia, e uma breve nudez, (breve, e no
 de nenhum personagem principal, e nada para excitar ninguem.)

Pensamentos esto colocados entre barras //, palavras sublinhadas por
**, e conversar telefonicas por <>, e conversas on-line por =.

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PARADIGMA SHIFT

Um croosover de X-Files com Forever Knight
por Linda Stoops e Andra Brown

Scully:  Certo, como eu morro?
Bruckman: (Depois de um silencioso e longo olhar): No morre.

---do episdio "O repouso final de Clyde Bruckman"

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Captulo Um

Alexandria, Virgnia--14 de junho de 1996

A primeira coisa que Dana Scully percebeu foi que ela estava deitada.
A segunda, era que ela no estava em casa. O sof debaixo dela parecia couro
frio, liso, algumas partes rachadas, e a ltima coisa que ela se lembrava
era de estar trabalhando. Pensando, ela apenas via imagens vagas, dela
esperando na rua e sobre as sombras ameaadoras, e ento ela parou
de pensar nisso, pensando, ao invs, em sua presente situaao.

Ela sentiu uma presena perto, e abriu seus sentidos no-visuais
para tentar entender onde estava o estranho diante dela, antes de revelar
que ela estava acordada. Debaixo de um constante borbulhar, ela ouviu um
som macio, rtmico, que poderia enganar como uma batida de corao,
se nao fosse to longe, e um assobio e sussurros que pareciam pequenos
foles. Ento, sons de passos no cho de madeira, e ela com certeza
sentia que estes passos pareciam familiar. As narinas dela se mexeram devagar,
e ela descobriu um cheiro picante de musk, mistura de creme ps-barba
Calvin Klein for Men que identificou o ocupante no outro cmodo.

"Scully? Voc est acordada?" Fox Mulder arriscou ao falar na figura
no sof dele. Os olhos azuis, que se abriram de repente, e o exalar aliviado
foi a resposta que ele precisava, ento ele foi para a prxima pergunta.
"Como voc est se sentindo?"

Ela comeou a se sentar, mas vertigem e letargia a foraram a continuar
deitada. "Como se tivesse ficado num carrosel o dia todo. O que aconteceu?"

"O que mais?"

"Como assim 'o que mais'?" ela conseguiu virar a cabea pra ele, 
e viu que ele no estava vestido para o trabalho. //Quanto tempo eu
fiquei desacordada?// ela quis saber, e ento pensou na pergunta. 
"Eu... eu acho que estou com fome."

//Faminta  uma palavra mais exata. Que horas so// ela falou
o ltimo pensamento, e olhou de seu parceiro para o relgio do vdeocassete dele.

"Oito e trinta e sete. Da noite."

"Ento eu... dormi? por umas cinco horas e meia?"

"Hoje  sexta."

"*Sexta?!*" o ltimo dia de que ela se lembrava era da tarde de quarta-feira.
Ela se apoiou num brao, e encarou seu anfitriao. "Eu estou inconsciente
por mais de dois dias, e voc no me levou para um hospital?"

"Um hospital no era exatamente uma opo. Muitas perguntas."

"O que aconteceu?" Recordaes de encontros mais cedo com vrios oponentes
pularam em sua mente, e ela sentiu uma onda de adrenalina acompanhar a 
parania frequentemente justificada. "Ns estamos sendo vigiados?
Voc sabe quem ?"

"Preciso que voc me conte exatamente o que voc se lembra
sobre a tarde de quarta-feira antes que eu possa explicar bem o 
que aconteceu depois."

Ela carranqueou, se concentrando, enquanto se sentava. "Ns...
estvamos indo interrogar... qual era o nome dele?"

Quando a hesitao dela durou tempo demais, Mulder preencheu o espao
em branco, sua preocupao aumentando. "Byron Soares. Ele estava relacionado
a uma srie de roubos de artes, interestadual, com alguns homicidios
estranhos s cenas dos crimes: ferimentos na garganta, perda de sangue,
nenhum sinal de entrada forada. O nome dele era um dos poucos
dos cheques confiscados pelos coletores das posses,que foram pegos com
as mercadorias, e ns amos falar com ele."

"Isso mesmo, e voc me deixou na frente da casa dele na..."

"Filadlfia ".

"Filadlfia, enquanto voc achava um local para estacionar o carro. Eu
estava esperando do lado de fora do prdio, e ento... eu tive um 
desejo de entrar... como se algum estivesse me chamando." ela carranqueou,
confusa, ao proprio procedimento descuidado e descarado, e ela fechou os
olhos. "Preciso de voc..." ela sussurrou, rouca. "Venha pra mim...
alimente meu fogo... se entregue a mim... miiiinnhaaaa...." o sorriso 
que se esparramou pelo rosto dela era mais predatrio do que agradvel.

"Quem era, Scully?" Mulder perguntou, usando o tom baixo de um
terapeuta que questiona seu paciente hipnotizado, se arrepiando s
implicaes do estado dela. Ele tinha noventa por cento de certeza
do que tinha acontecido quando ele encontrou ela na casa de Soares, mas
ele esperava que a conexo se quebraria assim que ela... ele tremeu
a cabea de repente por este pensamento. Pensar nisso pela primeira
vez j foi ruim o bastante.

"Quem? O que?" ao invs de responder, ela saiu do estado de transe
imediatamente, e ele viu os olhos de cor mbar, luminosos e confusos, que ela
deu pra ele, e ela piscou uma, duas vezes, e a cor azul, normal, voltou.

"Eu... nao acho que vamos conseguir nada agora. Voc parece estar
bloqueando essa memria em particular. Eu volto logo" ele ficou
de p e foi para a cozinha, e ela ouviu a porta da geladeira sendo aberta,
e o ruido de um recipiente de plstico bater contra a superficie de metal.

"Voc est dizendo que eu fui seqestrada?  No meio da Filadlfia? Pelo
que, aliengenas?" ela bufou, o ceticismo de Scully vindo com fora total.
"Por favor, Mulder, at mesmo *voc* acha dificil engolir isso."

"Seqestrado? No totalmente". Uma caneca foi tirada do armrio, e
ele colocou um liquido dentro. "No meio da Filadlfia? Sim." a porta
do microondas se abriu, e clicou quando foi fechada, e ele programou
os botes. "Aliengenas? No." o microondas zumbiu durante uns quarenta
segundos, e ento o forno sinalizou que tinha terminado sua tarefa, e 
o contedo foi extrado. Ela podia cheirar o odor salgado e rico
flutuando no cmodo antes que Mulder reaparecesse com a caneca e
uma garrafa de ch gelado. Ele ofereceu a primeira pra ela.

"O que  isso?" ela viu a longa caneca com o logotipo de Princeton
e estudou o liquido escuro. O cheiro picante afiou a dor no estomago
dela, e por um momento, o mundo inteiro dela estava contido naquela
caneca. 

"Consom de carne de boi"

"E o que mais? Consom  mais claro. Isso est opaco."

"Eu... adicionei algumas coisas."

"Nada oitenta por cento gordura, eu espero. No como h dois dias."

"Nao. No tem nada que faria mal a um ser humano comum" ele tirou 
a tampa da garrafa e bebeu o ch gelado, enquanto se sentava.

Ela inalou, sentindo a boca tremendo com o desejo de beber isso. 
Parte de sua mente reconheceu o cheiro, e enviou sinais de advertencia,
mas foi abafada pela fome quando ela abaixou a cabea e engoliu quase dois
teros do liquido. Quando ela desceu a caneca, sua mente tinha clareado,
a necessidade enfraquecido um pouco, e ela lambeu as poucas gotas
dos lbios enquanto sentia uma euforia moderada. 

Um momento depois, o ltimo comentrio de Mulder pegou a ateno
dela, e ela olhou para a 'sopa' de novo, e ento de volta para o 
agente da mesma categoria que ela. "Mulder, o que ** isso, de
verdade?"

"Scully..." a preocupao dele com a verdade e a incerteza dele para
como sua parceira receberia esta informao lutou brevemente, mas
ento ele falou de uma vez. "Scully, o que voc sabe sobre vampiros?"

"Vamp--" Os ltimos dez minutos voltaram  sua mente, e a identificao
do ingrediente principal apareceu de repente, e ela o encarou 
com uma expresso dividida entre incredulidade e nusea. "Voc no fez..."
ela sussurrou, horrorizada.

"Voc bebeu," ele a lembrou, sem nenhum sugesto de humor no rosto.

Scully jogou a caneca sobre a mesa. Sufocando, ela bateu a mao sobre 
a boca, e tentou fugir para o banheiro. Ela caiu de joelhos, mas
conseguiu sair do sof, cambaleando para sua meta.

"S bebeu o bastante, pelo que vejo" ele comentou
numa voz baixa, para ele mesmo.

"Isso no  engraado!" ela foi de joelhos para a privada. Nada voltou,
para seu desnimo. Na verdade, a necessidade para terminar o 'consom'
aumentava enquanto ela lutava para purgar o que ela tinha bebido.

"No queria fazer isso, mas eu sabia que voc no iria
beber se voc soubesse o que era desde o comeo". //E eu prefiro 
lidar com uma parceira pau da vida do que um vampiro faminto, e se eu
controlar isso de maneira errada, eu sou o jantar//
"Sinto muito por te enganar assim, mas a apetencia s teria ficado 
pior se demorassemos mais tempo, e eu preciso de voc racional para
o que vai vir."

"Para o que? Uma pssima brincadeira do Dia das Bruxas?"
ela estalou, e estremeceu quando a voz dela ecoou pelos azulejos.
"Nem  outubro."

"Eu queria que fosse uma brincadeira. Aqui, eu trouxe
isso aqui do seu apartamento" ele pegou uma bolsa plastica enquanto
ia para o banheiro, e tirou o estetoscpio dela. Ele parou na entrada, 
e entregou o aparelho para ela. "Cheque seu pulso. Seu corao e pulmoes
tambm."

Ela tinha vontade de recusar, mas ento no s concluiu que esta seria
a melhor maneira de convence-lo, mas ela poderia verificar se tinha
algum trauma. Colocando o aparelho em posio, confiante, ela colocou o disco
debaixo da blusa e segurou-o no lugar correto.

Barulho branco encheu suas orelhas.

Carranqueando ligeiramente, ela ajustou o estetoscpio e escutou novamente.

Nenhuma batida do corao.

Ela moveu o disco de um lado para o outro, e respirou fundo 
//Respirao normal// Dedos experientes foram colocados sobre o pulso, e
sentiram o ritmo. O olhar de triunfo dela enfraqueceu em confuso quando
ela procurou as batidas certas, e no encontrou nada.

"Foi assim que te achei: sem pulso, sem batida do corao, sem
respirao. Quando cheguei na casa, nao te vi na frente, e a porta
estava aberta. Pensei que voc tinha entrado com a permisso dele, e
eu entrie. O primeiro andar estava deserto, mas quando vi a porta
do poro aberta, eu desci. E te achei deitada no chao, perto do que
parecia ser uma despensa. Quando voc no respondeu  massagem 
cardaca, tentei abrir a outra porta, pensando que era ali que Soares
tinha se escondido, mas nao pude entrar. Provavelmente estava
trancada por dentro. Ento, eu fiz a nica coisa que eu poderia fazer
e te trouxe pra c, e esperar at voc acordar. //*Se* voc acordasse...//

"Mas por que voc no me levou para o hospital mais perto?"

"*Voc no tinha pulso* Scully." ele repetiu. "No estava respirando,
e seu corao tinha parado" Pronto, ele falou, e a tenso de reviver o 
incidente quebrou dentro dele. Foi como se tivesse sido com Samantha, 
Max e Lucy: alguem que ele conhecia foi levado embora, e ele nao 
podia fazer nada para evitar isso. A porta da despensa aguentou o
impeto da frustrao e furia dele, mas nao abriu. 

Sem respostas, ou pelo menos sem vingana, ele tinha enrolado o 
corpo de sua parceira numa cortina do andar de cima, e a colocou no
banco de trs do carro, indo para Alexandria. Quando o rigor mortis
nao tinha comeado ao anoitecer, ele comeou a esperar que suas suspeitas
sobre o que tinha acontecido no porao seriam confirmadas. 

E contra a possibilidade de que ele estava errado, Mulder passou o resto
da noite planejando suas proximas aes e o relatorio que faria para o
supervisor deles, e explicar o motivo que o levou a remover Scully do
local do assassinato dela, levando ela de carro para o apartamento dele,
e ficar sentado com o cadver dela por um dia e meio. A ressurreio dela
lhe deu mais uma razo para agradecer a existencia de vampiros.

"Haviam tambm duas feridas de furo fundas e sangue no seu pescoo,
assim como sangue em sua boca. Peguei amostrar de tudo para poder
fazer teste de DNA."

"Feridas?" ela se virou para olhar no espelho, puxando a gola marrom,
manchada, expondo a garganta. "Nao vejo nada" ela bufou, descobrindo uma coisa
mais prosaica enquanto ela apontava para a propria imagem. "Tanto para
sua teoria. Vampiros no deviam ser refletidos no espelho."

"Isso s faz parte do romance de Stoker. Ninguem fala nada disso em qualquer
outro lugar. Alm disso, qualquer coisa slida capaz de desviar ondas de luz
vai refletir, e voc parece bem corprea pra mim."

"Ento este estetoscpio deve estar com defeito" voltando para
a sala de estar, ela tirou os receptores das orelhas e disse, "Agora,
eu posso ouvir uma batida de corao."

"Deve ser o meu. E desde quando voc foi capaz de ouvir a propria
batida do corao, muito menos ouvir o corao de outra pessoa, sem
amplificao?" o olhar no rosto dele dizia claramente. 'te peguei'.

"Bem..." a mente de Scully tentou, frentica, achar um pedao flutuante
de razo para se agarrar antes que ela afundasse junto com Mulder
no seu pntano fansttico. Finalmente, ela voltou para a mxima
til: "Olhe, deve ter uma explicao lgica para isso."

"Eu concordo, mas considerando o que tem acontecido desde quarta,
foi nisso que consegui pensar. Se voc pode pensar em algo melhor,
v em frente. Acredite em mim, esta experiencia no foi uma volta
no parque pra mim tambm."

O tom da voz de Mulder forou-a a notar sua aparencia global pela
primeira vez desde que acordou. Os olhos cansados, o cabelo despenteado
e a barba por fazer tinha dito que ele dormiu pouco //E comeu menos
ainda// ela deduziu de experiencias anteriores. "Voc est acordado
desde quarta-feira?" ela perguntou, a voz enftica. Enquanto olhava pra
ele, ela podia ouvir a batida do corao dele ficar mais alta.

Mulder piscou pra ela, e ento respondeu, num tom montomo. "No, eu
dormi umas horas aqui e l" ele carranqueou e tremeu a cabea. 
"Pare com isso."

"Parar com o que?"

"Eu fui compelido a te responder. No faa isso comigo."

"Eu s fiz uma simples pergunta" ela contradisse, indignada. "Voc parece
que nao dormiu nenhum dia. Nao veja demais onde nao tem nada pra ver."

Ele ergueu a mo, num gesto de rendio, cortando o que poderia ter sido
o comeo de uma briga. "Tudo bem, deixa pra l. Eu vou fazer um
jantar pra mim, e ns podemos conversar o que vamos fazer a partir
daqui."

A aparente excluso grossa a fez querer devolver a resposta, mas ela preferiu
falar de outra coisa. "Ento, eu posso invadir sua despensa, ou eu deveria
pedir para entregar aqui?"

Mulder ia lembra-la de que o 'jantar' dela estava na mesa, onde ela
tinha deixado a caneca, e ento decidiu que a melhor maneira dela
aprender seria quando a realidade a atingisse em cheio. "Sirva-se"
ele responde, dando de ombro, enquanto ia para a cozinha. "Mas eu 
duvido que voc vai poder ficar com algo no estomago."

"Bem, nao vamos saber com certeza se eu no tentar."

Uma hora depois, ela estava entalada num canto do sof, 
bebendo a caneca que tinha sido enchida de novo com o 'consom', enquanto
o parceiro dela tentava nao desfrutar muito da galinha frita que comia.
Ela provou meia dzia de comidas diferentes, da geladeira e do armrio dele,
e acabava cuspindo cada uma delas na pia, reclamando de um gosto amargo,
ou podre, e cheiro ruim.

Quando Mulder no teve nenhum problema com a mesma comida,
e ficou claro que a nica coisa que a atraa era o pur de carne de
boi e sangue de vaca - o que ela pensou ser molho para espaguete, ou para
churrasco, ela finalmente desistiu, e esquentou outra poro. Depois
da primeira nsia de vmito, o condicionamento social dela deu lugar
s necessidades de seu corpo, e ela achou que era como beber uma sopa
grossa, contanto que ela nao pensasse muito no contedo. Depois de
um tempo, quando o estmago dela parou de reclamar, e se acalmou, ela
se sentiu firme o bastante para pergunta. "Ento, o que fazemos agora?"

Ele abaixou o garfo, tomou um gole do ch verde para ajudar nas proximas
palavras, e ento explicou. "Vamos precisar consultar um perito nessa
rea, e se ele nao puder nos encontrar pessoalmente, espero poder
falar sobre a sua situaao com ele, pelo telefone, sem chamar a
ateno."

Ela arqueou uma sobrancelha.  "Eu no sabia que Raymond McNally fazia
consultas a domicilio."

Ele torceu a boca contra a punhalada de humor dela, encorajado pela
tentativa de ser normal. "No, no  um vampirologista, mas um
vampiro de verdade. Pelo menos eu acho que ele , a menos que eu 
interpretasse pistas de maneira errada."

A outra sobrancelha subiu ao ouvir esta confisso. "Isso foi
antes de ns nos encontramos, ou voc  esteve trabalhando sem
mim?"

"Lembra do caso do culto Peyser?  No final, era uma das funcionrias 
que foi responsvel pelos assassinatos, e ela foi extraditada de volta
pro Canad?" ao aceno de Scully, ele continuou. "Tenho certeza de que o 
policial com que trabalhamos em Toronto  um vampiro... assim como
Peyser  era tambm. O nome do detetive era Knight."

"Eu me lembro dele, mas... nada disso estava no seu relatorio."

"Nao no oficial. Alm disso, nao estava relacionado com os assassinatos,
e eu nao tinha nenhuma prova alm do que escutei. Voc pode ler minhas
anotaoes, se quiser." ele ficou de p, e epgou a lista telefonica,
procurando algo, e discou o nmero com o polegar. Scully podia ouvir
o barulho do outro lado, seguido por uma voz lnguida,
que respondeu com um <"Departamento de Policia da Metro">

"Sim, Diviso de Homicdios, por favor.  Obrigado". Ele pegou caneta
e papel da mesa dele, enquanto esperava.

Outra voz entrou na linha segundos depois.  <"Homicdios".>

"Detetive Nick Knight, por favor".

Outra espera, ento, <"Knight".>

"Detetive Knight, aqui  o Agente Fox Mulder, do FBI.  Ns trabalhamos
juntos nos assassinatos de Peyser no comeo do ano."

<" Sim, eu me lembro.  Ns enviamos fax todos nossos dados no caso durante o
extradio.  Havia qualquer outra coisa voc precisou "?>

"Mais ou menos. Este  um dos fatos que nao estava relacionado nos
relatorios. Minha parceira e eu encontramos uma situao que eu 
acho que voc teria qualificaes para nos ajudar."

Havia uma pausa tensa, ento, <"De que maneira?">

"Bem," ele aventurou, olhando para Scully. "Ouvi parte de sua conversa
com Peyser, e eu sei que voc e ele compartilham um passado....*comum*.

Ele pensou que ouviu o outro homem respirar mais forte, //Velhos
hbitos so dificeis de se esquecer// seguidos por um cauteloso
<"Entendo. E de que maneira voc acha que eu poderia ajudar voc e sua 
parceira?">

"Voc tem um computador com um modem?  Eu prefiro falar sobre isso num
local mais privado."

<"Sim . <Knight recitou o nmero da casa dele lentamente. <"Eu posso estar
on-line assim que chegar.>

"Ento eu te ligo". Ele achou a data do dia no calendrio de parede dele e
somou, "Qualquer hora depois das 6 parece bom?"

<"Claro. Te vejo de manh".>

"Certo".

"Por que s 6h?" Scully quis saber quando ele desligou.

"Leva uma meia hora para amanhecer."

"Claro" ela ainda nao estava convencida de que as afirmaes de Mulder
sobre vampiros eram qualquer coisa diferente da sua conjectura habitual
na idia de que tudo tinha que ter uma explicao rara, exceto uma
cientificamente definivel. Pelo que sabia, Scully podia estar reagindo a
uma sugesto ps-hipnotica plantada dentro da mente dela por coero
induzida por drogas, e ela nao teria se submetido de boa vontade a isso.

Sobre a insistencia de Mulder de que ele nao tinha descoberto nenhum
sinal vital, ela achou uma explicao de que havia uma anomalia acustica
no porao, e o treinamento de primeiros socorros dele deixava muito
a desejar, mal sabendo checar um pulso. Havia uma explicao perfeitamente
razovel para o que ela estava experimentando, e assim que ela tivesse
chance de olhar para o teste de sangue, e ver um hipnoterapeuta para ver
o que poderia estar bloqueando a mente consciente dela, Scully teria
uma resposta para seu parceiro. 

Mas agora, porm, ela era uma convidada no apartamento dele, e ele tinha
a deixado numa situao desagradvel, ento ela foi educada e nao disse
nada at ter provas atuais.

Porm, havia uma coisa que ela queria fazer primeiro. "Mulder, voc 
pode me levar pra casa? Agradeo sua hospitalidade, e tudo mais, mas
eu gostaria de me limpar e dormir na minha propria cama. E eu tambm
gostaria de tentar ver se *posso* me lembrar de quarta, enquanto estiver
ainda fresco."

Mulder pensou, e deu de ombros. "Claro. Eu trouxe uma muda de roupas
pra voc, no caso de voce acordar antes que eu pudesse deixar o seu
apartamento a prova de luz, e voc tivesse que ficar aqui outro dia, 
mas eu consegui lacrar suas cortinas do seu quarto. Se voc me ajudar, acho
que posso trabalhar mais rpido, na sala de estar, e no banheiro. Uma
das consistencias que existem no folclore  a reao de fogo pela luz
solar, e eu prefiro nao explicar para Skinner por que voc 
entrou em combusto espontanea amanh de manh."

"Certo" ela concordou em voz alta. Mas, em sua mente, ela revelou
//Voc deixou meu quarto  prova de luz? O que vai ser agora?
Um caixo?//

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PARADIGMA SHIFT
Captulo 2

Um crossover de X-Files/Forever Knight
por Linda Stoops e Andra Brown
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Filadlfia - 15 de junho; 5:15 da manh

Byron Soares estava se preparando para dormir quando uma 
batida na porta de seu quarto interrompeu sua rotina. A 
presena familiar do outro lado lhe dizia que era um de 
seus empregados, mas nada mais especfico do que isso. 
Outros como ele alegavam que podiam identificar seus 
iniciados, mas ele era da opinio de que eles exageravam 
sobre isso. Era uma prtica comum entre vampiros quando 
ele comeou a ser um, e ele duvidava que as coisas mudaram 
muito nos ltimos seiscentos anos. Tal 'rivalidade' entre 
irmos era um passatempo favorito entre todos.

Nenhuma das mulheres tinha uma chave para seu quarto, ento 
ele estava forado a abrir a porta. Ele quase sorriu de 
alvio ao ver Sally, face virada at cumprimentar a dele, 
uma meia dzia de jornais nas mos dela. Ele no estava 
com humor para lidar com Mildred ou Ann Marie assim to 
perto do amanhecer; alm disso, ele esperava Sally voltar 
com o material e informaes que ele tinha pedido. Ele 
pisou de lado para deix-la entrar.

Sally colocou seu fardo na mesa perto do sof, e comeou 
a falar. "Algum perguntou para os nossos vizinhos se voc 
estava por aqui desde ontem. Ns conseguimos sair a tempo, 
ao que parece. Eu vou fechar a casa se voc achar que no 
podemos nos arriscar em voltar aqui durante algum tempo. 
Voc quer que eu procure outro lugar aqui na cidade?"

"Ainda no. Espero encontrar em poucos dias nossa mais 
nova parceira, e ela vai precisar do ambiente para ajud-la 
a se lembrar. Lewis retornou minha chamada?"

"Sim. Ele deixou uma mensagem no correio de voz, dizendo 
que to logo o artigo estivesse em suas mos antes do fim 
do prximo ms, ele ficaria satisfeito. Sr. Lewis entende 
que retrocessos acontecem, e j que voc foi, ele citou, 
'to pontual e adaptvel no passado', ele iria esticar o 
prazo final. O sotaque britnico dela era to britnico 
quanto suas maneiras, mas um ouvido mais apurado poderia 
descobrir a fala praticada, ao invs de inata. Soares a 
trouxe pela metade de 1800, elevando-a de uma posio de 
criada domstica para sua secretria e contadora. A deciso 
dele foi levada pelo fato da falta de aptido dela para 
roubar, e ele foi pego de surpresa quando ela mostrou 
talento para o tdio e complexidade das papeladas. Ela 
era a mais velha das trs vampiras sob a responsabilidade 
dele, e, to longe, a mais confivel.

O sorriso de Soares era severo. " melhor ele ficar mais 
disposto mesmo, depois do que eu fiz para acrescentar 
coisas para sua colao. E sobre os arranjos da viagem de 
emergncia?"

"Existem vos noturnos para qualquer lugar, se tivermos 
que nos separar. Com quem voc prefere viajar desta vez?"

"Ann Marie. Mildred  mais quieta quando est com voc."

"Sim, bem, ela no parece sentir a necessidade para 
impressionar *a mim*." Ela hesitou, lambeu os lbios, e 
ento aventurou. "Quem vai acompanhar a nossa mais nova 
adio?"

"Eu, claro. Este  o outro motivo por eu no querer Mildred 
no meu vo. A interferncia dela pode fazer dificultar a 
orientao de Dana. Ann Marie sabe se comportar" um suspiro. 
"Certo, Sally, acho que isso  o suficiente por hoje. Pea 
para o servio de quarto enviar algum por volta das nove."

"Claro. Alguma preferncia?"

O sorriso dele era lnguido, mas desagradvel. "Pegue-me 
de surpresa."

* * * * * * * * * * * *

Alexandria e Toronto - 6:15 da manh
Conversa on-line

=Bom dia, Det. Knight.=

=Bom dia, agente Mulder. Qual  a misso, se eu resolver 
aceit-la?=

=Seu modem  seguro?=

=Tanto quanto o seu. Qual  o seu problema?=

(Pausa longa) 

=Minha parceira se tornou vampira h dois dias.=

=Como?=

=Atacada por um suspeito. Ela acordou ontem  noite. Eu 
dei sangue de vaca pra ela, e bloqueei o quarto dela para 
os raios do sol. O que mais eu devo fazer?=

=Como ela est?=

=Acha que eu estou imaginando coisas, como sempre. Tive 
que engan-la para ela beber o sangue. Ela est relutante, 
mas est indo comigo. E agora?=

=D para ela o quanto ela puder levar. Mantenha ela longe 
do sol - novos vampiros queimam facilmente, mas se curam 
de qualquer coisa, exceto feridas fatais. Ela vai precisar 
de mais sangue para se recuperar. Muito sangue pode deix-la 
bbada, mas  melhor do que ficar com fome.=

=Que mais?=

=Mantenha luz e som baixos. Os sentidos esto aguados, e 
ela vai precisar de tempo para ajustar. Ela deveria ter um 
vampiro mais velho para ensinar sobre suas necessidades. 
O fabricante dela a deixou?=

=Ele no estava l quando eu a encontrei. O FDP provavelmente 
planejou voltar para terminar com ela mais tarde.=

=Talvez. Total abandono  raro, mas acontece. Por outro lado, 
alguns tm dificuldade para se libertarem dos que os trouxeram. 
Eu deso amanh, imediatamente, e se minha colega puder me 
acompanhar, Dra. Lambert, ela vai tambm. Ela est trabalhando 
numa cura, e qualquer informao que sua parceira puder 
dar pode nos ajudar a recuperar, tanto ela quanto eu, a 
nossa mortalidade. Tente ficar com o sangue de vaca; 
mantenha ela longe do sangue humano, isso pode fazer com 
que seja possvel inverter os efeitos. Fique atento para 
espasmos musculares. Faz parte da transio: nossos corpos 
rejeitam as substncias qumicas que no precisamos e 
fabricam as que precisamos. Pode acontecer coisa pior se 
no forem tomados os devidos cuidados, e espasmos acontecem 
quando os nveis metablicos ficam baixo demais tambm.=

=To ruim assim?=

=Minha prpria transio foi dolorosa, mas varia entre ns. 
Mas meu primeiro sangue foi humano; a mudana dela pode 
ser melhor ou pior do que a minha foi.=

=Que maravilha. Vocs vampiros no tem um manual ou algo 
assim?=

=No que eu saiba. Pessoalmente, duvido que qualquer um 
de ns tenha feito pesquisa sobre o assunto.  por isso 
que o trabalho de Natalie ainda est em sua fase inicial...=

* * * * * * * * * * * *

Toronto, Ontrio - 7:10 da manh
Conversa telefnica

<"Al?">

"Nat, sou eu."

<"Bem, voc ainda no est dormindo. Qual  o problema?">

"Voc pode viajar por alguns dias?"

<"Depende do que voc tem em mente.">

"Ha-ha. Olha, eu acabei de ter uma conversa muito interessante, 
e considerando o que temos tentando fazer nos ltimos seis 
anos, pensei que voc e eu poderamos verificar isso. Voc 
se lembra do caso Peyser?"

<"Uhmm... yeah, os assassinatos do culto. Voc me contou 
que Peyser era um vampiro mesmo, e que tinha mltiplas 
personalidades. Como Ellen Simmons. Esta situao  similar?"

"No. Lembra dos dois agentes do FBI que estavam tentando 
localizar Peyser e o grupo dele? Bem... parece que, durante 
uma investigao, um deles foi mordido contra a vontade dela."

<"Oh, meu...">

"Yeah. O parceiro dela est tentando convenc-la de que 
ela precisa levar a srio o prprio estado, mas ela  um 
pouco difcil de se convencer. Eles vo precisar de ajuda 
tambm para encontrar o vampiro que a atacou. Eu gostaria 
que voc falasse com ela; vocs duas so mdicas, e voc 
vai poder explicar tudo em condies que ela possa aceitar. 
E j que voc tinha me dito que precisava de um vampiro 
recentemente 'feito' para uma comparao para meu caso, 
achei que esta seria uma oportunidade perfeita."

<"Sim, esta poderia ser a inovao de que precisaramos 
para a cura de vocs dois. Tenho um relatrio para terminar 
esta noite, mas tenho certeza de que posso conseguir algum 
para me substituir nos prximos dias.">

"timo. Eu vou falar com Reese. Se eu tiver problemas, 
Mulder disse que poderia fazer um pedido especial para ns 
no Bureau. Vamos precisar de uma caixa fria para minhas 
coisas, e uma liberao mdica para isso passar na Alfndega. 
Ele pode no ter acesso a essas coisas ainda, ento ela vai 
precisar de algo para a primeira semana dela, at que ele 
consiga arrumar suas prprias necessidades."

<"Eu vou pegar um do hospital quando eu passar na sua casa.">

"E eu vou fazer reservas para um vo noturno para D.C., 
para amanh."

<"Como est o tempo l embaixo?">

"Lembra de agosto, trs anos atrs, quando o ar condicionado 
do precinto estava quebrado?"

<"Oh, Deus...">

* * * * * * * * * * * *

Annapolis, Maryland - 10:20 da manh

Scully se virou, e abriu um olhar para olhar o rdio-relgio. 
//Dez e vinte. Estou atrasada para o trabalho? No,  sbado... 
ou ser quinta-feira? Mulder teria me ligado, se fosse o caso. 
Tem alguns resultados de laboratrio que eu queria conferir, 
mas no ficar prontos at mais tarde. At eu terminar de 
tomar o caf da manh, e resolver algumas coisas, eles vo 
estar prontos//

Ela se sentou, e passou os dedos pelos cabelos que iam at 
os ombros, e ento esfregou os olhos. //Sinto como se tivesse 
dormido durante uma semana, mas ainda estou cansada. Deve ter 
sido aquele sonho de ontem  noite. Muito real pra mim. Eu 
deveria contar isso pra Mulder; provavelmente ele vai achar 
graa. Vampiros... hmmmph! Estou grudada nele tempo demais...//

Ela notou as cortinas, que estavam completamente fechadas, 
e ento carranqueou quando ligou o abajur da cama, e foi 
para a janela. Quando chegou mais perto, ela podia ver que 
os painis das cortinas estavam juntos, e presos contra 
a parede com fita cola grossa. //Quem fez isso? Eu me lembro 
de algo sobre as cortinas no sonho, mas...//

Ela abriu as cortinas de cima, e depois, as de baixo.

Mulder estava trs passos depois da entrada do prdio de 
Scully quando ouviu o grito penetrante. Ele derrubou as 
bolsas de mantimentos, sacou a arma e correu os ltimos 
metros para o apartamento dela. Uma porta do corredor se 
abriu quando ele chegou  porta dela, batendo na madeira. 
"Scully?!"

""O que aconteceu?" a vizinha, com as mos ensaboadas e 
gotejando, saiu e comeou a se aproximar. "Sr. Mulder?"

"Por favor, entre em seu apartamento, Sra... Hanson." ela 
abriu a boca para protestar, mas quando ele lhe deu o olhar 
de 'agente federal', ela se afastou. Ele usou a chave para 
abrir e fechar a porta quando entrou. O "Scully?" dele 
agora foi mais baixo desta vez, mas no menos preocupado.

A luz do sol ardia no quarto, e lhe disse o que aconteceu, 
isso e o gemido de agonia confirmou tudo. Ele correu para 
o quarto dela, e para as cortinas, fechando tudo, lacrando 
de novo. O abajur lhe deu a iluminao suficiente para ver 
dentro do quarto, mas uma viso de 360 graus do quarto 
ainda no tinha revelado nada. Um suspiro rouco atrs dele, 
porm, o fez se virar, e ele olhou para a porta do armrio 
fechada. "Ah... Scully..."
ele falou, triste.

"M-Mulder?" ela choramingou, a voz grossa com dor.

"Aqui mesmo, parceira" ele respondeu suavemente enquanto 
abria a porta e se ajoelhava diante dela. Ela estava com 
os joelhos contra o peito, e tinha enterrado o rosto nos 
braos cruzados. "Est muito ruim?"

"Queima... meu rosto todo... m-meu brao. Oh, Deus, isso 
*di*..."

"Deixa eu olhar" ele colocou uma mo calma nos antebraos 
dela, e se preparou para o pior.

A cabea dela saiu de seu abrigo, e ele viu uma mscara 
escura, queimada, devastando a pele que moldava os olhos 
amarelos plido e pequenos mas leais dentinhos. Ela piscou 
algumas vezes, e a face seca enrugou em angstia quando 
ela sussurrou. "No posso ver."



" s temporrio. Knight disse que qualquer coisa, exceto 
ferimentos fatais, curam rpido. Eu tenho algo que vai te 
fazer se sentir melhor. Volto logo" ele ficou de p, e foi 
para a cozinha dela. Abrindo a caixa lacrada, ele verteu a 
metade do que sobrou do sangue numa caneca, e deu pra ela. 
"Aqui.  gazpacho dessa vez."

Quando ele colocou isso na mo dela, ela sentiu o cheiro 
de carne de boi, e jogou a caneca pro lado com um afiado 
"No! No vou beber isso!" negao batalhou contra a fome 
enquanto ela descia a cabea sobre os joelhos. "Eu no 
sou um m-moooooonstro..."

Mulder olhou para a caneca que passou raspando por seu 
ombro, e as manchas escuras na parede e no tapete, pensando. 
//Bem, l se vai o depsito de segurana dela// antes de 
focalizar a ateno na mulher jovem. "Claro que voc no 
 um monstro, Scully", ele assegurou, num tom suave. "Eu 
tenho que saber disso: sou o 'especialista' e perito 
residente no Bureau."

A tentativa para acalm-la com uma piada foi devolvida com 
um quebrado "Num tem graa."

"Certo, eu sinto muito. J  difcil o suficiente para voc 
aceitar. S queria que voc percebesse que, mesmo que isso 
seja to ruim, voc no deve deixar isso te destruir."

"Est tarde demais para a conversa de nimo, Mulder. Eu-eu 
no posso *deixar* isso me destruir, pois o Soares me bateu 
com isso." ela olhou pra ele, os olhos cheios de raiva. 
"Ele... ele me atraiu at o poro. Eu no o ouvi at que 
ele me agarrou por trs -" ela levou a mo para a garganta, 
quando lgrimas frescas desceram pela face queimada. "ele- 
ele bebeu do meu sangue... tudo que eu sabia era que eu 
estava morrendo, e tinha medo de deix-lo fazer isso de 
novo, ento eu fiz o que ele me pediu... e quando a luz 
foi embora, eu pensei 'ele mentiu pra mim. Ele disse que 
me salvaria, e eu ainda estou morta.' Foi pior do que 
estupro." a raiva diminuiu para medo, e o lbio dela 
tremia. Ela mordeu at parar o tremor, e assobiou em dor 
quando os novos dentes quebraram a pele.

"Foi por isso que eu chamei Knight" ele explicou. "Isso  
algo que eu no posso te ajudar a passar, mas ele sim. Ele 
disse que os novos - como voc, que esto sem um vampiro 
mais velho para ajudar, precisam de algum para orientar. 
Ele est vindo pra c, e te mostrar o que voc precisa fazer 
para sobreviver. O que *eu* posso fazer  ter certeza de 
que voc tenha alimentao, e fique protegida do sol, por 
enquanto. Tudo bem?"

"Mas..." uma batida na porta da frente cortou a pergunta 
dela.

"Uma coisa de cada vez, ok? Eu atendo." ele ficou de p e 
saiu do quarto.

Era a vizinha, com outros vizinhos atrs dela. "Est tudo 
bem com Dana?" ela segurou as bolsas que ele tinha deixado 
no cho do corredor.

"Ela est bem, Sra. Hanson. Foi s... o cabelo que no 
queria ajeitar."

"O que?"

"Est tudo bem, Paula" a voz de Scully veio de dentro. "Eu... 
escorreguei e ca no banheiro." a distncia e a distoro 
na voz esconderam a tenso dela, mas Mulder ouviu o esforo 
que ela estava tendo ao tentar falar de maneira casual.

"S alguns inchaos", ele somou, pegando as bolsas. "Ela 
vai falar com vocs depois. Obrigado, Sra. Hanson" ele 
fechou a porta bem na cara de surpresa da mulher, e levou 
os pacotes de hambrguer e bife para a cozinha. Levou um 
minuto para ele montar o liqidificador e jogar tudo para 
fazer o pur. O que sobrou do sangue foi colocado em 
outra caneca, e dentro do microondas, e foi levado para 
o quarto.

"Vamos tentar isso de novo" ele falou, colocando a caneca 
na mo dela. Quando ela comeou a pegar, ele se afastou 
um pouco. "Primeiro prometa que voc no vai jogar essa 
tambm."

Ela engoliu em seco, e acenou com a cabea. Assim que a 
caneca estava na mo dela, Scully apertou isso como um 
salva-vidas, e cheirou o morno aroma do contedo. O reflexo 
para vomitar desapareceu logo e ela engoliu o lquido todo. 
Quando a caneca estava vazia, ela devolveu para Mulder, 
com um spero, "Mais."

"Isso era o que tinha da comida antiga. Estou fazendo uma 
nova agora mesmo. S espere um minuto."

Os olhos luminosos piscaram de uma maneira que o deixou 
nervoso. "*Fome*..."

"Eu sei, eu sei. J est vindo" ele colocou distncia entre 
eles, e foi para o liqidificador, correndo de volta com uma 
nova caneca para sua parceira, que estava esperando.

Ela tomou tudo em dois goles, s que o "Mais" dela, desta vez, 
foi menos que um resmungo. Mulder fez mais quatro viagens 
antes que ela estivesse bastante saciada para somente segurar 
a caneca e no empurrar de volta pra ele. Limpando o sangue 
fino ao redor da boca com a lngua, ela virou os olhos azuis 
mortais para ele, e sorriu pela primeira vez. "Eu posso 
ver agora."

"Que bom. E a dor?" ele podia ver que a maioria do queimado 
estava sumindo do rosto dela.

O sorriso alargou, e ele ficou aliviado ao ver dentes humanos. 
"Quase foi embora."

"timo. Sente-se forte o bastante para ficar de p?"

"Eu... eu posso tentar" coxa, ela conseguiu ficar de p com 
um pouco de ajuda. Tremendo ao ver a baguna no tapete, ela 
olhou para a janela com um pouco de medo. "Pensei que tinha 
sonhado tudo, ento eu ignorei o que voc fez com as cortinas. 
Foi como... foi como pular dentro de um vulco vivo."

"Eu vou arrumar isso. Volte pra cama que eu vou terminar 
l dentro."

"Certo" quando ele sumiu dentro da cozinha, ela foi para o 
banheiro, e lavou o rosto. Ela fez careta s queimaduras 
ainda visveis, quando a gua bateu nelas, e escovou o cabelo.

Ela estava sentada na beirada da cama quando ele voltou. 
Mulder tinha outra caneca nas mos, dando para ela. "S 
pra voc saber, eu no conto histrias de ninar." ela 
enrugou o nariz para ele, e elevou a caneca, mas no tomou 
na hora. Mulder notou a hesitao, e a expresso pensativa. 
"Que foi?"

"Eu no sei.  que isso... parece normal... eu acho. Eu 
quero dizer - os vampiros deviam dormir nos caixes, em 
sua terra natal, vestido como garons da cabea aos ps 
de restaurantes cinco estrelas, e beber todo o sangue de 
suas vtimas, certo? Mas eu durmo numa cama com lenis 
comprados na J.C. Penney, uso as mesmas roupas que toda 
agente usa, e bebo sangue de vaca como se fosse caf. 
Ento, o que est errado com esta situao?"

Mulder pensou por um momento, e ento encolheu os ombros. 
"Olhe dessa maneira: o FBI, como conhecemos,  descrito 
exatamente como ele  nos filmes ou na televiso?"

"Eu admito que h diferenas, mas no  nada como *isso.*"

Um "Ah!" veio do olhar dele. "Disfarce." ela carranqueou 
pra ele, no entendendo, e ele esclareceu. "Se voc quer 
esconder a viso do real, invente histrias fantsticas, 
assim ningum vai te associar com esse ou aquele ser. 
Ningum vai acreditar que um vampiro possa ser um detetive 
da homicdios em Toronto --"

"Ou agente do FBI em Washington," ela interrompeu, cansada.

Ele reconheceu a admisso dela com um aceno, mas no repetiu 
isso. "--mas existe Knight, que usa suas habilidades para 
desempenhar seu trabalho. Isso no  irreal?"

"Talvez", ela meio que concedeu. Um pensamento sbito fez 
ela dar um bufo. "Aqui est a sua ironia: casos paranormais 
investigados por uma paranormal. Um arquivo X caando outros 
Arquivos X" o rosto dela mostrou o esforo que Scully estava 
fazendo para se controlar, mas algumas lgrimas escaparam, 
e ela tentou cobrir isso bebendo a caneca.

//Prximo passo no processo de aflio: tristeza// ele pensou 
//Seu prprio paradigma pessoal est em luta, e ela est 
tentando salvar o que puder. S espero que ela consiga 
resistir a este ajuste.//

Ele passou fita nas cortinas de novo, e fez um trabalho mais 
completo nas janelas dos outros cmodos. "Ento, assim que 
voc puder, substitua estas cortinas com cores opacas e algum 
tipo de gancho no cho para que elas no subam por acidente."

"Certo", foi a resposta. Ela cheirou forte, e dando um lento 
suspiro, anunciou. "Estou cansada." ela deu a caneca de volta, 
que estava com um tero de resto, e voltou para a cama.

"Eu volto de noite para ver se voc precisa de mais alguma 
coisa. Tem uma tigela na geladeira; parece que bastam quarenta 
a quarenta e cinco minutos no microondas. Knight achou que 
seria boa idia voc continuar no sangue de vaca no comeo. 
 mais fcil de se conseguir, e uma amiga dele, que  mdica, 
est trabalhando numa cura, e quer ver se uma dieta animal 
poderia fazer com que ficasse mais fcil inverter os efeitos."

Ela acenou com a cabea, meio sonolenta, mas quando ele se 
virou para sair, ela agarrou o pulso dele com a velocidade 
notvel de uma Naja. Ele mordeu o ganido de dor do aperto 
forte dela, e a encarou, surpreso.

Os olhos ainda estavam azuis, mas havia uma ansiedade que 
ele no conseguiu entender no comeo. Ento ele notou a 
ofuscada expresso de necessidade, e a razo ficou clara: 
//ela no queria ficar sozinha, e normalmente no pediria, 
mas agora ela est bbada o bastante para ter o comportamento 
afetado.//

Knight tinha dito pra ele para dar tudo que ela pudesse 
aceitar; caso contrrio, ela ficaria voraz e em dor na 
prxima fase de transio. Ele tambm tinha sido avisado 
que muito sangue, mesmo animal, poderia embebedar um vampiro.

Mulder lhe deu um sorriso lnguido, encorajador, e colocou 
a mo dele sobre a dela, que o apertava com fora. O acordo 
sem palavras dele, dizendo que ia ficar, o libertou tempo 
suficiente para levar o resto de sangue para a tigela, e 
pegar uma cadeira e um bloco para o lado da cama, mas assim 
que ele se ajeitou, ela o buscou. Desta vez, porm, o gesto 
era um pedido para contato. //Ela deve estar bem mal para 
me considerar uma ncora//

Ele colocou a mo sobre a dela, devolvendo o aperto que ela 
deu, e finalmente a viu dormir imediatamente.

Ela enfraqueceu o aperto depois de um minuto, e Mulder se 
soltou, com cuidado, mas ficou ao alcance da voz, limpando 
o sangue derramado e dando telefonemas procurando sangue 
animal na rea do Distrito. Formulando seus pedidos como 
se fosse para uma pesquisa especial do governo, isso acalmou 
os supervisores das unidades, e usando o nome de Scully, 
no havia problema depois quando ela comeasse a fazer 
os prprios pedidos. //E ela ainda vai ter que pagar por 
isso ela mesma// e ele iria pegar de lugares diferentes, 
pois assim no levantaria suspeitas. E nem perguntas.

Quando ele pegou a informao pertinente de cada lugar, ele 
pensou, durante a viagem de volta para DC, e sua primeira 
viglia da noite, o que teria acontecido com ele se as 
posies estivessem invertidas. //Ela teria me declarado 
como morto  cena, e discutido com Skinner sobre fazer uma 
autpsia. Se ela conseguisse ou no, quando eu acordasse no 
cemitrio iria ser um choque para algum, presumindo que 
eles no tivessem furado a fila por mim, e feito a autpsia 
logo. E no iria ter Scully me salvando na ltima hora, ou 
os velhos Navajos desta vez.//

Fim de Paradigma Shift 2



PARADIGMA SHIFT
Captulo 3

Um crossover de X-Files/Forever Knight
por Linda Stoops e Andrea Brown

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1:37 DA TARDE

Ele estava pronto para sair, para pegar algumas coisas para ela, quando
Scully se empurrou de repente, ficando rgida, soltando um
guinchado agudo, que saa de sua laringe, arranhando os dedos pela
manta e lenol, e enterrando as unhas no colcho. Ela abriu a boca
como se para tomar flego, mas ele nao ouviu nada entrar, mas viu
os canino se alongando enquanto assistia.

//Knight mencionou que espamos eram parte da transformao, mas no 
avisou que era assim!// De acordo com o detetivo, o metabolismo de um
vampiro novo purgava certas substancias quimicas do corpo, e fabricava
as que precisava.  A prpria transio dele foi incmoda, mas moderada
por comparao, pois sua primeira ingesto foi de sangue humano.
Ficou claro para Mulder que hemoglobina bovina nao ia ser suficiente.

Ele agarrou o celular, e discou o numero da casa de Knight, que ele
mesmo tinha dado, mas s pegou a secretria. Ele deixou uma mensagem
corrida, e apavorada, enquanto via sua parceira convulsionar diante
de seus olhos, e quando ele desligou, murmurou "Que se dane a pesquisa"
e correu para a cozinha, pegando uma faca afiada e uma caneca.

Enquanto o sangue de vaca esquentava na cozinha, ele arregaou a
manga esquerda dele e fez um corte de umas duas polegadas, no antebrao,
os dentes apertados em dor enquanto seu proprio sangue caa na pequena caneca.
Quando o microondas apitou, ele misturou os dois liquidos, e correu de
volta para o quarto.

Mulder nao conseguiu erguer a cabea dela para ela beber, ento ele tentou
virar tudo direto na garganta dela. Scully sufocou, tragou, e ento agarrou
a fonte de comida, e a puxou pra si. Ele colocou um brao debaixo dos
ombros dela, e a segurou o mais reta possvel, enquanto ela bebia. Os
espasmos aliviaram um pouco depois de cincos minutos, mas ela ainda tremia,
e ele sabia que o pouco que ela tinha tomado nao era o suficiente.

Com a posio meio desajeitada ao lado dela, ele tirou o pano de prato
do brao e segurou a ferida debaixo do nariz dela. Olhos cor de limao
se abriram de repente, e encontraram os olhos dele, enquanto ela agarrava
seu pulso e segurava o corte com a boca.  Mulder lutou contra  a nusea
e a vertigem enquanto ela se alimentava dele por mais de uma hora, pelo menos
parecia para ele, mas foram apenas trs minutos e quarenta e cinco segundos
antes dela relaxar, e ficar flcida contra ele.

Mulder a abaixou sobre a cama e, balanando, foi para a poltrona.
Respirando forte para parar a tonteira, ele torcia que isso seria o 
suficiente para ela. Para seu alivio, Scully se contraiu apenas algumas
vezes, e ento dormiu um sono pesado. A dor estupida no brao chamou
sua ateno para o corte, e ele viu que a hemorragia tinha parado
//Ainda bem, pois nao tenho certeza se teria energia para cuidar 
disso// "J pensou em ser transferida para o Imposto de Renda, Scully?"
ele perguntou, baixo, nao esperando ser ouvido, muito menos respondido,
ento caiu num cochilo por uma hora.

5:12 DA TARDE

Mulder tinha ido embora quando Scully acordou. Ela ficou desorientada
um ou dois segundos, ento, os eventos daquela manh voltaram, de repente,
e a aflio e medo voltaram para ela. "Oh, Deus..." ela sussurrou, se
enrolando como uma bola, e chorou por uns bons vinte minutos. Ela
ficou nessa posio por mais dez antes de se sentir firme o 
suficiente para sair da cama.

O cheiro de sangue seco a fez olhar pra trs, para o travesseiro e lenol,
e ela tremeu quando viu as manchas de vermelhas e marrons entre o padro 
floral estilizado. //Por que nao foi em cima daquele lenol lima
horroroso que eu ganhei no Natal?// ela tambeu notou uma mancha amarelada
no pijama que usava, e outra na forma de um corpo, bem na cama onde ela
tinha deitado. //O que  isso? Suor?// 

Ela ficou confusa com os furos no colchao, e fez uma nota mental para
perguntar ao seu parceiro sobre isso. "Vou agir como cientista" ela falou,
e cortou, ensacou e etiquetou as manchas de sangue, as outras manchas, e 
cortou uma pequena mecha de cabelo dela, e raspou um pouco de pele para
comparao, e ensacou a roupa arruinada, e tomou um longo e quente 
banho. Ela at se divertiu brevemente quando retirou sua minuscula cruz
de ouro, pensando //Bem, aqui vai outro conto de folclore para o inferno//

Sentindo-se mais tranquila e fundamentada, ela vestiu roupas semi-casuais
e arrumou a cama. A brisa provocada pelos lenois empurraram um pedao de
papel que estava quieto sobre o criado mudo, mandando o papel para o cho.
Ela tentou e pegou o papel antes dele tocar o chao, nao percebendo
a velocidade com que ela se moveu.

A letra no papel era de Mulder, e a informao, curta e grossa:

Querida Scully,
Quatro coisas para voc se lembrar -
(1) voc  um vampiro;
(2) No abra as cortinas at depois do pr-do-sol(8:32). Para saber o
motivo, leia o (1);
(3) o jantar est numa tigela com uma etiqueta na geladeira;
(4) Volto hoje  noite com comida e outras coisas.

Mulder

Quando ela voltou a ler o nmero um, a breve iluso de normalidade
quebrou-se ao redor dela, e seu peito se apertou, os olhos queimaram, 
avisando outra choradeira. "Nao" ela se ordenou, engolindo a dor.
//No vou me abater. Preciso aprender a controlar isso. Soares  um..
o que quer que ele seja... morto, se eu o pegar com minhas mos//
Raiva dirigida ao vampiro que mudou sua vida venceu a depresso,
e ela tomou uma caneca e um quarto do que tinha dentro da tigela
com a etiqueta de 'sopa' que Mulder deixou na tigela, e leu trs pginas
de anotaes sobre o que aconteceu at agora.

Ela telefonou para o laboratorio para saber os resultados que ela tinha 
pensado em pegar naquela tarde, pedindo para que fossem deixados na mesa
dela, e ento, ligou para o celular de Mulder, e pediu para ele pegar
o relatorio antes de vir pra casa dela. //Ainda bem que o laboratorio
forense tem horrios diferentes dos outros// ela pensou enquanto desligava.

Uma sbita lembrana a fez conferir sua agenda. //Oh, que beleza. Almoo
com minha me, amanh,  uma da tarde. E eu j tive que desmarcar duas
vezes. Pelo menos eu tenho uma desculpa diferente: 'No, no  o trabalho
desta vez, me. De repente eu fiquei com uma alergia imensa para luz do sol.
Ao que parece, eu no me bronzeio mais; eu viro cinza de carvo.' E explicar
a mudana na dieta iria ser divertido. Ela estaria comendo uma salada Cobb
enquanto eu tomo um gole de Castelo Holstein ' 96. Talvez eu possa enganar
e pedir bife ao molho trtaro.//

Scully conseguiu manter a amargura na voz de lado, 
e fez a ligao, e mesmo que sua me ficasse aborrecida devido a este
outro adiamento, a mudana do horrio para um jantar num dos melhores
restaurantes de D.C. a deixou mais compreensiva.

//No posso culpa-la por ficar chateada depois de tantos cancelamentos.//
Scully meditou quando encerrou a ligao. //Desde a morte de Melissa,
minha me est tentando manter os laos de me e filha, e meu trabalho
no facilita as coisas// A verdade sbita de como sua vida mudaria tambm
em relao a familia, velhos amigos e colegas de trabalho deixaram os ombros
de Scully mais pesados, e a necessidade de mentir para quem ela sempre confiou
fez outro buraco em sua base moral.

//Como posso confiar no meu autocontrole perto deles?
Quando eu vou comear a parar de olhar para eles como pessoas que eu me importo, e
comear a v-los como comida? =Ser= que sangue animal vai ser o suficiente
para me alimentar, ou eu s estou tentando adiar o inevitvel, e ser forada
a atacar humanos, s para me manter viva? E at quando Mulder vai aguentar? Meu mundo
todo caiu em dois dias, e no parece que vai ajustar de volta//.

Tristeza subiu de novo, mas no to forte quanto antes, e desta vez, 
ela deixou se levar. E para sua surpresa, as lgrimas nao duraram mais do que
um minuto ou dois, e ela sentiu uma calma cansada substituir a tristeza.
//Acho que estou ficando entorpecida, eu acho.  mais difcil de pensar, mas
com certeza  melhor do que a histeria.//

Por falta de coisa mais interessante para se fazer, ela decidiu ver televiso.
Depois de dez minutos trocando de canal, Scully sentiu uma sensao forte,
acentuada, mexer em sua consciencia, e ela queria - sair. As paredes
pareciam rodea-la, e a fome que ela sentiu antes era fraca em comparao 
dor que estava dentro dela. 

//J est escuro l fora?// ela conferiu o relgio, e sorriu ao ver que j
passava das 8:30, e entoi, com cuidado, ela abriu uma cortina e viu a luz 
fraca entrando.  Algo dentro dela assobiou de prazer, forte o bastante para
faze-la perceber suas proprias necessidades. Ela tirou os pregos da cortina,
e se afastou quando abriu, e ento abriu as cortina aos poucos.

Havia uma picada de calor no comeo, seguido por um frio sensual
que crescia, enquanto o brilho diminua. //Isso ... tao bom... aposto
que  melhor l fora// Ela pegou algumas coisas e fez um pacote, e escreveu
um bilhete para Mulder. A caminho da porta, ela ouviu sons suaves, e de repente,
batidas e um solcito "Dana?" 

Ela abriu a porta, encarando uma Paula Hanson assustada.

"Hi!" Scully cumprimentou, a voz um pouco alta at mesmo para as orelhas dela.
Os sons estavam mais fortes, mais pronunciados enquanto a vizinha se
aproximava, e Scully percebeu que estava ouvindo o corao e pulmes da
mulher. O mdico dentro dela percebeu o leve chocalhar da respirao da
vizinha, e planejou falar com ela sobre uma visita para o mdico e
sobre cigarro numa data posterior.

"Hi! Eu pensei em passar aqui e ver se voc estava bem. Seu parceiro
no disse muita coisa sobre o que aconteceu."

"Ah, foi o cho... ele estava... molhado" ela respondeu, distrada pela
imensa sensao de fome, e um cheiro opressivo de doce que ela no podia
saber o que era, mas que ela queria muito mais. Instinto lhe dizia que
vinda da mortal em sua porta, e que ela falasse do jeitinho certo,
a fmea entraria e lhe daria, de boa vontade, o que ela precisava.

"Eu estava... de sada... mas se voc..." //Venha... venha para mim...
que eu te darei prazeres que voc nunca sentiu antes...//

Quando a hesitao foi muito grande, Paula incitou, perguntando...
" 'Mas se eu'o que?"

A familiaridade da voz quebrou o feitio, e a mente de Scully clareou,
deixando-a surpresa //O que eu estou pensando!?!// "Ah, eu- acho que
esqueci uma coisa. O-olha, eu vou... eu ligo pra voc amanh, certo?"
As ltimas duas palavras foram quase rosnadas enquanto ela batia a porta
na cara da vizinha, e apoiava contra o batente, tremendo. Ela no ouviu
a reao do outro lado; tudo que ela sabia era que a batida do corao, 
a respirao e o sangue estavam caminhando para longe dela,
e Scully lutou contra o desejo de sair e agarrar isso de volta, mas 
correu  para a geladeira, tirando a tigela.

Ela se sentou, puxou a tampa fora, e bebeu direto do recipiente.
A apetncia diminuiu lentamente para um desejo manejvel, mas ela pegou
cada gota disponvel com os dedos e lambeu tudo, at a tigela,
limpando tudo //No  o bastante, mas por enquanto, vai dar. Mulder
vai estar logo aqui. Ele vai trazer mais. At l, eu tenho que ficar
aqui.//

Ela tentou levar sua fome para longe da mente, para outro lugar,
e os efeitos entorpecentes de um filme velho pareciam ajudar. J passava
da hora do jantar, ento comerciais de comida nao apareciam muito, 
no sendo portanto uma lembrana constante do que ela precisava, e que no
poderia ter.  

O filme estava se aproximando do clmax quando ela ouviu outro corao
e pulmes se aproximando da porta dela. //No  Mulder// ela soube, sem
pensar, enquanto se levantava para atender as batidas na madeira.
//Definitivamente homem... nervoso, mas com uma fome prpria... eu posso
cheirar isso dele vindo do corredor...//

Ela abriu a porta para Frohike.

"Oi, Agente Scully," ele comeou, seus modos um pouco agitados.
"Eu... uh, no consegui encontrar Mulder no apartamento dele, e perdi
o numero do celular, ento, achei que poderia trazer isso aqui, para
voc poder dar pra ele quando o visse."

"Voc est com sorte, Frohike" ela respondeu, sorrindo, satisfeita
ao sentir o retorno sbito daquela necessidade. "Mulder deve estar 
chegando a qualquer minuto. Voc pode entregar pessoalmente pra ele.
Entre, e sente-se." Quando ele passou, ela somou, "Voc gostaria de
beber alguma coisa? Ch, caf, refrigerante?" a lingua dela passou
pelas pontas dos dentes, e ela arqueou as costas pra trs, numa pose
sugestiva, enquanto fechava a porta atrs dela.

"Ch seria bom, obrigado" ele colocou o envelope pardo na mesa perto
do sof, e sentou-se perto dela. E observou enquanto Scully passava
por ele, indo pra cozinha, remexendo os quadris um pouco mais exagerado 
do que ele se lembrava. Ele estava no apartamento dela =fique sbrio=
e ela estava preparando algo pra ele! Isso era melhor do que ele esperava
que pudesse experimentar neste milnio.

Scully poderia sentir o desejo dele por ela, e mesmo que parte dela
estava maravilhada pela profundidade disso, a outra parte respondeu com
um forte sentimento. Ela lutou contra isso, mas a resistencia enfraqueceu,
at parecer que ela s estava pegando carona nisso. //Fome... ataca-lo
para aliviar a minha dor... me fazer forte... s um pouco... s o bastante
para me manter inteira...//

Ela encheu uma xcara de gua e colocou no microondas para aquecer.
Quando ficou pronto, ela colocou um saquinho dentro e levou para uma bandeja,
com uma garraa de suco de limo e um pote de acar. "Tenho adoante, se
voc preferir" ela manteve o olhar longe dele, e movendo pouco a boca,
sabendo que a mudana nela poderia assusta-lo, e ela nao queria brigar
com ele, certa de que o sangue seria mais doce caso fosse levado sem luta.

"No, assim est bom. Voc--- voc sabia, mas  claro que voc sabe disso -
sobre as experiencias que eles fizeram com aspartame, e o fato de que 
a companhia tentou esconder..."

"Claro que sim. Chocante, no ? Ento, diga-me o que te traz aqui, 
procurando meu parceiro?" ela perguntou numa voz rouca, enquanto se sentava
sobre o brao do sof, ao lado dele.

Frohike engoliu ao ver a maneira como ela montou no brao do sof, e olhou para
cima, s para encontrar dois olhos dourados, brilhando. "Eu queria..."

"Eu sei o que voc quer, mortal, e eu posso satisfazer essa necessidade, se 
voc me der o que =eu= desejo. Voc faria isso por mim?" ela revelou os 
dentinhos num lento sorriso, e viu o aceno ofuscado dele. "Excelente" ela
sussurrou, empurrando Frohike sobre as almofadas, e deitando sobre ele. O cheiro
pessoal dele estava  misturado com um odor de gua-de-colonia velha, 
mas nao era impedimento quando comparado ao aroma mais rico de seu sangue,
e ela se permitiu cheirar a luxuriante fragrancia por mais alguns momentos, 
cheirando a garganta dele, totalmente descoberta, antes de afundar os
dentes na carne plida debaixo da orelha.

Uma srie rpida de batidas chamou sua ateno, mas ela colocou isso de lado,
e estava pronta para comear seu banquete quando o barulho veio de novo, 
acompanhada por uma voz masculina dizendo seu nome. Uma presena meio enterrada
dentro dela reconheceu isso como sendo a voz de Mulder, e nadou para a superficie
de sua mente, gritando o nome dele na mente dela, at que a entidade foi
forada a sair do caminho, fazendo Scully quase saltar de cima da vitima
e ir para a porta.

Mulder estava quase pronto a usar a chave quando a porta voou aberta, revelando
uma apario ruiva, com olhos ardendos, e caninos afiados, e que parecia
com sua parceira. Rosnando, a apario falou "Tira ele daqui, tira ele daqui
tira ele daqui...!" ela ondulou para a figura no sof, e se afastou, 
arquejando.

//O que... Maldio...// Mulder colocou as bolsas de comida na cadeira mais
prxima e foi para onde Frohike estava deitado. O pescoo do homem estava
exposto,mas sem marcas, e da expresso feliz e semiconsciente dele, ele nao
tinha resistido. //Fale sobre morrer com um sorriso no rosto!// Mulder pensou,
divertido, olhando pra Scully, antes de voltar a ateno para o Pistoleiro,
e puxar seu brao. "Ei, Frohike, acorde!"

"Sim, eu ...o que-? Mulder?" Frohike piscou para o intruso de seu
sonho maravilhosamente ertico, e ento percebeu onde estava, e se sentou,
depressa. "O que aconteceu?"

"Voc cochilou, camarada" Mulder olhou para a xcara ainda soltando vapor.
"Cafena nao chegou a tempo, eu acho."

"No, eu acho que..." ele encarou o ch, tentanto rconstruir os eventos
que aconteceram antes do maravilhoso sonho, e olhou para Mulder, e por
cima dele, Scully, parada perto da porta, braos cruzados com fora, e
encarando o chao, parecendo estudar o tapete. "Eu... trouxe os relatrios
que voc pediu, mas quando nao consegui te encontrar, eu vim aqui."

Frohike pegou o envelope e entregou. "Byers disse - o que foi mesmo? --ah,
que ele est esperando uma informao de um contato dele da Interpol.
Parece que est acontecendo uma srie de roubo de artes parecido
com um caso que voc est trabalhando, mas h cinquenta anos, e aquele
tinha conexes para algumas familias da classe alta na Europa, e as
peas que foram roubadas eram de membros do Terceiro Reich, e as
autoridades decidiram manter a informaao debaixo dos panos.
Voc acha que pode ser um imitador?"

"No tenho certeza ainda. Obrigado" Mulder respondeu, batendo no pacote,
que segurava com a mo esquerda, com a mo direita. "Ento, voc quer que
eu te leve at o carro? Voc parece meio cansado, e tenho certeza de que
quer ir pra casa, e comear a fazer a sua eterna manuteno."

"Eu... provavelmente deveria ir, sim" Frohike, concordou, vagamente,
ficando de p. Quando Mulder comeou a leva-lo para a porta, ele
somou. "No, est tudo bem. Eu posso ir sozinho para meu carro, obrigado."
Ele olhou, confuso, para sua anfitri, que quase correu para colocar uma
distancia entre ela e eles.

"Ento, tudo bem. Dirija com cuidado."

"Eu vou. Boa noite. Boa noite, sra. Scully. Obrigado pelo ch."

Assim que a porta foi fechada entre o predador e sua presa, Mulder pegou
as bolsas e praticamente empurrou tudo nas maos dela. Quando os olhos
esverdeados e os amarelos se encontraram, as proximas palavras "Isso foi
perto demais" morreram quando Mulder viu o olhar arrependido e amedrontado

//Ela sabe que chegou perto de matar alguem. Ainda bem que eu fiz aquela
parada extra.// Ele acenou com a cabea para a cozinha, a face sem 
expresso, e esperou dois minutos antes de segui-la para l. 
Scully tinha retirado um dos oito frascos cheios de liquido vermelho,
e j tinha bebido trs quartos dele. Ele se sentou, e comeou a abrir
a propria comida. Quando ela finalmente parou 'para respirar', ele perguntou
numa voz calma. "O que aconteceu?"

"Eu estava *com fome*," ela estalou, a voz gutural.  Depois de um momento de
silncio e uma respirao longa e trmula, ela ficou mais composta. "Eu sinto
muito. Eu acho... eu acho que esta manh levou mais de mim do que pensvamos,
e o que estava na geladeira pareceu nao ser o bastante." ela pegou uma
bolsa de sangue humano, do hospital, que tinha sido marcado para o lixo, 
pois tinha passado 'da validade'. Ela colocou tudo na geladeira, e mostrou
um para seu parceiro. "Isso no  para Knight, no ?"

* * * * * * * * * * * *

TORONTO--9:19 P.M

"Bem, duas vezes depois de tantas semanas" LaCroix falou quando apareceu
atrs de Nick no bar O Corvo, e acenou para seu garom habitual. "Aconteceu
alguma coisa, ou isso  puramente social?"

"Um desafio foi lanado em meu colo, e pensei em visitar esta rea, e ver
se podia encontrar algo til." ele olhou para as danarinas e os clientes
ap redor, e falou num baixo tom. "Uma conhecida minha, dos Estados Unidos,
foi trazida para nosso crculo contra a propria vontade."

"E ela quer arquivar uma reclamaao?"

"O... iniciador dela a deixou sozinha."

"Ah, isso  um problema. Ela sabe o nome dele?"

"Byron Soares. J ouviu falar?"

"No por este nome. Alm disso, eu posso ser velho, mas
nao conheo todo mundo."

"Ela e o parceiro dela estavam investigando seu envolvimento num
roubo de artes, e homicidio, e foi quando aconteceu."

"Outro detetive? Tem alguma tendncia acontecendo por aqui, e que eu perdi?"

"FBI".

"Nossa, ns estamos demolindo muitas portas, no ?" LaCroix subiu e 
desceu a cabea para o local onde ele fazia seu programa de rdio noturno, 
indicando que deviam falar em particular agora, e Nick seguiu seu 
'fabricante' at l.

Assim que a porta se fechou, o tom do vampiro mais velho ficou
mais srio. "Nao conheo este Soares pessoalmente, mas ouvi falar dele.
Surrupiar a criatividade de outras pessoas  um velho jogo dele.
Ele roubou para ambos os lados na Segunda Guerra Mundial, da ltima vez
que ouviu, e pessoas muito prsperas recrutaram seus servios durante
anos."

"H quanto tempo?"

LaCroix encolheu os ombros.  "Renascimento, eu acho. No ficaria
surpreso por ouvir que ele pegou vrios deles ele mesmo. Mas pegando 
objetos de dono para outro dono  uma ofensa insignificante, e o que 
so mais alguns mortais mortos num mar de corpos j inchados?
Mas agora, abandonar um 'iniciado'... isso sim  crime. Destreinada,
ela poderia nos expor para o mundo mortal, que j  dificil o suficiente
como est. Pelo que vejo o parceiro dela nao encontrou o 'iniciador'?"
O homem mais jovem acenou com a cabea. "Ele sabe o que aconteceu com ela?"

"Ele reconheceu os sinais antes mesmo que ela entendesse. Ele tem um
certo interesse... profissional no que os mortais chamam de 'paranormal'. Ele
est cuidado dela nos ltimos dois dias."

"Interessante. Devoo desse tipo  rara entre os mortais, quando o assunto
 este. Quem quer que faa isso, ou o faz muito valente, ou um bobo com desejo
para morrer."

"Nao sei ao certo. Eu recebi uma chamada dele esta tarde,
mas mesmo que estivesse acordado, duvido que pudesse ter ajudado. Ela
estava tendo violentas convulsoes; pude ouvir tudo no fundo, e ele parecia
que estava desesperado. E deu um pouco do sangue dele pra ela. Isso
parou o ataque."

"O que ela estava bebendo antes disso acontecer?"

"Sangue de vaca."

"Ah-ha... 'Dieta Vegetariana'. No  de se admirar que a jovem
teve essa reao: 'iniciados' pedem sangue de suas proprias especiais, ou
eles ficam doentes. Voc no daria leite sinttico para um beb, no ?
Ou hambrgueres para filhotes de lobo? Claro que no. Acontece o mesmo
com os vampiros. Existem necessidades que nenhum sangue animal pode
substituit neste primeiros dias, que so cruciais, pois a iniciao  
importante.   muito mais do que ensinar o 'iniciado' a matar, embora
a mente deva se acostumar ao que o corpo vai pedir. Depois da transio,
claro, qualquer sangue vai servir, mas  a variedade humana, de vez em
quando, que mantm o corpo so. Tomar sangue de um vivo  melhor ainda,
especialmente de um doador disposto. Para ela, era como ter uma boa comida
depois de uma vida de comida ruim."

"E se ela tivesse ficado com o sangue de vaca?"

"Doena, de corpo e mente.  Morte, eventualmente, se ela no perdesse a
lucidez e mordesse o primeiro mortal que visse. No, o parceiro dela fez
a coisa certa, mesmo sabendo o quanto isso deve ter custado, e dodo, a ele."

"Por que voc nunca me contou isso quando eu fui 'iniciado1?"

"Entende o que a ciencia passou nestes dias? Tudo que eu sabia era que era
necessrio. Nao havia condio de explicar isso naquela poca. Alm disso,
teria mudado alguma coisa? Voc ainda nega o que deve fazer para sobreviver."

"No nego a necessidade. S no vou matar para satisfaze-la."

"Ento, voc carrega uma arma, e atira nas pessoas, igualzinho como
se voc pegasse uma espada e os matasse. Sinto muito, Nicholas, mas nao vejo
a diferena entre sua viso de negociar a morte, e a minha."

"S mato quando no existe escolha, e para proteger o inocente."

"Voc mata para manter a lei dos mortais para eles, e se voc passasse
mais tempo caando esses que no prestam, cujas mortes no seriam lamentadas,
ento estes 'inocentes', que voc tanto se preocupa, no precisariam de
proteo com tanta frequencia."

Nick bufou.  "Parece altrusmo demais vindo da sua parte. Voc nunca se
preocupou com os inocentes antes."

"Morte leva tanto o inocente quanto o culpado. Eu tenho mais consciencia:
eu levo os infelizes que nao trarao suspeitas para mim ou para os meus."
ele acenou com a mo. "Mas ns j falamos sobre isso milhares de vezes, e
isso nao vai levar a lugar nenhu,. Ento, sobre a sua jovem amiga: o primeiro
vo ao ar livre deve ser curto e supervisionado. O primeiro gosto da noite
pode ser intoxicante pra ela, cujos sentidos estaro aguadssimos, e se
ela nao entrar em choque, ela pode correr como uma selvamge.  Numa rea
com tantos mortais como o Litoral Oriental, isso  uma receita para um
desastre. A transio pode levar uma semana, dependendo do metabolismos e de
que tipo de sangue ela levar."

"Ns deveramos esperar mais algumas convulses?"

"No se ela se alimentar corretamente.  Se voc quiser insistir numa dieta
bovina, misture com sangue humano, e alterne com sangue puro de humano, 
at que a transio dela fique completa. Depois disso, ela pode beber
o que quiser. Agora, se voc me der licena, eu estarei no ar em trs
minutos."

"O que eu fao se Soares vier atrs dela?"

"'Fazer?' Voc no vai fazer nada, Nicholas. Tudo que acontecer entre a
mocinha e o mestre dela, no  para intrusos." ele parou tempo po 
suficiente para se ajeitar na cadeira, e somou. "A menos, claro,
se voc quiser o lugar dele."

"E para isso eu teria que mata-lo, certo?"

"Melhor voc do que ela.  Voc sabe como os 'Enforcers' ficam sobre vampiros
matando seus mestres."

Nick acenou com a cabea, severo, se lembrando da vez em que ele tentou
isso.

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Fim de paradigma 3


PARADIGMA SHIFT 
Captulo 4

Um crossover entre X-Files/Forever Knight
por Linda Stoops e Andrea Brown

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TORONTO--10:13 DA NOITE

Da maneira como Nick olhou pelo laboratrio quando entrou, Natalie
teve certeza de que o assunto que ele queria discutir nao estava
relacionado a qualquer um dos seus atuais casos. Quando Tracy no 
apareceu dois passos atrs dele, a certeza dela ficou mais indiscutvel.
//E desde que o nosso mais recente subtpico em vampirismo se trata da 
nossa razo para uma viagem...// "Como est indo a Agente Scully?"

Nick estava a ponto de abrir a boca para lhe dar uma atualizao da situao,
quando fechou-a, e fez uma expresso confusa. "Como voc sabia...?"

Ela deu ao detetive um de seus sorrisos convencidos, pegou um frasco
com fndo redondo, olhou para ele atravs do vidro e falou, num sotaque
eslavo muito ruim. "Madame Natalie tudo v, Madame Natalie tudo sabe."

Ele riu e tremeu a cabea enquanto ela colocava o recipiente no lugar.
"Vamos dizer que quando voc est com essa cara, e eu no vejo sua
parceiro ao seu lado, normalmente isso quer dizer que voc quer falar sobre
vampiros, e Scully  a candidata mais lgica para este tpico. Ento, voc
ia me dizer..."

O sorriso franco dele mudou para uma expresso quase culpada, e ele suspirou.
"Ela parecia estar bem da ltima vez que Mulder a viu esta tarde--"
Natalie ergueu uma sobrancelha, apreensiva. "--mas eu duvido que voc
v conseguiu obter uma amostra pura dela."

"Voc quer dizer que ela bebeu...? Puxa vida, mas que beleza" a patologista
quase jogou a caneta pela mesa, frustrada. "Onde ela conseguiu? De Mulder,
de um dos vizinhos dela, ou de algum estranho na rua?"

"Nat, ele no teve escolha.  O corpo dela no conseguiu suportar ficar
apenas no sangue de vaca, e ela comeou a ter srias convulses. Do que
ouvi na mensagem que ele deixou enquanto ela estava tendo o ataque, parecia
bem ruim. Ele estava com medo de que a perderia. Quando liguei mais ceod, hoje
 noite, ele me contou que tinha dado a ela um pouco do prprio sangue,
e que conseguiu parar o ataque. Eu... chequei com algum mais educado do 
que eu neste assunto, e parece que os instintos de Mulder estavam certos."

"Ah, ento... o que mais LaCroix tinha a dizer?"

Nick ia falar quando parou, //E a quem mais eu teria buscado para ter informao
como esta?//, e disse, "Sou to transparente assim?"

"Entre ns, os mortais?  S para sua mdica... eu espero. Eu nao sei sobre seus
outros 'coleas'. De qualquer maneira..."

"De qualquer maneira, ele diz que vampiros recm-nascidos 
so frgeis durante os primeiros dias depois que acordam, e que o 
seu comportamento no futuro vai depender de quanto cuidados eles
tiveram na ocasio. O velho folclore sobre vampiros como predadores vorazes
vem principalmente de jovens que quase morreram de fome durante a primeira
transio deles, e ficaram loucos."

"Isso explica a necessidade do controle de um vampiro mestre. Bem, espero 
que ela esteja indo bem" Natalie concedeu, desapontada pela oportunidade
perdida para conseguir evidencia mais conclusiva, mas muito prtica 
para deixar tais retrocessos a irritarem, e muito compassiva para permitir
que alguem sofra s por causa de uma experiencia, ou uma possvel cura.

"Se ela no ingerir muito sangue, eu posso pegar algumas pistas antes
que o corpo dela mude completamente."

"Nao acho que voc v ter a objeo dela. O colega dela disse que j foi
muito dificil para ela beber o sangue de vaca, e ela estava inconsciente quando
tomou o dele. Nao acho que ela v se lembrar de que isso aconteceu."

"No esteja muito certo disso. J se sabe que as pessoas que esto em coma
se lembram de partes de conversar ditas na presena delas, enquanto elas estavam
'fora do ar'." ela suspirou, colocando a caneta atrs da orelha. "Eu s queria 
que no precisassemos esperar at amanh  noite."

"Yeah, eu tambm."

* * * * * * * * * * * *

ANNAPOLIS--10:25 DA NOITE

"Ns temos que contar para Skinner."

Scully estava muito pensativa e esperou at que Mulder tivesse
terminado de comer o peixe antes que ela derrubasse a bomba. Mas do
som que ele fez imediatamente quando ela falou isso, parecia que o
pedao de peixe, imitao de salmo, estava tentando nadar pela garganta
dele, de volta para a boca. Ele tossiu, bebeu um grande gole de refrigerante
da cena, e conseguiu perguntar numa voz um pouco apertada. "E o que te levou
a *essa* concluso?"

"Tive muito tempo para pensar enquanto estava trancafiada neste
apartamento. Se eu continuar no Bureau, vou precisar de ajuda com a 
minha 'camuflagem', como voc disse isso. Tudo bem, eu nao vou ajudar
muito at Knight chegar aqui, mas se agirmos com bastante precauao,
acho que eu posso ter segurana para fazer algumas coisas."

"Voc tem certeza de que pode confiar nele? Alm dos sculos da fama ruim
dos vampiros com a divulgaa, temo que a tentao de explorar poderia ser
grande demais."

"Acho que no temos muitas opes. Bem, de qualquer maneira, se os contos
de vampiros dizendo que podem hipnotizar as pessoas so verdadeiros,
eu poderia me aproveitar disso."

"V por mim. No  folclore."

Ela comeou a perguntar o que ele queria dizer com isso, e ento se lembrou
de ontem  noite. "Certo. Desculpe."

Ele encolheu os ombros. "Voc no tinha como saber. S tenha mais cuidado.
Eu... disse pra Skinner que voc pegou uma doena na Filadelfia, e--" ele pausou
quando ela deu um bufo divertido. "-- e que voc estaria de volta assim que
pudesse. Enquanto isso, procurei mais algumas pistas para localizar Soares."

"E conseguiu?"

Mulder deu de ombros. "Quase nada. Basta dizer que o sr. X *no*
vai estar aqui to cedo."

"Isso j era esperado, embora eu gostaria de fazer umas perguntinhas
pra ele sobre respostas que estamos esperando h muito tempo." ela
bebeu um pouco da mistura de sangue de vaca e humano e sentiu a coceira
do estomago se acalmar um pouco. Assim que ela tinha se resignado a
esta necessidade para sobrevivencia, o pensamento de sangue humano na
sua dieta ficou menos repugnante. 

//Pelo menos no estou ameaando outras vidas.//

"Entre outras coisas" Mulder pensou em outra figura em particular,
e suas narinas se mexeram ao fedor imaginrio de fumaa de cigarro.

"Falando de perguntas e respostas, quero que voc veja uma coisa". Ela
o levou para o quarto, e lhe mostrou o colcho arruinado. "Voc sabe o que
fez esses furos?"

"Nao o que, mas *quem*" ele respondeu, erguendo uma mo e entortando os
dedos, como uma garra.

Ela fez a conexo, mas tremeu a cabea, incrdula. "Por que eu faria
isso? No me lembro de ter um pesadelo para fazer *aquele* tipo
de estrago" alargando a mo dela para alinhar os dedos com os buracos, ela
viu, desanimada, que as pontas dos dedos dela deslizaram facilmente
nos furos, confirmando a afirmao dele.

"Voc estava tendo espasmos causados pelo que Knight disse ser seu 'estado
transitivo', e parece que voc no aprendeu a propria fora ainda."

"Que mais ele te contou?" ela no falou o resto '--e que voc ainda no
me contou.'

Mas ele entendeu mesmo assim "Bem, at agora, voc estava num estado em
que no escutaria nada nem ninguem" quando ela no mordeu a isca, ele
continuou. "Do que ele se lembra que a dra. Natalie observou em sua
pesquisa, novos vampiros so um tipo de combinao de larva-pupa durante
os primeiros dias. Seu corpo est se refazendo ao novo paradigma:
rejeitando substancias qumicas desnecessrias ao seu metabolismo, e
fabricando novas substancias. E est usando vrios nutrientes do seu
prprio sangue, gastando ele, e voc precisa de mais sangue para poder
suportar todo o processo. Infelizmente, sangue de vaca ou qualquer outro sangue
animal no possuem todos os fatores necessrios para que voc continue com
boa sade, assim seu corpo comear a se alimentar destes nutrientes para
ficar vivo---"

"---e o corpo metaboliza os msculos quando ele
no tem mais gordura utilizvel. Ento, quando eu alcancei o ponto crtico,
eu tive espasmos neuromusculares."

"Algo assim."

"Ento, onde voc conseguiu o sangue humano?" ela perguntou, nao tendo
muita certeza de que queria saber.

Mulder j esperava que o trem de pensamentos os levaria para este
ponto quando ele comeou a falar, e sabia que omitir informaes
fundamentais causaria problemas mais tarde, mas ele nao sabia como
ela iria reagir para a verdade nua e crua. Ento,ele experimentou
fazer uma variao da verdade. "Eu trouxe um quartilho esta manh--"
//Quase doze, na verdade// "-- no caso de voc ter problemas hoje. Voc
bebeu um pouco quando estava no meio do ataque. Isso deve te suprir
por mais alguns dias. Assim que a metamorfose for concluda, a necessidade
vai reduzir para um ponto mais manejvel, a menos que voc fique ferida,
como voc estava hoje, e nesse caso, voc vai precisar de mais. Knight
sugeriu que voc levasse consigo uma pequena garrafa cheia de sangue,
como uma garrafa de conhaque, para quando voc  sentir desejo."

"Eu poderia deixar um recipiente na geladeira do laboratrio, com uma
etiqueta que vai garantir que ninguem meta a mo." ela franziu os
lbios. "Algo como 'herpes aliengena'."

"Melhor ter cuidado" ele advertiu, com um sorriso pequeno. "Voc
est comeando a se parecer comigo."

Scully rodou os olhos.  "Deus me livre."

* * * * * * * * * * * *

Filadlfia--11:21 DA NOITE

"Estou saindo para jantar. Algum quer vir?" Mildred afofava os
cachos no reflexo do espelho da sala de estar.

"Onde?" veio a voz de Ann Marie, de um armrio do quarto,
de onde estava procurando entre as roupas dela algo satisfatrio para
usar. Ela saiu para ouvir a resposta e ver qual era a inteno de Mildred.

"Ah, por a" a antes acrobata de circo respondeu, enquanto passava batom.
"Talvez a rea dos bares. No tentei nada neste bairro h algum tempo."

"Tudo bem, mas nada de clubes de dana; a msica me d dor de cabea."
Sua carreira mortal - ou a tentativa de uma - foi de uma cantora de banda
em 1934, e ela tinha uma nostalgia pela atmosfera mais quieta desses
estabelecimentos antigos.

"Claro, mas vamos sacudir as pernas, ok? Estou morrendo de fome" ela deu um
olhar para a figura que estava no sof, de roupao de banho, com um laptop.
"E voc, Sal? Quer ir tambm?"

"Nao, obrigada. Tenho alguns novos investimentos para o Sr. Soares,
e que preciso estudar, antes que a bolsa abra na segunda-feira."
ela pegou uma coleo de disquetes, procurando um arquivo especifico.

Mildred soltou uma respiro que era mais um bufo enojado
que que um suspiro. "Sabe de uma coisa? Nao me lembro da ultima vez que
voc saiu para se divertir."

"Vinte e dois de agosto do ano passado. Ns fomos ver *Tosca*.

"Voc sabe o que eu quero dizer" Mildred virou para ficar de frente
para a mulher mais nova, o tom acusador. "Voc ficou muito preguiosa
para caar, ou  s porque no quer ficar junto de *ns*?"

Um silncio ameaador encheu o quarto, e o olhar de Ann Marie mudou
de uma vampira para a outra. Desde que ela tinha se juntado ao grupo,
ela percebeu logo a tenso entre suas duas 'irmas', e se sentia meio
presa no meio delas. Sally nunca teve uma personalidade forte, e sempre
preferia o lado de Soares, nao importava a razo, ou se era capricho. Como
fmea primognita ela conseguia fazer com que sua influencia sobre elas
fosse mais forte.  Esta era uma constante irritao de Mildred, que
achava que pelo motivo de Soares ter trazido ela, era ela que devia
ser a segunda no comando. A hostilidade entre as duas cresceu depois
que Soares decidiu trazer uma quarta mulher para o grupo, e Ann Maria
tinha certeza de que as emoes ficariam descontroladas assim que a
mulher do FBI chegasse.

Houve uma pausa de cinco segundos antes de Sally erguer a cabea
para encontrar o claro de Mildred, como se ela tivesse se lembrado de
falar. O sorriso que ela deu para a vampira mais jovem era calmo e
condescendente, sutil, assim como a resposta dela. "Ora, Mildred, voc sabe 
que eu nunca pude ter a sua queda pela... aventura. Exceto em aprender
a trabalhar neste jogo de equipamentos" ela acenou para o computador,
modem, telefone, e CD player portti" acho que deixei o mundo moderno, 
desejos e sensibilidade passarem por mim. Porm, se eu no concentrasse
minhas pobres habilidades de contabilidade, voc no poderia comprar aquele
casaco de corpo inteiro, feito  de pele de raposa do Artico, em
Nova Iorque. Eu sei que voc ficou de olho nele na ltima primavera."

Anne Marie entrou no quarto que dividia com Sally - no porque ela gostava
da muilher, mais do que de Mildred, mas a anci era mais quieta, e suas
coisas eram bem menos do que as de Mildred. Ela falou para Sally sobre
o casaco, pouco sabendo que Sally usaria isso para uma cenoura para guiar
a ex-artista de trapzio.

Demorou um momento para Mildred perceber que sua boca estava aberta, e ento,
surpresa, ela fechou rapidamente. //Aquela velha porca nao poderia saber sobre
o casaco, a menos que... Ann Marie, aquela vagabunda...// Tentando parecer
casual, ela falou, "Casaco? Ah, acho que posso ter visto ele sim, e que seria
muito bom usa-lo no inverno. Byron sempre disse que eu fico bem de branco.
Mas, se for muito caro, acho que uma imitao vai ter o mesmo efeito."

Ela estava mentindo descaradamente, e ficou preocupada se nao conseguisse
enganar a vampira mais velha. Na verdade, ela s faltou babar pela vitrine
na noite em que ela e Ann Marie viram a roupa na loja. Foi bem dificil para
ela nao entrar e roubar aquilo na mesma hora.

Ela nao estava com medo da policia, claro, mas de Soares. Roubar para um
cliente era permitido; mas para si mesmo, haveria castigo. Uma exposio a
luz solar j tinha sido o suficiente para Ann Marie, mas duas vezes, nem pensar.
Soares sempre lhes davam mesadas adequadas para suas necessidades pessoais,
mas os gostos de Mildred eram mais refinados e mais caros do que o oramento
que ela tinha. Ela estava economizando para poder comprar o casaco,e saber
que Sallly sabia de sua inteno a colocou numa posio perigosa.

"Vocs duas esto dando... duro este ano" Sally continou, decidindo dizer
que elas estavam sendo boas meninas. Tenho cereza de que posso persuadir o
sr. Soares a cobrir o custo restante como seu presente de natal. Que tal?"
Sally sabia que ela nao poderia esconder a compra de Mildred, pelo menos
no de uma roupa to cara, e um presente do exterior era um pedido impossvel.
A oferta era um claro suborno, expressado em condies bem suaves, 
s para Sally manter a ganancia de Mildred sob controle.

Mas Mildred nao era idiota. Ela viveu isso quando mortal, e seus oitenta
e quatro anos de experiencia como vampira lhe diziam que ela estava sendo
conduzida pelo nariz. Mas o desejo pelo casaco ganhou o orgulho e ela
engoliu enquanto perguntava. "Voc acha isso? Era bem caro." a falsa
doura na voz era quase bvia.

Sally sabia quanto custava o casaco; ela ligou para a loja no dia seguinte
em que Ann Marie deu com a lingua nos dentes. "S me diga quanto
voc enconomizou em setembro. Tenho certeza de que ele vai cobrir
o resto. Agora, se me derem licena..." ela voltou para a tarefa dela, 
mandando Mildred embora como se tivesse dito isso com todas as letras.

Mildred encarou o cabelo castanho, desejando ter algo grande e pesado
para bater no cranio debaixo daquele cabelo. //No// ela pensou
melhor, tremendo de raiva, os olhos verde-ouro. //A dor dela e meu
prazer terminariam rapidamente, e ento eu teria que me reportar 
*ele*// Forando a falar, ela desabafou a raiva no nico membro do 
trio com que ela podia retaliar. "Ann Marie, voc j est pronta?"

"Estou indo!" a vampira mais jovem, vestida como punk/grunge, estava com
uma lista no cabelo louro claro, na cor laranja. Ela escutou a conversa
toda dentro do armario, trocando de roupa, se preparando para a lingua
cida de Mildred, e seu humor sujo quando elas estivessem fora dali.

Sally no prestou atenao em nenhuma delas, colocando um CD no discman, e
colocando os fones, enquanto as duas saam pela porta. Ela se apoiou
nas almofadas, fechous os olhos, pronta para ser levada por Mozert, quando
ela ouviu um languido rosnar familiar. "... aquela cadela pretensiosa."

Ela abriu um olho, e deu um sorriso meio de lado, revelando um olhar
azul-esverdeado, e caninos para quem estava falando, mas estava ausente.
Satisfeita com isso, ela se envolveu num dos nicos luxos a que se
permitia: msica.

* * * * * * * * * * * *

Aerorpoto Internacional de Dulles--17 de junho; 12:00 DA MANH

Mulder encontrou Nick e Natalie na rea da bagagem, 
e eles ficaram conversando de maneira vaga at chegarem ao carro dele. A caminho
do apartamento de Scully, ele falou sobre o progresso dela desde o ultimo
relatorio que fez para os visitante. Ele tinha ficado com ela at o amanhacer,
tendo certeza que ela nao cederia ante o desejo de sair, e ento parou
no fim da tarde para falar o que tinha feito, e ter certeza de que ela
tinha bastante comida, e muito trabalho das coisas que ele trouxe do laboratorio.
Quando ele saiu para pega-los, ela parecia mais interessada em terminar o
relatorio do que falar sobre a sua propria condio, ento ele achava
que ela estava aprendendo a aceitar seu estado.

"A menos que ela encontrou uma nova maneira para nao lidar com isso"
Natalie falou. "Ns tivemos um caso onde uma mulher criou uma identidade
separada para seu ego vampiro, e conseguia agir como ser humano quando sua
personalidade original estava controlada."

"Mas ela provavelmente estava convencida da propria situao, no ?
No  este o caso de Scully, ela pode fincar os dentes na explicao
mais racional para qualquer fenomeno que acontecer, mas a evidencia
fisica neste caso  dificil de ignorar, pois ela est experimentando tudo
de primeira mo, e depois que ela est convencida de alguma coisa, no 
provavelmente que ela desista disso s porque  conveniente.  Mas as dvidas
podero ser esclarecidas depois que as amostras puderem ser analisadas."

"Bem, no sei quantas informaes novas ns poderemos pegar, j
que ela comeou a beber sangue humano" a legista o lembrou.

Ele pegou o aborrecimento moderado na voz dela, mas nao se ofendeu.
"Eu coletei sangue logo depois disso ter acontecido, e ela tira
amostras periodicas dela, e ensacando o resduo que parece estar 
segregando da pele dela. Voc pode fazer seus proprios testes
quando v-la."

"'Resduos?'" as visitas de Toronto falaram ao mesmo tempo. Natalia
olhou para a direao de Nick e perguntou. "Voc lembra de ter tido
algum resduo?"

Nick negou. "Mas no passado no tinhamos como lavar roupas todos
os dias, e uma pessoa aprendia a ignorar certos odores nas roupas diarias
de uma pessoa. Banho frequente nao era uma necessidade social at depois do
sculo 16."

"Ento, quando foi que voc...?" Mulder perguntou, olhando pelo
retrovisor para ver a reao do detetive. Quando Nick hesitou, o instinto
humano muito forte para poder falar sinceramente para estranhos,
Mulder quis saber se ele tinha excedido a educao no que diz respeito
 vampiros.

Porm, a colega mortal de Knight resolveu o problema respondendo,
"Comeo do sculo 13. Certo, Nick?" ela nao olhou de volta
para ver se ele acenou com a cabea, mas voltou a se concentrar em
Scully. "Ser interessante ver se aconteceu alguma mudana no
residuo quando ela mudou de sangue animal para sangue humano."

Ela continou fazendo perguntas durante quase toda a viagem, pedindo a
opiniao de Nick em algumas coisas, e fazendo anotaes o tempo todo.
Reservas precisavam ser feitas num hotel, e depois que eles se registraram,
as unicas coisas que eles levaram para o apartamento de Scully eram o
isopor, e a pequena bolsa preta de Natalie.
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Fim de Paradigma 04


PARADIGMA SHIFT 
Captulo 5

Um crossover de X-Files/Forever Knight
por Linda Stoops e Andrea Brown

ANNAPOLIS--2:10 DA MANH 

 entrada principal, Nick enrugou o nariz dele em desgosto e tossiu
para clarear a garganta do cheiro ofensivo que estava enchendo o 
corredor. Ele reconheceu o cheiro, e cobriu a boca para se proteger
um pouco.

Natalie identificou isso tambm, e olhou para Mulder, preocupada.
"Espero que o ar dentro da casa dela esteja mais limpo."

"Deve estar, embora... quem estaria cozinhando, s duas da manh,
usando tanto alho?" Quando Mulder andou mais pelo corredor, ele
percebeu de onde estava vindo o cheiro, ele quase derrubou a porta, tentando
entrar.

Para seu imenso alivio, Scully estava sentada, quietinha, 
embora toda encolhida, no sof dela, o aparelho de som dela tocando 
uma produo do Fantasma de Londres, bem alto.  Quando as imagens
de encontra-la morta, num sufocamento auto-induzido, sumiram, ele
tentou soar tranquilo, e perguntou. "Ei, Scully, qual o problema com 
o alho?"

Ela curvou os ombros mais ainda, e resmungou.  "Queria sair... precisava
sair... nao ousei... ento eu borrifei isso nas portas e janelas."

//Se forando a ficar doente, eu aposto// Nick pensou, o corao se torcendo
em condolencia enquanto ele se afastava da porta para o ar mais limpo no meio
da sala. Ele notou a xicara vazia no fim da mesa, uma mancha vermelha na beirada,
e ele sabia que nao era batom, e um pulverizador de plantas por perto.
//Ela provavelmente misturou alho e gua. S o suficiente para mante-la 
distancia. Pobre criana...//

Ele se aproximou do sof, e quando chegou na parte de trs, os olhos dela
foram de encontro aos dele, as ris amarelas com dor. Ela abriu a boca o
suficiente para emitir um resmungo baixo. Ela ficou tensa e mostrou os
dentes. Nick arqueou a sobrancelha  a esta exibio territorial de um
vampiro para outro, e quis saber se ela estava defendendo a casa dela, ou
a provisao de sangue dela. //E que proviso?// ele somou, lanando um
olhar para o isopor e para sua parceira, Nat.

Mulder percebeu os olhares, mas nao falou nada. "Bem... voc se
lembra da dra. Lambert e do detetive Knight."

"Pode me chamar de Natalie" a patologista ofereceu a mao,
dando um sorriso luminoso de proposito. Ela viu a reao de Scully
para Nick, e concluiu que distrair a agente com cortesia mortal poderia
trazer o lado humano dela de volta.

Scully piscou para a loira alta, reconhecendo comida imediatamente,
e entao empurrou a fome para dentro de si, e disse, "Dana" enquanto ela
apertava a mao de Natalie.

Knight seguiu a sugesto da mdica. "Nick, por favor" e ficou
encorajado quando Scully nao recusou a palma estendida dele. Quando eles
apertaram a mao, o olhar dela voltou para um envergonhado azul enquanto
ele observava tudo, e ele podia ver pelo fraco sorriso dela que os
dentes dela tinham sumido.

"Ento, pelo que ouvi, voc pegou muitas amostras" Natalie
fala, abrindo a bolsa dela, tirando o estetoscpio, outro equipamento,
seringas,  e alguns frascos. "Eu trouxe uma cpia de minhas anotaes
para voc ler, e entao podemos levar tudo isso para um laboratorio... e, bem,
veremos o que vamos fazer a partir da. Mas antes, eu gostaria de fazer
um exame rpido em voc, a menos que voc tenha feito um nas ltimas
seis horas."

"Eu verifiquei meus sinais vitais perto das oito, quando acordei,
e vou fazer outro exame antes do amanhecer." Scully aceitou a pasta grossa
de papis e comeou a ler enquanto se submetia a um exame de sua colega
canadense. Se achando desnecessrios, Nick e Mulder levaram o isopor 
para a cozinha, e colocaram tudo na geladeira."

"Ela vai ter que manter algumas coisas aqui para manter a ilusao de
que ela come alguma coisa" Nock falou para Mulder, depois de ter
tido a experiencia pessoal de escutar algumas coisas com a 
super audio de vampiro.

"O que voc tem na sua geladeira?"

O vampiro encolheu os ombros.  "No muito, alm das garrafas, mas eu no moro
num prdio de apartamentos, e uma geladeira vazia nao surpreende ninguem
dentro de um apartamento de um cara solteiro."

Mulder acenou com a cabea. "Camuflagem cultural, duplo padrao, e tudo mais" 
com o isopor vazio, ele fechou a tampa e colocou a caixa no chao. "Notei
que o sangue humano que voce trouxe est contaminado. Ento,  verdade,
que voc  imune a bacterias e virus."

"At agora, mas nao seria pego de surpresa se estas idas para
florestas tropicais e desenvolvimento de novos genes poderiam 
produzir algo que me fizessem mal."

"Deve ser mais fcil para voc pegar os restos dos bancos de
sangue, ao invs de ter que esperar pela data de vencimento do sangue.
Vou ter que arrumar vrias fontes. Nao quero chamar a ateno pegando
muito de um mesmo lugar, ou como diria, pegar muitos ovos da mesma cesta."

Nick sorriu ao clich de Mulder, e a sapiencia sobre sobrevivencia do
homem mais jovem //Qualquer um pensaria que era *ele* o vampiro, vendo
a maneira como ele aceitava a realidade da situao, e a necessidade para
sem preparar.// Quando eles voltaram para a sala de estar,
Knight anunciou. "Meu... mentor--" ele ignorou o olhar revelado que
Natalie deu pra ele. "--me deu um endereo na internet onde os vampiros
podem conseguir sangue. Tenho permissao para usar as senhas dele
para entrar mas ela vai ter que criar uma propria conta. Um dos 
beneficios da era do computador."

"Meio perigoso, voc nao acha? Alguns 'surfistas'  com um fetiche para
contos de Anne Rice poderiam entrar no chat procurando outros fs e
descobrirem a coisa real" Scully comentou enquanto Natalie terminava de
desenhar o sangue.

" por isso que nao est nos sites de busca, onde qualquer um pensaria que
deveria estar. Vou te mostrar assim que voc estiver on-line."

Em alguns minutos, Scully ligou o computador dela e entrou na internet,
dando o teclado para Nick. Eles olharam para longe da tela, s porque
ele pediu para ele nao verem a senha dele, e s olhando quando ele
falou. "Ok, entramos."

O texto no monitor parecia inofensivo, a menos que alguem soubesse para
o que estava procurando. O "HSS"--"Servio de Proviso de Sangue", que Nick 
traduziu, conectava o 'cliente' para qualquer fonte disponivel do produto
na rea deles, e todas as transaes poderiam ser feitas pela pgina ou direto
entre o cliente e a companhia. Com Nick ao seu lado, Scully respondeu as perguntas
necessrias e estava registrada como uma cliente na HSS. Depois da liberao,
ela recebeu a mensagem de que uma lista codificada seria enviada para o
email dela, onde ela poderia decifrar tudo com contras senhas que lhe seriam
dadas, e de l ela poderia escolher como obter o material para ela. Era um
negocio educado e muito profissional, e a 'voz' do outro lado era
extramente paciente com o novo scio. Parecia muito formal para
o fim que era.

"Voc poderia at pensar que ela est comprando vacas tailandesas ou
charutos cubanos" Mulder comentou enquanto ia para trs dela. Desaviada,
ela franziu o nariz e ergueu a sobrancelha quando um cheiro estranho
de repente ficou forte demais.

"Sim, bem, sangue  mais que comida para ns" Nick falou, olhando
para Scully, para confirmao, e nao tendo resposta. //Ela ainda nao aceitou
isso. Mas eu nao podia culpa-la. Se ela nao saiu l fora, as limitaes, e
o sangue,  tudo que ela sabe.//

"Isso  um tipo de euforia quimica, assim como os ingredientes
ativos do chocolate,ou tem alguma essencia psiquica que  levada pelo
sangue?" Mulder aventurou.

O detetive e a legista trocaram olhares assombrados, e Natalie
estava a ponto de responder quando Scully interrompeu com um "Ele
sempre diz esse tipo de coisa estranha o tempo todo. Eu j me acostumei
a isso" ela cheirou o ar e observou. "Algum est cheirando algo estranho?"

"Alm do alho?" Natalie respondeu, enrugando o nariz.  "No".

Mulder encolheu os ombros e tremeu a cabea, e Nick perguntou. "Voc
poderia descrever? Estou conseguindo cheirar muitas coisas, mesmo com
o alho ao redor."

"Um tipo de tempero, o mesmo que voc coloca em massas. 
Acho que ... molho de nozes. Tenho certeza que ." ela se virou numa
tentativa para mirar o cheiro e acabou com o rosto na fivela do cinto
de Mulder, que saiu de lado para lhe dar acesso. Ela ficou de p, e
ento parou. Indo e voltando vrias vezes, para seu parceiro, ela
estava claramente confusa. "Parece engraado, mas acho que me lembro deste
cheiro. Eu estava dormindo, no meio de algum pesadelo, onde estava amarrada
a uma chapa de metal quente, e entao eu cheirei isso, e entao eu bebi...
leite quente de um copo que apareceu na minha frente... e que parou minha
dor e o sonho terminou. Voc foi para alguma padaria ultimamente, Mulder?"

"Nao que me lembre" ele olhou para ela, e depois para os outros dois, confuso,
o cabelo na nuca dele comeando a ficar arrepiado  medida em que ela
se aproximava. A menos que fosse necessario, ele manteve Scully  distancia
de um brao, desde que ela acordou, e mesmo assim ele nao tinha
certeza se ele poderia afasta-la se ela se aproximasse dele sem avisar.
Ele achou que viu um brilho amarelo na ris dela, e enrijeceu, instintivamente.
"Por que?"

"Porque parece estar vindo de voc ". Ela inalou, olhos fechados, e ento
focalizou no brao esquerdo dele quanto os abriu de novo. "Na verdade..."
antes que ele pudesse se afastar, ela agarrou-lhe o pulso e puxou a manga
pra cima, arrebetando um botao no processo, e revelando o curativo no antebrao
dele. 

A respirao dela ficou forte, angustiada, enquanto ela tentava conectar
as lembranas do pesadelo de sbado para a realidade em suas maos.
Mulder ficou perfeitamente parado, um rato dentro das garras de um gato.

"Dana, era a nica maneira---" Nick arrombou.

"*Calado!*" ela ordenou num meio-resmungo, ento virou um bravo mas
amedrontado olhar para o parceiro dela, e perguntou, num rouco
sussurro. "Eu fiz isso?"

"No, eu fiz ".

"Mas *por que*?!"

A voz de Mulder tremeu  o suficiente para ela ouvir a resposta dele.
"Eu nao podia te deixar morrer, Scully."

Ela o encarou com uma expresso com olhos arregalados, congelada com medo,
culpa, horror e gratidao, e durante cinco segundos, s ficou encarando Mulder,
nao respondendo a confissao que ele fez. Ela mudou o olhar dela para o
brao dele, e quando ela tentou se lembrar das outras sensaoes em seu
sonho, em deles se levantou, e venceu o resto.

Fome.

Nao pelo simples sangue animal, ou velho sangue humano mas para o sangue fresco
e quente, e para o recipiente vivo que estava cantando suas emooes e 
pensamentos. Ela fechou os olhos com prazer quando o doce tempero do mortal
de p diante dela a inundou, e respirou fundo, sorrindo, esquecendo-se
dos outros na sala, imaginando a felicidade que ambos sentiriam 
quando ela mergulhasse os dentes no pescoo dele, e tomasse o sangue que
ela precisava para se curar, e faze-los um. Ela o traria para a escuridao
com ela, e eles viveriam para sempre. Ele entenderia, quando acordasse,
o motivo dela ter feito o que ela tinha que fazer...

"Dana? Voc est bem?" Nick indagou, o longo silencio dela o deixando
nervoso.

//Rival.// Ela se lembrou da presena dele, e quando a voz dele a trouxe
de volta, e ela viu os olhos mbar fixos nela, Scully sentiu uma ameaa
para sua presa, e mostrou os dentes para Nick, apertando o brao do humano
como se o puxando para ela.

"*Meu*," ela assobiou.

Tempo congelou no apartamento, e Natalie murmurou, "Oh, Deus, Nick..." 
ofegando, e o proprio Knight parou, com medo de que este confronto fosse
um golpe para a sanidade desta iniciante, e que o resultado seria uma
besta delirante na forma de uma mulher, e que seria fatal para
Mulder.

O alvo desta briga estava tentando nao lutar contra seu capturador,
e provocar um ataque, mas mesmo assim ele conseguiu dizer trs palavras
"Scully, no faa..."

Um claro gneo se fechou novamente sobre ele, e ele nao podia mais ver 
nenhum trao de sua parceira na criatura que o estudava agora. Ela
rosnou fundo, no comeo. Ele tentou nao olhar, procurar ajuda, mas se
encontrou encantado pelos olhos brialhtens e sentiu-se derreter debaixo do
foco deles.

"Scully?" ele implorou, a voz dele quase inaudvel.

Algo chamejou na face do demnio, ento uma ondulao maior seguiu duas
respiraoes, e ento passou por todo corpo dela. Sem piscar, Mulder
viu reconhecimento no semblante ainda vampiro dela, e a briga para
se controlar. Soltando o brao dele como se queimasse, ela deu um passo
pra trs, dando um olhar desesperado para Nick e Natalie, e ento correu
para a porta da frente.

S para encontrar Knight em seu caminho. Ele percebeu pelo
olhar dela que ela estava com vergonha, e necessitada, e procuraria
a liberdade e o anonimato da noite, e ele sabia o que aconteceria assim
que ela chegasse ao ar livre.  

Scully tentou se desviar dele, mas ele a agarrou pelos braos, e a
prendeu contra a parede. Se torcendo de maneira selvagem, ela mostrou
os dentes e uivou pra ele. Ele evitou e ignorou os pontaps que ela
apontou contra as canelas e joelhos dele, e rugiu na face dela, os
proprios olhos dele brilhando num amarelo-laranja. Quando isso parecia
intimida-la, ele voltou para uma forma mais humana de comunicao.
"Se voc quiser viver, criana, voc vai fazer o que eu disser. 
*Entendeu*?"

Nenhuma resposta, mas ela parou de resistir e o encarou.

Ele continuou, a voz gasta, mas ligeiramente tranquila. "Eu posso te
ajudar, mas voc tem que confiar em mim. Nao posso te ensinar como
sobreviver, se voc ainda se nega a reconhecer o que voc " por um
momento, ele imaginou LaCroix rindo ao uso destas palavras que um dia
o vampiro mais velho usou para ele h muito tempo atrs."

"O que pode saber?!?" ela estalou num tom gutural. "Voc nao sabe nada sobre mim,
ou sobre o que penso!"

"Eu conheo o seu tipo. Voc ignora o que est na sua frente s porque isso
nao entra na caixa estreita da ciencia, e fica arrumando desculpas
para o que voc nao consegue ignorar. Este jogo mental nos manteve seguros
por muito tempo, mas  uma experiencia solitaria, e  um plano solitario quando
voc se fecha em seu proprio mundo." ele falou num tom menos ameaador para
continuar a discusso, e tentou um local. "Onde  o seu quarto?" o olhar dela
foi naquela direo, instintivamente, mas quando ela comeou a se recusar
a falar, ele a puxou para longe da parede, e foi para o quarto, explicando,
enquanto ela fincava os ps no chao. "Precisamos de um lugar quieto, longe
deste fedor."

Ela cedeu ao ouvir isso e seguiu alguns passos, mas parou na sala de estar, perguntando
para a figura alta, que tinha parado onde ela o deixou. "Mulder,  porque voc
nao deixou acontecer?"

O alvo da pergunta dela no reagiu, mas Natalie estremeceu ao som dessas palavras,
que cortavam o corao, e foi para o parceiro mortal, enquanto Nick e Scully
sumiam no quarto. //Bem, isso at que nao foi ruim//

Ela colocou a mao sobre o brao dele, e sentiu os musculos ficando tensos,
como se esperando outro golpe. //Ele ouviu aquilo...// "Mulder,  Natalie.
Acho que seria melhor se voc se sentasse. Voc nao parece muito firme de p."

Ele parecia balanar um pouco, ento falou numa voz seca, 
tentanto rir, e dizendo, "Nao brinca." Caindo sobre o sof, ele
enterrou a cabea entre as maos.

Ela assistiu os ombros dele caindo e subindo numa srie de respiraes
foradas e trmulas, e ela concluiu que isso estava vindo do choque. 
Decidindo que um pouco de ch quente ajudaria, ela foi para a cozinha.
//Nao temos tempo para um ch feito da maneira correta, ento, saquinhos
direto na gua quente tero que servir// Enquanto o ch macerava, ela
voltou para a sala de estar, para fazer companhia ao americano abalado, 
sentando na poltrona. //Ele pode nao querer falar, mas ele precisa saber
que alguem est aqui. Enfrentei um vampiro subnutrido antes, mas
Nick nao era iniciante, e ele tinha bastante controle para se lembrar de
que era eu. Ela ainda est andando na corda bamba, e do que ouvi e vi,
se ela cair, tenho medo de que ele vai cair com ela, com ou sem seu 
consentimento.// "Como voc est se sentindo agora?" ela perguntou suavemente.

Ele no respondeu imediatamente, mas um suspiro pesado a advertiu antes 
que ele pudesse falar de novo. "Como se acabasse de sair de uma jaula,
antes de ser comido pelo leo." outra pausa. "Ela teria me matado, nao ?"

"Talvez, ou te transformasse. Felizmente, ainda havia muito da Dana humana
l dentro, e que respondeu a voc, e se controlou a tempo."

"Mas e da prxima vez, quando o vampiro assumir, e Knight nao estiver aqui?" ele
olhou pra ela, o olhar ofuscado comeando a enfraquecer. "O que vai acontecer?"

"Eu acho... que este  um dos piores momentos. Se ela conseguiu se retirar,
mesmo estando to faminta quanto estava, ento ainda h uma boa chance que ela
se controle assim que estiver estabilizada."

"Parece que voc j esteve nesta situao antes."

"J sim. Mas no... deu certo."

Ele ouviu a auto-recriminao na voz dela, e insistiu. "Alguem que
voc conhecia?"

Agora foi a vez dela hesitar, mas ela forou-se a responder, para ser
honesta. "Meu irmao, Richard. Ele era um advogado. Eu implorei para que
Nick o salvasse depois que ele levou um tiro durante uma situao de refm.
Mas ele... nao conseguiu controlar a necessidade para matar, e Nick teve que...
para-lo."

"Eu sinto muito ".

"Obrigada" Natalie suspirou, e ento voltou para o assunto atual. "E quanto
 sua parceira, a restrio da dieta inicial dela foi um erro, e isso  culpa
minha. Ela vai precisar de sangue humano por enquanto, at que a metamorfose
dela seja completada, e ento ela pode voltar para sangue animal. Depois disso,
vamos ver se a dieta que eu criei para Nick vai dar certo com ela."

Ele acenou com a cabea, enquanto ela ficava de p para pegar ch,
e ento ele colocou a cabea entre as maos. Quando ela voltou, e colocou
o ch na mesa de centro em frente a ele, ela nao se afastou, mas sentou-se
ao lado dele. "Eu sei como isso deve ser dificil" ela comeou. "Ver alguem que
voc conhece mudar to drasticamente, e voce querer ajudar mas nao sabe nem por
onde ou como comear."

"Yeah, no existe grupo de apoio para este tipo de coisa" ele bufou, mas suas
emoes desmentiam o humor. Ele ergueu a cabea, mais sbrio, e havia lgrimas na
voz, se nao nos olhos. "Eu nao sei mais o que fazer. Cada vez que eu acho que 
estavamos controlando isso, algo de errado acontece, e eu nao tenho nenhuma
pista de como achar o desgraado que fez isso... 'trouxe' ela?" a cabea de Natalie
subiu e desceu, confirmando. "Yeah. Eu nao tenho como descobri-lo, e nem como
provar que ele  o mesmo cara que estamos procurando. Scully nao pode
voltar ao trabalho enquanto estiver aprendendo a lidar com... *isso*, e nosso
chefe est ficando suspeito." ele respirou, longo, lento. "Preciso dela, doc.
Ela ... minha parceira."

Natalie ouviu o significado debaixo da hesitao dele, e lhe deu um sorriso
simpatico junto com o leve aperto tranquilizador da mao dela sobre o joelho
dele. //Ela  mais do que isso, meu amigo, a meno que voc tenha uma definio
diferente para parceira neste momento. Ele est tanto com medo de estar com ela
assim do que estar sem ela, e eu conheo muito bem esta sensao//.

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Fim da parte 5 de Paradigma Shift


PARADIGMA SHIFT

Captulo 6

Um crossover X-Files/Forever Kniht
por Linda Stoops e Andrea Brown

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Enquanto isso, Scully se livrou do aperto de Nick enquanto ele
fechava a porta do quarto. "Ok, ns estamos aqui" ela briga, virando
pra ele, as mos atrs dela, ombros tensos, de costas para a parede. 
"O cheiro no melhorou, mas voc queria privacidade. Ento, 
Obi-wan, que grandes verdades voc tem para me revelar?"

Knight no respirou fundo para se controlar, pois o cheiro do alho
ainda era muito forte para inalar sem querer vomitar, e foi direto
pra ofensiva. "Voc alega que no nega no que se tornou. Bem, ento,
Scully, o que voc ?"

Ela mexeu os ombros, sentindo um impulso para dizer o bvio, como
"agente do FBI", mas seus anos com Mulder afiaram sua habilidade para
devolver na mesma moeda, e ento ela desafiou tambm. "Um vampiro."

" isso que voc  pra voc mesma? Um vampiro?"

Isso a faz erguer a sobrancelha, o tom de voz mudando para sarcasmo
cheio de tdio, como se ela estivesse respondendo uma prova oral.
"Um bebedor noturno de sangue, um cadver ressuscitado, um monstro
do folclore europeu... isto  suficiente, senhor?"

"Suficiente, mas muito errado se voc espera sobreviver. Sim, ns
somos seres da noite, ns bebemos sangue, assim como os mortais
comem carne animal. No, no somos cadveres ressuscitados. Ns somos
levados quase at a morte, mas no passamos disso. E folclore  opinio
publica, e no verdade." //O que eu sinto sobre mim mesmo  por causa
do que eu passei quando me transformei. Isso no deve influenciar
o que ela vir a ser.//

"Ento, voc est dizendo que o que Soares fez comigo no foi o ato
de um monstro?"

"No. Mas sim, o que ele fez, te atacando e forando a troca de
sangue em voc foi uma coisa terrvel. Se sua vontade para viver no
fosse to forte, voc no teria sobrevivido.  Mas somos pessoas 
cautelosas, e no recrutamos todo mortal que cruza o nosso caminho. Soares
tinha suas razes para te escolher, e se seu parceiro no tivesse 
aparecido na hora certa, voc no estaria aqui falando comigo. "

Ele deixou ela pensar nisso por um momento, e ento somou. "Nossa 
natureza, nossa necessidade para beber sangue, nos faz predadores, mas
nem todos os predadores so monstros."

"Diga isso pra sua presa."

" quase isso, mas pense bem: como representantes da lei, ns no
caamos pessoas que so ameaas para a sociedade? Para eles, ns somos
predadores, privando-os de sua maneira de viver.  o inocente que
devemos deixar sozinhos. Eu no pego um inocente de propsito  h dcadas,
e os enganos que fiz, eu paguei. //Mesmo assim...// Mas muitos de ns
ainda pensam que todo mortal  comida, e para alguns, um tipo de
brinquedo. H outros, assim como eu, que no pegam os vivos. Quando 
chegar a hora, voc vai ter que decidir se voc  ou no um monstro."

"Isso pode parecer bom agora, mas duvido que eu estava pensando claramente
h alguns minutos. Tudo que eu queria era... //rasgar a garganta dele
e beber at seu corao parar e faze-lo desfrutar de todos os segundos
deste ato...// matar minha sede."

"Eu sei.  Eu ainda tenho esses desejos, a necessidade para caar, escoar 
algum, seca-lo. Certos coraes, certos cheiros de sangue so difceis
de se resistir. Para os que resistem,  uma luta diria."

"Como um hbito.  Maravilhoso," ela murmurou, sentando na cama com um
pulo visvel. "Acho que no tem nenhum programa de doze passos?"

Nick quase sorriu  imagem, contudo lhe respondeu seriamente.  "No que
eu saiba, mas..." uma idia apareceu na mente dele enquanto eles estavam
indo para o quarto, mas o resultado dependeria da fora de vontade, 
e cooperao. //Do que eu vi, ela tem fora de vontade suficiente. Todo
 vampiro recm-nascido que eu encontrei no hesitaria em escoar um mortal 
a seu alcance. Quanto  cooperao...// "Pode haver uma outra maneira
para controlar sua sede: outra troca de sangue."

"Com voc?" ele viu a imediata rejeio nos olhos dela  idia
de passar de novo pela experincia, mas ela lhe deu uma chance 
para explicar ao dizer um enojado "Por que?"

"Algo da alma do vampiro... sua essncia, natureza, qualquer termo
cientifico que voc queira usar... passa para o mortal durante o ato,
na troca de sangue. Desperta a natureza mais escura do mortal,
e quando menos controle o fabricante tem sobre suas prprias necessidade,s
mais pronunciada  a escurido. Se Soares  o tipo de vampiro que eu
penso que ele , no me espanta que voc est tendo problemas."

"Ento, voc est dizendo que sua... 'essencia', poderia anular a dele?"
ela lhe deu sua carranca 'eu-no-tenho-certeza-sobre-isso-Mulder' habitual.

"No. Voc j mudou demais. Mas, uma das propriedade de sangue de
vampiro  a cura rpida, especialmente de vampiro para vampiro, e estou
esperando que meu sangue possa ajudar a curar seu desequilbrio. Entre
isso e seu natural autocontrole, voc deve poder se controlar melhor."

"Mas isso no vai invalidar a pesquisa se no contaminarmos ainda
mais---" o prprio suspiro afiado dela a cortou, e ela fechou os
olhos, se concentrando. Imagens e emoes que ela no reconhecia
passaram por sua mente, despertando a fome dela mais uma vez.

"Dana, o que foi?"

Alguns segundos depois, apenas se focalizando nos pensamentos 
estranhos, ela conseguiu identificar o invasor. "Mulder... eu-eu posso
senti-lo.... em minha mente... ele est me chamando..." a respirao
dela ficou irregular e forte, e ela fitou, olhos envidraados, para a
porta.

" o lao de sangue. Podemos sentir as emoes dos que pegamos o 
sangue, e se o contato for a longo prazo, podemos alcana-los a
longa distancia. Com alguns mortais, eles podem nos sentir tambm.
"*Dana *..." Ele falou mais vigorosamente quando ela no parecia estar
escutando. Ela olhou, aborrecida, e Nick continuou. "Se voc pode
senti-lo, ento a menos que voc queira que ele entre aqui oferecendo
a garganta dele pra voc, voc vai ter que fecha-lo."

Ela acenou com a cabea, e entendeu, franzindo a sobrancelha com o
esforo, e ambos podiam ouvir a conversa amortecida do outro lado da
porta. Natalie estava tentando convencer Mulder a no entrar no
quarto, lhe dizendo a mesma coisa que Nick tinha dito para Scully, e
da expresso cansada no rosto da mulher ruiva, no estava tendo
muito sucesso tambm. "Eu no posso... no est funcionando." 
ela confessou, arrancando o olhar para a entrada e virando-se para o
vampiro mais velho.

"Por que parece que eu no bebo o suficiente? J bebi duas xcaras
cheias desde que acordei hoje  noite, e uma delas era sangue...
humano, mas eu sinto como se no tivesse comido o dia todo."

"Transio, principalmente. Isso, e voc ainda  jovem, e tem o 
desejo para sair. O vampiro dentro de voc quer viver, caar, quer
comida." ele viu os olhos dela ficarem cheios de angustia, mas
sabia que a verdade crua seria melhor do que coberta de acar. Ela
no podia ser enganada. "E at que haja uma cura, isso  algo que
voc vai ter que se acostumar."

Eles se olharam por um longo momento, os olhos dela amarelos e
luminosos, com medo e fome; os dele, paciente, mas azuis. Scully
quebrou o silencio inclinando a cabea de lado, empurrando o cabelo para
trs do ombro e puxando a gola da camisa dizendo um spero "Faa logo."

Nick lutou contra um triste sorriso para a ideia de que ele a trataria
como Soares tinha feito. //Ah, no, #ma petite#, eu trago cura, no
violao.// Ficando ao lado dela, ele a pegou pelo antebrao
e corrigiu, suavemente. "No, Dana, no fazemos isso dessa maneira"
ele virou de lado, e sem aviso, mudou para vampiro e mordeu o pulso
dela. Ela clamou em dor, chocada, e lutou para se livrar, mas ele
a segurou com fora e bebeu do sangue dela.

Lembranas - dela e de seu fabricante - caram dentro de Nick,
e ele usou estas imagens como uma barreira entre Soares e ela.
//Como pisar entre eles, e mante-lo longe dela.// Ele nunca revogou
o que era de outro vampiro antes, mas ele sabia como fazer isso.
//Ele v as outras pessoas como ferramentas de como elas podem
servir s suas necessidades, e nenhuma delas  marcada como
'igual'. 

//Eu estava certo: se ele a tivesse levado com ele, o inferno que
ela j est passando no seria nada comparado ao que ele a sujeitaria,
e ela no se submeteria facilmente. Ou ele quebraria o esprito dela
completamente, ou seria forado a destru-la.//

Quando ele sentiu que tinha levado o bastante, Nick ergueu a boca
da carne plida e sangrenta, lambeu para acelerar o fechamento da
ferida, e ento ofereceu o prprio punho. "Sua vez." ela bocejou
pra ele, atordoada e enojada. "Tem que ser feito assim. Posso fazer
o corte pra voc, mas  importante que voc faa isso sozinha, para
voc ter certeza que est fazendo isso para se ajudar."

Scully engoliu, fez careta,e entao fechou os olhos, afundando os
dentes na pele debaixo da palma dele. Reflexo fez ela atrair o 
fluido para dentro da boca, e uma rpida seqncia de imagens 
entraram em sua mente.  Ela agarra o brao dele, atordoado, e precisando
se ancorar enquanto sua conscincia gira com trs historias diferentes,
e apenas uma delas sendo reconhecida.

Enquanto ela assistia as imagens, a mais nova das outras duas comearam
a enfraquecer e sumir, perdendo sua conexo enquanto a mais
velha delas reforava seus laos. //Deve ser Nick. No sinto... ameaa,
ou restrio. Mais um contato do que compulso.// A necessidade para
sangue ainda estava l, mas parecia distante, no urgente e dominante.
Ela podia sentir um pouco de Mulder pela mar que a cercava, e isso 
enfraquecia ainda mais enquanto ela estava isso.

//<Certo, Dana, isso  o bastante>// a voz de Nick entrou em sua
mente.

Fascinada com as sensaes, ela se afastou, relutante, sentindo os
laos enfraquecendo. Nick afastou o brao do aperto dela, limpou os
furos, e a deitou na cama. Ela piscou pra ele, pupilas largas, como
os de uma coruja. "Descanse um pouco at sua cabea ficar mais
clara. Estarei de volta em um minuto." enquanto ficava de p,
ele sentiu o quarto girando, mas j estava melhor quando abriu a porta.

Os outros dois estavam na sala: Mulder sentado na mesa, ombros e
rosto enterrados nas mos dele, e Natalie atrs da cadeira dele,
pairando como um anjo da guarda sem pacincia. "O que vocs estavam
fazendo la dentro?" ela estalou quando Nick foi para a cozinha.
"Ele estava a ponto de rasgar a porta fora do batente para chegar
at ela. Se demorasse mais um pouco, eu teria que bater na cabea
dele."

"Foi uma reao do lao de sangue. Quando passamos por necessidade,
podemos chamar um mortal que j nos---" o olhar que ele deu pra
Mulder era um pouco culpa e desculpa. "alimentamos antes. Ela no
fez isso de propsito, mas ela no conseguia desligar o lao.
Precisou de uma troca de sangue para parar a chamada. Eu sinto
muito, Nat. Eu sei que isso no vai ajudar a pesquisa em nada..."

"Mas voc no teve escolha ". A mulher loira suspirou, cruzando os
braos e afundando os ombros em concesso para a necessidade sobre
o querer. "Eu s queria que no estivssemos aprendendo tanto
sobre a iniciao dela s custas do agente Mulder."

"E eu tambm" Mulder ergueu a cabea enquanto o par se virava
para ele, parecendo mais cansado do que estava h quinze minutos.
"J se sentiu como se algum o tivesse agarrado pelos tornozelos,
e tentasse brincar como aquele osso do peito de galinha, e fazer
um desejo?" ele no esperou muito para uma resposta, e mudou de
assunto. "Como ela est, detetive?"

"Um pouco desorientada, mas acho que ela vai melhorar assim que
se alimentar de novo." ele abriu a geladeira e pegou dois sacos
cheios com o sangue, que eles tinham trazido. Esvaziando o contedo
em dois copos grandes, e colocando-os para esquentar no microondas,
ele colocou uma parte em outro copo e bebeu frio mesmo, enquanto 
esperava o forno completar seu ciclo.

Mulder observou toda a rotina como se estivesse vendo aquilo pela
primeira vez, ao invs de participante direto, e estremeceu ao
ver a normalidade do ato. Ento a memria de ser visto como uma
dessas bolsas por sua prpria parceira apareceu em sua mente,
fazendo-o tremer. 

Uma mo descansou sobre o ombro dele, e apertou de leve, e ele
se virou para olhar para Natalie, que tinha um sorriso compreensivo
no rosto, e um olhar preocupado, e ele respondeu respirando fundo, e
dando um sorriso fraco enquanto dava uns tapinhas nos dedos dela.

Nick viu isso do canto do olho, e engoliu uma puno involuntria de
cime enquanto tomava outro gole de seu sangue frio. Natalie era uma
mulher adulta, ele se lembrou, e livre para escolher qualquer tipo
de relao com um homem mortal.  Ele no podia dar-lhe a intimidade
fsica que ele sentia que ela merecia para fazer a conexo deles
completa, e aquela barreira sempre foi fonte de tensao entre eles.

Se os agentes fosse mais do que simples colegas de
trabalho, o estado de Scully os teria colocado numa relao 
semelhante, e Mulder teria que procurar uma amante em outro lugar.
A presena de Natalie era uma oportunidade perfeita para o homem
mais jovem.

O apito do microondas o trouxe de volta ao presente, e ele removeu
um copo, testando a temperatura. Deixando o outro dentro, para ficar
quente, ele pegou o outro copo e saiu da cozinha, inconsciente ao olhar
que Natalie lhe deu. Ele porm, ouviu quando ela falou, "No sei quanto
a voc, as este cheiro est comeando a me deixar doente. Onde sua
parceira guarda o material de limpeza?" 

Mulder franziu a sobrancelha, e entao, encolheu os ombros. //Solteiros//
ela bufou, conferindo no local mais provvel - debaixo do armrio
da pia. "Ah-*hah!*" Como ela tinha previsto, e deduzido da natureza
arrumada do apartamento, havia um pequeno arsenal de material de 
limpeza numa caixa de plstico, perto de um balde. Tirando as luvas
de borracha, e enchendo o balde com gua quente, ela disse,
"Mulder, se voc estiver disposto, pode me ajudar com isso?"

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Uma agora-humana Scully, recuperada o suficiente para se sentar
contra  a cabeceira da cama, olhou para Nick que estava sorrindo, 
enquanto ele voltava no quarto. "O que est acontecendo?" ela
perguntou, pegando o copo. O cheiro no era de sangue velho, e era
humano, e o estomago dela deu uma cambalhota de antecipao, e ela
bebeu um tero dele.

"Nat est para descobrir se Mulder sabe limpar janelas" Nick explicou,
sentindo-se um pouco mais  vontade sobre deixa-los  sos.
//Se houvesse alguma possibilidade de alguma coisa acontecer entre eles
dois, ela no o estaria recrutando para limpar suco de alho das paredes
de outra mulher//

"Bem, eu sei que ele sabe digitar" ela riu, tomando outro grande gole.
O gosto parecia menos artificial do que sangue humano velho, e tinha
um sabor mais doce do que de vaca. Uma realizao sbita de que ela
estava fazendo comparaes de sangue como um especialista em vinhos
a fez sentir um pouco de nusea, e ela colocou o copo de repente no
criado mudo.

"Alguma coisa errada?"

"Eu... eu s achei que estava gostando disso um pouco demais"
ela confessou, as mos juntas no colo numa tentativa para se
impedir de pegar o copo de novo, depois que o mal estar passasse.

"Voc tem que se lembrar, para ns isso  como..."

Ela o cortou com uma mo elevada.  "...mais do que comida. Eu entendo.
Mas, um vampiro  mais do que isso, no ? Sim, ns somos mais fortes,
nossos sentidos so mais aguados, e temos uma expectativa de vida
muito maior do que as pessoas normais, mas isso vale o preo de uma
dieta de sangue, escondendo no escuro e ficando doente por causa de
uma planta? Por acaso o fascnio de ser um vampiro  apenas uma
fachada?"

"A fantasia  sempre mais atraente do que a realidade, e lembre-se, 
para a maioria ns somos apenas uma fantasia. Porem, tem muito mais
de vampirismo do que voc possa ter experimentado. Eu s quero ter
certeza de que voc est pronta para isso. Iniciantes podem ser
levados facilmente por seus novos sentidos e poderes. Tradicionalmente,
um vampiro novo fica atado ao seu mestre, que os inicia na comunidade,
e ensina como usar suas novas habilidades. Soares quebrou uma de nossas
regras cardeais quando ele te deixou, porque um vampiro sem treino
no s  um perigo para ele mesmo, mas tambm para o resto de ns,
podendo revelar nossas existncia para os mortais."

"E quais so as regras cardeais?"

"Vou explicar quando comearmos nosso treino. Primeiro, uma coisa:
vou abrir uma janela para deixar um pouco de ar fresco entrar, e
te dar uma chance para voc se acostumar."

"Com o que?"

"Com a noite. A nica coisa que  mais intoxicante que o sangue,
acredite em mim. Voc vai se acostumar a ela, mas  muito fcil ser
dominado pela noite no comeo." ele foi para o banheiro, para
pegar toalhas e no tocar nas fitas com o suco de alho, mas ela
o levou para o armario onde estavam os lenis arruinados. Ele
rasgou um para cobrir as mos, e ela o ajudou tirando as cortinas
e fitas. Quando terminaram, ele a avisou para procurar uma cadeira em
algum lugar, e respirar to lentamente e fraco quanto possvel.
Assim que ela estava preparada, ele abriu um pouco a janela.

Som encheu o quarto, e sacudiu a cabea dela. At mesmo s quase
trs e meia da manh, haviam carros andando nas ruas, dzias de
grilos chamando provveis companheiros, um gato que s ela escutou.
Scully vacilou ao monte de sons, cobrindo as orelhas quando um
veiculo de emergncia passou, cantando a sirene. 

Quando o som ficou tolervel, uma brisa entrou pela abertura, e
ela foi assaltada por uma nova gama de cheiros que sufocaram seu
apartamento: o cheiro da folhagem verde do vero, flores, lixo deixado
para ser recolhido, lixo industrial, e o cheiro lnguido do mar.
Ela tossiu, tentando respirar ligeiro.

" por isso que no inalamos, a menos que precisemos." Nick falou.
"Agora, a melhor maneira para controlar a sobrecarga  escolher
um cheiro ou som e se focalizar nisso. Assim que voc fechar fora
o resto, faa com que o cheiro que voc focalizou fique cada vez
mais fraco." ela fez uma carranca incrdula, mas ele insistiu.
"Voc aprendeu a ignorar a batida do corao de Mulder, assim como
sua respirao depois de algum tempo, certo? Voc pode definir o 
cheiro do sangue dele de todos os outros dentro do apartamento, 
no ? Ento, voc pode fazer isso."

"Certo, eu vou tentar". Ela fechou os olhos e tentou cheirar, tirando
as distraes de sua mente. Identificar o alho a fez querer vomitar, 
e ela teve que comear de novo, empurrando o cheiro do alho de
lado para poder chegar aos outros. //Comida velha...cruzes...cheiro
de ervas... flores e sabo... o banheiro... rosas do jardim da sra;
Castorini do outro lado da rua...cheiro de nozes, Mulder... tem um cheiro
citrico, lnguido, misturado com sangue humano que no est vindo do
meu copo.  do seu copo?"

" de Natalie. Mortais tem seu prprio... perfume, como posso dizer...
precisa de um pouco de pratica para poder localizar um cheiro no
meio de outros.  o que usamos para localiza-los quando eles esto
fora do alcance dos nossos outros sentidos."

A lembrana dura da razo para as habilidades novas dela foi 
entendida pelo vampiro mais jovem,  mas ela pensou em coisas mais
positivas. "Bem, eu sempre posso pedir transferncia para o imposto
de renda." ela brincou. A expresso duvidosa de Nick aplacou a tentativa
de humor, e ela encolheu os ombros. "Eu tenho que achar um uso para isso
em algum lugar."

"Isso  verdade. Outra coisa sobre as regras cardeais: os mortais
que sabem sobre ns. Se outros do nosso tipo souberem sobre seu
parceiro, eles vo mata-lo sem hesitao. Ento, desde o momento
que voc o despertou para esta vida, voc se tornou responsvel por
ele."

Scully bufou e cruzou os braos. "Tenho feito isso desde que nos
encontramos. Minha tarefa original era observar e fazer relatrios
do trabalho de campo dele, e de seus achados, como um programa
oculto para acabar com o trabalho dele e com os Arquivos X. Tempo
e experincia mudou minhas prioridade at ao ponto em que eles
no me consideraram confivel. Agora sou um tipo de para-choque
entre ele e o resto das pessoas. Acredite em mim, detetive, depois
das pessoas  e coisas - e eu quero dizer coisas mesmo - que ns encontramos
nos ltimos trs anos, vampiros podem no ser de todo to ruim assim."

"Para o bem de vocs, espero que sim. Voc  nova na comunidade, e 
estando debaixo da minha tutela, no vai ficar mais fcil voc se
entrosar com os outros, pois eu sou considerado um tipo de apstata
por querer ser curado. E quanto a Mulder, voc o marcou, quero dizer,
tomou o sangue dele, no importa como foi feito, ento isso vai dar
alguma proteo pra ele. Uma vez levado, o sangue e vida dele so
suas para segurar ou fazer o que quiser, e s cortesia entre os 
membros da nossa comunidade  que o manter seguro."

"Natalie ... 'marcada' tambm?"

"No, mas ela est debaixo de minha proteo mesmo assim" Scully notou
a luz do olhar de Nick na direo da sala de estar, e sua expresso saudosa
revelou muito sobre a relao de Knight com Lambert. Ele voltou
depressa ao assunto, e disse, "Agora, vamos focalizar."

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PARADIGMA SHIFT
Captulo 7

Um crossover de X Files / Forever Knight
por Linda Stoops e Andrea Brown

Demorou um pouco, mas assim que ela teve controle de audio
e olfato, o que ele testou fazendo ela tentar isolar sons
e cheiros particulares, ele falou que ela estava pronta para
uma viagem ao lado de fora. "Se for demais para voc, ou se voc
sentir a sede vindo de novo, me fale; tenho um frasco para emergncias.
Podemos ir voando, ento voc vai precisar usar roupas escuras..."

"'Voando'?" Scully quase gritou, olhos largos e a boca aberta.

Nick sorriu ao ver a reao dela, lembrando-se de uma memria feliz
sobre o primeiro vo de Erica. "Yep. Voando. Voc no tem medo
de altura, tem?"

"No, no.  Mas ns...? voc sabe..."

"O que?" o sorriso crescia cada vez mais caoador, quando ele
percebeu o que ela estava provavelmente pensando, e decidiu deixar
ela se torcer um pouco.

"Voc sabe..." 

Ele continuou sorrindo e no dizendo nada, provocando a pergunta que ela
suspeitava agora era uma pergunta estpida. "Ns..." ela estremeceu,
e ento se rendeu, desistindo de toda pretenso de dignidade, e
revelou, "Ns temos que nos transformar em morcegos para voar?"

"O que? Deus, no!" ele respondeu, fingindo indignao, lutando
contra uma risada quando viu que ela tinha mordido a isca. "Onde voc
teve essa idia?" 

Scully franziu os lbios e curvou a sobrancelha de cobre de uma
maneira que ele sempre considerava ser uma  verso adulta de
uma lngua mostrada por uma criana, o que ele considerava uma
das caractersticas mais amveis de Natalie. "Desculpe" ele falou,
em reflexo, a voz desmentindo a sinceridade. "Era uma oportunidade
boa demais pra deixar passar."

Ela relaxou os lbios, dando um meio sorriso, enquanto perguntava.
"Certo, ento o que mais est errado sobre os vampiros? Balas
prateadas, cruzes, gua benta, chamar animais, hipnotizar pessoas,
gua corrente, ter que ser convidado pra entrar, mais alguma coisa?"

"Tudo  mentira, exceto smbolos sagrados e hipnotismos. No
tenho certeza de como uma pessoa pode explicar isso cientificamente,
mas  assim que as coisas so. Porem, alguns mortais so altamente
resistentes e hipnotiza-los  um pouco mais difcil."

"Isso faz sentido. Ns tivemos um caso onde a voz de um homem gerava
uma freqncia particular que afetava o comportamento do ouvinte,
permitindo este homem controlar quem ele mirava. Tive que distrai-lo
para quebrar o controle dele sobre Mulder. Agora, quando aos
smbolos sagrados, tenho que discordar de voc, caso contrario---"
ela colocou a mo debaixo da gola da blusa, e tirou o colar dela,
mostrando a cruz, que balanava. "---eu no poderia usar isso."

Nick piscou, surpreso, para o pequeno objeto de ouro, seus 
pensamentos girando de maneira selvagem. "Mas... ele chegou mais
perto, e tentou tocar, mas se afastou quando sentiu as pontas dos
dedos esquentando, avisando-o de sua proximidade. "Isso era pra
ser impossvel, mas voc... desde quando voc soube?"

"Desde a noite de... sbado" ela colocou a cruz de volta no lugar.
"No seu caso, pode ser simples averso psicolgica. Voc era um
cristo?"

"Sim, eu...lutei durante as Cruzadas. Mas objetos de outras crenas
causam a mesma reao em mim e nos outros. Mesmo meu mestre, que
era pago no Imprio Romano, no pode ficar perto de uma cruz."
ele encarou o  local onde a cruz estava, assombrado e frustrado,
seu rosto trocando de expresso, finalmente cedendo para resignao
e perda. //E eu nem mesmo tenho mais a rea de exlio. Pelo menos,
se eu fosse maldito, eu estaria com o resto dos outros como eu...//

Scully viu o olhar ferido nos olhos azuis de Nick, e por um momento
teve que pensar muito na coisa certa a dizer. Quando ela
conseguiu, ela falou com muito cuidado. "Nick, no sei se isso pode
ajudar, mas eu sempre tirei conforto e estabilidade da minha f,
e talvez seja por isso que---" ela gesticulou para o pendente "---
isso no pode me machucar. E por este mesmo smbolo, toda a morte
e dor que aconteceu durante as Cruzadas, em seu nome, e sobre o
que isso representou, pode estar se manifestando em voc cada vez
que voc v e toca uma cruz."

"Voc quer dizer que isso tudo est na minha cabea? Achei que
era porque nos tnhamos nossa prpria verso da vida eterna, e como
tal no precisaramos da salvao prometida pela cruz."

Ela deu de ombros. "Respostas psicossomticas para estmulos podem 
ter extremos resultados.  Mdicos na ndia e Sudeste da sia documentaram
testes feitos enquanto pessoas estavam num estado de alto xtase religioso, e
que seriam extremamente dolorosos para outras pessoas. No Cristianismo,
certas pessoas experimentam estigmas depois de alcanarem um
estado auto-hipnotico. Eles meditam na imagem do sacrifcio de
Cristo e as feridas delas refletem as feridas do prprio Cristo.
Suas recordaes daquele tempo deixaram suas marcas em voc atravs
deste smbolo."

"Mas e sobre os outros smbolos? E todos os vampiros que no tiveram
as mesmas experincias que eu tive?"

"Provavelmente relacionados a um condicionamento social.  O folclore sobre
vampiros coloca todos eles fora da sociedade humana, e sujeitos aos
meios que os humanos usam como talism de proteo. Todos os smbolos
cristo causam uma reao em voc e a qualquer outro vampiro que
viveram numa poca crist. Vampiros no-cristaos como seu mestre podem
ter transferido seus medo de um talism velho para um novo." ela
se lembrou da conversa deles. "Voc disse isso antes, 'folclore  mito,
no verdade'." ela parou para deixa-lo entender, e ento somou suavemente.
"Acho que ns dois temos que decidir se somos ou no somos monstros."

Nick suspirou, reconhecendo a fraca tentativa de manter seus sentimentos
escondidos. "Acho que voc decidiu que no voc no  um monstro."

Ela tremeu a cabea. "Vi muitos monstros na historia, e na minha
prpria vida que usam o status quo e o medo das pessoas para
alcanarem suas prprias necessidades, certos de que esto fazendo
a coisa certa. Nenhuma cruz iria intimida-los."

"E eu tambm, mas...  diferente conosco" ele mudou de assunto
rapidamente. "Vou l fora enquanto voc troca de roupa." ele fechou
a janela enquanto ela saa da cama e fechava a porta, procurando
uma roupa adequada dentro do armrio.

"Ela vai sair daqui a um minuto" Nick falou aos dois mortais que,
terminando de limpar tudo, tinham ido para a sala de estar, onde
Natalie estava explicando sua pesquisa para Mulder. O agente parecia
um pouco menos desfigurado que antes, e estava tentando entender o que
ela dizia.

Minutos depois, o ltimo membro do quarteto entrou, vestida em cala
jeans preta, e uma camisa azul marinho, de moletom, os cabelos 
presos num rabo de cavalo. Enquanto Scully colocava o distintivo
e um pouco de dinheiro em sua pochete, ela falou, "Achei que
seria melhor levarmos as amostras e anotaes dela para o laboratrio,
e comearmos a trabalhar imediatamente, voando ou no."

" '*Voando*'"? a reao de Mulder era mais controlada que a dela,
mas no menos surpresa.

"Mas  claro" ela falou, num tom praticado, desfrutando a oportunidade
rara de pegar seu parceiro de surpresa. Sob circunstancias normais,
ela no teria se importado com a declarao de Kniht, mas o
conceito dela sobre 'normal' tinha mudado nos ltimos dias,
sofrendo alteraes radicais. "Foi por isso que troquei de roupa.
Assim est bom, Nick?"

O detetive acenou coma  cabea. "No tenho certeza de como  feito
cientificamente, mas  uma mistura de levitar e planar. Podemos sentir
correntes de vento e podemos monta-las, ou nos forar a variar
a velocidade quando no existe vento."

"Parece um campo anti-gravitacional auto-gerado, pra mim." Mulder
especulou. Quando os canadenses lhe deram um estranho olhar, ele
continuou. "Bem, voc est falando sobre uma forma de vida que 
capaz de manipulao fisiolgica e teleptica, ento, psicosinese
no deve levar muito esforo. Nosso governo, assim como a
antiga Unio Sovitica, tem tentando encontrar essas habilidade pelos
ltimos quarenta anos. Voc pode imaginar se um organismo pode
morar dentro do corpo humano, e fazer isso?"

"Voc quer dizer como algum tipo de parasita simbitico, do tipo 
de trmitas que quebram dentro da madeira, para que o inseto possa digeri-la?"
Scully ofereceu, pensando sobre as particularidades desta teoria. A idia
de tal catalisado era meio forado, mas ela tinha visto coisas bem estranhas
vindo de Mulder.

Ele deu de ombros. "Admito que no  to romntico quanto as lendas
sobre possesso de espritos maus, mas tem seu prprio charme."

Para ter certeza de que a fome no aparecesse to cedo, Scully
se forou a terminar o pacote que Nick tinha preparado para ela
enquanto ela e os outros empacotavam as coisas no isopor. Natalie
pegou a bolsa dela, e Mulder levou a caixa, enquanto Nick ficava ao
lado de Scully, pronto para agarra-la no caso dela perder o 
controle, e eles saram do apartamento.

Scully manteve a respirao leve e sem freqncia, a audio focalizada
na batida do corao de Mulder - escutar Mulder a lembrava do que 
aconteceu h meia hora - e ela andou com cuidado pela porta da frente.
Muitas sensaes a chamaram ao mesmo tempo, mas ela resistiu ao
impulso de correr para elas. Cada um de seus movimentos eram deliberado,
e controlado, e quando ela cruzou o limiar, ela agarrou o brao de
Nick, se enrolando ao redor do cotovelo dele. //Aqui vamos ns...//

Ela tinha experimentado a viso noturna, mas a gama de cores
no apartamento dela parecia nada comparado com o espectro que a
assaltou nos degraus. As arvores tinham mais sombras azuis e
verdes que ela pensou que existia, e o concreto brilhava, frio e
cinzento, aos ps deles enquanto iam para a calada. Ela manteve as
costas para os prdios, indo para o poste mais prximo na rua, onde a
luz no era muito forte.

Nick devia estar com a viso noturna tambm, pois ele a levou
para um local onde a folhagem bloqueava a maior parte da luz.

"Assim  melhor?" ele perguntou, divertido pelo brilho na expresso de
Scully //Como uma criana na primeira viagem dela para o Centro de Cincias
de Ontrio// ele pensou, se lembrando da prpria visita dele ao 
museu interativo.

"Oh, sim..." ela respirou, olhos de ouro, arregalados, e olhando tudo,
como um turista, para pegar toda imagem com este novo sentido. "No
 trmico... espectrometria?" ela olhou pra Nick, e viu as cores sobre
o peito e rosto dele. Ela piscou, assombrada, e ento olhou para
Natalie e Mulder, comparando.

A cor que saa deles era muito mais luminosa e variada.

// porque eles so humanos, e a taxa de metabolismo deles  mais rpida...//
ela olhou para prpria mo, notando a diferena entre a aura dela, a
de Nick, e a dos mortais. //Estou meio que no meio deles.. mudando, mas
ainda sou humana o suficiente...// e sentiu o primeiro formigamento de
esperana desde que ela percebeu a condio em que estava. //Eu =posso=
votlar se pudermos achar o organismo catalisado e desenvolver um antdoto
a tempo...// ela se distraiu por um momento e perdeu o controle mental
da proteo que mantinha as outras sensaes  distancia. De repente tudo
a inundou, e ela sentiu os joelhos ficando fracos.

Nick a pegou quando ela tropeou contra ele, e Scully sentiu as imagens
e palavras que no eram dela dentro de sua mente enquanto ele a
segurava, e pegava o queixo dela na mo. "Dana, olhe pra mim."

Ela gemeu, tremendo pra voz que gritava sobre o rugido 
ensurdecedor dentro de sua mente.

"Abra seus olhos, pequena, e olhe para mim," ele sussurrou desta
vez. //Droga, eu tinha medo disso... sobrecarga. E se ela no 
conseguir se livrar disso, ela nunca vai aprender a se controlar.
S espero que meu sangue dentro dela seja conexo suficiente
para dar-lhe fora de vontade para se sustentar...//

Para sua surpresa, ela ficou rgida de repente e assobiou entre dentes.
"Saia de dentro da minha cabea, Nick" seguido pela imagem e som
de uma porta sendo fechada na cara dele." ele ergueu as sobrancelhas,
surpreso, e soltou-a. Scully se recuperou e ficou de p, mas no o
soltou, usando a presena dele como uma ancora enquanto ela tentava
focalizar seus pontos. A batida do corao de Natalie continuava
se misturando com o resto, ento Scully se rendeu e procurou por Mulder.

A facilidade na qual ela achou e se fechou sobre isso lhe deu 
sensaes misturadas, ento ela escolheu se concentrar no jardim 
de flores da rua, ao invs do cheiro de sangue de seu parceiro. 
Assim que ela tinha conseguido se controlar, ela relaxou um pouco
e abriu os olhos, vendo a escurido normal. "Est tudo bem
agora, Nick. Obrigada. Eu acho... acho que posso ir sozinha daqui."

"Tem certeza?" Natalie perguntou enquanto ela e Mulder tinham se
aproximado durante a luta de Scully com seus sentidos de vampiro.

"Pra ser sincera, no, mas vou ter que aprender, no ?" ela dispensou
o gesto de preocupao da outra mulher enquanto ela saa dos braos
de Nick. "No  como se eu pudesse desligar tudo, como um interruptor,
ou dobrar a intensidade do volume. Mas  como... tentar ignorar uma
torneira pigando, ou encontrar alfinetes numa almofada. O crebro
tem que selecionar estas coisas conscientemente, e ento treinar para
ignora-los, certo?" a pergunta foi dirigida  Knight, que
concordou com um aceno enquanto ela olhava para Mulder. "Acho que deve
ser assim que os psquicos conseguem lidar com seu 'dom'."

O agente encolheu os ombros.  "Alguns sim, alguns no. Os textos srios
esto mais interessados em provar sua existncia do que no 
prximo passo, que  o desenvolvimento."

"Grande" // Aposto que voc est sentindo seis tipos diferentes de
alegria// ela pensou no seu parceiro. //Este  meu castigo por ser
a voz da razo por tanto tempo? Qual ser a prxima? Vamos descobrir
que este vrus vampiro foi trazido at aqui por antigos astronautas?
Que a cura pode ser achada em Atlntida?// "Certo" ela falou em
voz alta, empurrando a amarga atitude de lado e indo para perto de
Nick. "Voc acha que estou pronta para minha primeira lio de vo,
professor Knight?" 

"Claro" ele respondeu, ficando ao lado dela, ligeiramente atrs. "Coloque
seu brao ao redor da minha cintura, assim, pois  melhor para sentir
os ventos." assim que os dois estavam na posio, ele perguntou. 
"Pronta?"

"Quando voc quiseeeeeeerrrrrr...!" para seu prprio credito, Scully
soltou um pequeno ganido e o agarrou enquanto eles partiam para
o cu. Ela teve trs segundos para se acostumar com a sbita acelerao,
ento a ascenso deles parou de repente. Eles estavam alto o suficiente
para ela poder ver a manta de luzes  frente, de Annapolis. //Eu j
vi isso antes, mas de um avio.  diferente agora que estou sobre isso,
com nada entre o ar e eu.  quase como... no reino das fadas. //
to bonito...  assim l em Toronto?"

"Sim. Diferente, mas espetacular tambm. Aqui em cima, as cidades
parecem constelaes, e ns... acho que somos um tipo de astronauta."

Scully riu  comparao, considerando que eles estavam a pelo
menos quarenta ps sobre as arvores, sem apoio externo. //E sem
trajes ou cordas, ou mesmo uma nave me...// O ar estava limpo nesta
altura, e o cheiro do oceano era mais forte, persuadindo ela a ir para
o leste.

//Qual a velocidade que posso ir? O suficiente para cruzar o oceano
numa noite, navegando pelas estrelas? Que altura? Eu posso alcanar as
nuvens, ou temos um teto?// ela olhou para a rua, agora encolhida, e
perguntou. "Por que voc parou aqui?"

"Normalmente esta  a altura que a maioria de ns fica.  abaixo do 
nvel de trfego areo, mas d pra ver o chao, e outros animais voadores,
como corujas, morcegos e insetos. Se voc estiver em reas
assim, fique sobre as arvores. Na cidade, fique acima da iluminao
dos postes. A menos que seja uma emergncia, no voe at que esteja
totalmente escuro. Voc consegue ver Natalie ou Mulder?" 

Olhando para o local onde eles pularam, ela viu as fracas sombras, e
cores inscontantes, e duas pequenas figuras olhando pra eles. A figura
mais alta colocou as duas mos na boca, e eles ouviram a voz de Mulder,
"Acho que encontramos vocs no laboratrio!"

Nick acenou para sinalizar o acordo, ento eles comearam a planar
umas vinte e cinco milhas por hora. O choque de Scully por estar
no alto desapareceu nos primeiros quinze segundos, substitudo por
surpresa por eles estarem de fato em movimento. O caleidoscpio
em movimento a deixou enjoada, ento ela mudou a viso para mortal antes
da nusea atingi-la. //Observao numero um: viso noturna e alta
velocidade no vo no se misturam//

O contato fsico deixou um pouco da reao dela passar para Nick, 
e o detetive sorriu ao ver as descobertas de sua protegida, e sua
habilidade para se adaptar. //Acho que estou me saindo um professor
melhor do que LaCroix foi pra mim. Ele normalmente me deixava quebrar
a cara antes de dizer qualquer coisa, e at l uma vida humana estava
perdida. Ela teve um difcil comeo, mas ela aprende depressa. S
espero que ela nunca aprenda a matar// Se voc precisar encontrar
algo no escuro enquanto estiver voando, esquadrinhe pela sua viso
noturna do mesmo jeito que voc faz num carro. No tente olhar
tudo que passa; voc s vai ficar enjoada. Agora, qual o caminho
para Washington?" 

Ela inspecionou a rodovia e os sinais. "Vire  direita, e ento 
a sudoeste ao longo da rota 50. Isso vai nos levar para o
Triangulo Federal, que  onde est o Bureau."

"Entendido" ele acelerou um pouco, para depois dar voltar, e ganhar
um pouco mais de altitude quando eles chegaram em campo aberto.
"Certo. Acha que pode voar sozinha?"

"Parece um bom lugar. Pelo menos, se eu cair, s vou pousar numa
vaca, ao invs do telhado de algum. Bem, pelo menos vai dar um
relatrio policial bem interessante."

Nick deu um sorriso ao ver o sorriso forado dela. "Bem, voc 
bem otimista, no ? Tudo bem. Ento, primeira coisa: no vou te sotlar
at voc achar que pode voar sozinha. Pode parecer como se voc
estivesse num tnel de vento, e vai ser difcil no comeo, mas voc
vai aprender a sentir as correntes que lhe daro apoio e velocidade
que voc precisa, e mudar de brisa quando for necessrio. Voc
j voou em avies pequenos antes?"

"Sim, mas no como um piloto". Ela tentou imaginar como seria ler
ventos como os outros liam mapas, e ela afrouxou o aperto no brao dele,
sem perceber. Ela se sentia leve, mas algo dentro dela sabia que
seu atual vo era uma experincia diferente. "Como uma pessoa pode fazer
isso? Levitar, quero dizer. E no diga nada sobre 'pensamentos felizes'."

Ele bufou  referencia, e ento explicou o melhor que podia sobre
o que ele chamava de habilidade. Parecia vago para ela, mas assim
que ela traduziu isso em imagens que pudesse relacionar, fez algum 
sentido.Ela se lembrou da primeira vez que andou de bicicleta, 
depois que seu pai tirasse as rodinhas, se apoiando nele, o suficiente
para ficar na vertical, mas seu pai lhe dando a chance dela encontrar
o equilbrio e controle antes de solta-la.

Ela sentiu um formigamento, e se preparou. //Deve ser isso// ela pensou,
corando com antecipao quando uma forte brisa os empurrou pra baixo.
"Tudo bem. Acho que estou pronta."

Nick hesitou por alguns segundos, mas a soltou.

Quando ele a soltou de repente, quebrando a concentrao de Scully,
a gravidade a agarrou, e ela comeou a cair. Batendo os braos e
pernas, ela tentou se lembrar do que Nick disse //como andar de
bicicleta, como andar de bici---// e s conseguiu imaginar uma
vaca, e depois sobre dar de cara numa arvore. //Oh, droga...//

Knight a pegou antes que ela xingasse. Em troca, ela o agarrou pelo
pescoo e esperou, ofegando, enquanto eles pousavam. "Est tudo
bem, Dana. Eu te peguei. No vou te deixar cair... isso... est
tudo bem..."

Ela ofegou algumas vezes, e tremeu tambm. Quando ela estava
calma o suficiente para falar com coerncia, ela disse, a voz ainda
coxa. "Eu estou... sinto muito, eu deveria saber..."

"Est tudo bem. Eu deveria ter ensinado da voc do mesmo jeito que
eu aprendia. Achei que assim seria mais fcil pra voc. Voc
prefere fazer de outra maneira?"

"Acho melhor; vou ter que aprender mesmo. Eu tive uma rpida
sensao de como era, ento se eu puder me lembrar, eu devo ser
capaz de voar, certo?"

"Certo." ele pousou suavemente ao lado da estrada e pisou pra trs.
Ela respirou lentamente, e pensou numa imagem da infncia dela, na
bicicleta, e a sensao de vo que ela teve h um momento atrs.
Quando a segunda lembrana tomou conta dela, ela dobrou os joelhos
e saltou. Um riso surpreso e encantado escapou dos lbios dela
quando ela planou pelo ar da noite, e viu as nuvens que ameaavam
chuva no fim da tarde, querendo saber se o impulso a levaria alto o
suficiente para toca-las. A ascenso dela ficou mais lenta, e ela comeou
a se movimentar de lado quando um vento a pegou.

Nick se juntou a ela, ficando distante alguns metros. O brilho
de puro encanto no rosto de Scully mexeu com o corao dele,
fazendo ele sentir um calor que ele nunca achou que teria depois
da morte de Erica, e logo ele estava refletindo o sorriso de sua
mais jovem aluna. "Tendo pensamentos felizes?" ele perguntou, e
recebeu como resposta uma risada que mais parecia uma risadinha.
Ele riu enquanto pegava a mo dela, e a puxou para o oeste. "Venha, 
Sininho, vamos para l."

Scully riu silenciosamente e o seguiu.

At chegarem aos arredores da cidade, Scully tinha aprendido
a acelerar, pairar, pousar e ela s precisou ser salva duas vezes
depois que julgou mal a distancia e durao de uma brisa. J
que Washington foi construda sobre um pntano, no haviam
muitas estruturas altas, e nenhum arranha cu, ento ela no tinha
que se preocupar com ventos irregulares no centro da cidade.
Quando eles fizeram a volta da rodovia para a avenida Pennsylvania,
ela disse. "O Bureau est dentro do triangulo federal. Voc
sobre alguma coisa sobre arquitetura?"

"Um pouco."

Ela sorriu quando se sentiu uma guia numa excurso para visitar a cidade.
"Bem, no deve ser difcil de achar. Me disseram que  o prdio
publico mais feio nos Estados Unidos."

Quando eles chegaram mais perto do Triangulo, Nick teve que concordar.
"Ampliaria isso para o Hemisfrio Ocidental," ele somou. Ele a levou
para uma ruela isolada e eles pousaram ali. A caminho do prdio, ele
perguntou, "Voc e Mulder foram parceiros por quantos anos... trs?"
Ela acena com a cabea. "E ele sempre se interessou por assuntos...
incomuns? Eu quero dizer, do que ele nos contou sobre este caso,
no havia nada que pudesse sugerir a existncia de vampiros nestes
roubos e assassinatos. Nem mesmo a maneira como sangue foi tirado
levaria a esta suspeita. Ento, quando ele te achou naquele dia, qualquer
outro mortal pensaria que voc estava morta."

"Mas no Mulder," ela terminou para ele, a voz quieta e pensativa.

"Mas no Mulder.  Ele automaticamente aceitou a conversa entre Peyser
e eu como verdade, e ele sabia, ou pelo menos suspeitava, que ele
estava olhando para um vampiro. E agora, ele me surpreendeu, sendo
to inteligente, racional, e mesmo assim tendo esta fascinao pelo
extraordinrio. Ele sempre foi assim, ou o trabalho nos Arquivos X
o influenciou de alguma forma?"

Scully apertou as mos e respirou antes de dizer. " uma historia meio
longa, mas j que estamos nesta loucura..." enquanto eles cruzavam
a rua, ela falou. "Comeou com o rapto de Samantha, e foi levando a
lugares, eventos e pessoas que ele encontrou no meio de sua busca pessoal
pela verdade." Ela concluiu a historia na entrada da Dcima Avenida
que os levaria para o laboratorio forense, e percebeu que se as
posies estivem trocadas naquela quarta feira, ela teria feito 
o veredicto da morte de Mulder //e eu teria insistido em fazer uma
autopsia, e o mataria sem saber// Culpa inchou dentro da garganta
dela, e ela piscou os olhos.

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PARADIGMA SHIFT 08
por Linda Stoops e Andrea Brown

Captulo 8

Um crossover de X Files / Forever Kniht

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Nick, absorvido por seus prprios pensamentos, no percebeu a
tentativa de Scully de cobrir as emoes dela. Ele percebeu que
interpretou mal a conexo entre os dois agentes de profissional
para romntica. Mulder era um autodesignado irmo mais velho
para Scully, super protetor, substituindo, inconsciente, a que
ele perdeu. 

//Dana no  a inocente do que meu Fleur era, e o resgate veio
tarde demais para impedi-la de cruzar o limiar, mas Mulder e eu podemos
tentar impedi-la de cair mais na escurido.//

Eles pegaram o crach de visitantes que Mulder tinha separado para
Sbados, e foram para o andar do laboratrio onde Scully fazia a
maioria de seu trabalho. Nick a ajudou, e observou enquanto ela executava
a analise de tecido. Ela terminou os testes preliminares nas amostras
dele e estava comeando a ver as amostras dela quando Lambert e Mulder
entraram. 

Ela mostrou para Natalie o equipamento para fazer a qumica do sangue
e avaliao de DNA, e depois de uma breve orientao para os procedimentos
operacionais,  ela comeou a examinar o sangue tirado no local do ataque
 agente Scully. Os homens ajudaram no que puderam, observaram durante
algum tempo, e ento Mulder levou Nick para o escritrio dele,
para mostrar o arquivo dos roubos, e o que eles tinham sobre Soares
at o momento.

O detetive confirmou que o vampiro que eles estavam caando no era
conhecido por eles, mas que tinha uma pequena informao de LaCRoix
sobre o passado do homem, e sobre sua tendncia em roubar de museus
e vender para outros museus, desenvolvendo um padro em dcadas, 
comeando pelo Renascimento. Mesmo que isso no era algo que Mulder 
pudesse incluir em seu relatrio oficial, pelo menos lhe dava
outra idia do que ele estava procurando.

Eram quase 4h30 quando Nick falou. "O sol vai nascer, e Dana tem que
sair daqui. Alem disso, acho que todos ns temos que descansar um
pouco." ele notou, e sabia que Natalie tinha visto isso tambm, que o
parceiro de Scully estava nas ultimas de suas reservas, mas do que
Nick podia ver do homem mais jovem, Fox Mulder se foraria ao limite
at que o problema estivesse resolvido ou ele apagasse, apesar dos
conselhos dos que estavam ao redor dele.

As patologistas estavam limpando seus locais de trabalho quando
Nick e Mulder voltaram, e tiveram algumas noticias para dar. O
sangue de Scully estava ficando gradualmente parecido com o de Nick, mas
haviam algumas anomalias apresentadas na qumica do vampiro mais
velho, e que na mais jovem ainda no tinha se desenvolvido. " cedo
demais para saber se isso quer dizer alguma coisa" Natalie acautelou."
J que nunca presenciamos uma metamorfose como esta. Mas  provvel
que tenhamos mais informaes amanh  noite." ela se esticou, e tentou
no bocejar.

Scully parecia um pouco mais alerta enquanto ela empacotava as amostras
restantes na geladeira. Sabendo que os outros patologistas e tcnicos
no tocariam no trabalho de outro agente, ela etiquetou ta caixa
como uma evidencia normal e deixou isso na geladeira para amanha 
noite.

Antes das 4:45, eles tinham recolhido seus crachs e estavam se
aproximando do carro de Mulder. Quando o agente estava pronto para
abrir a porta do passageiro, Nick falou.. "Voc no precisa nos levar
para o hotel. Eu vim pra c voando, e Nat j voou comigo antes, 
ento, voc vai economizar uma carona."

"Sim, e eu posso ir pra minha casa... a menos que voc queira
que eu te leve?" Scully ofereceu, tendo o cuidado de manter a voz
neutra para que Mulder no suspeitasse que ela estava tentando fora-lo
a aceitar.

Ele piscou pra ela, pensou, e ento negou. "Obrigado, mas isso no te daria
tempo para voc chegar em casa. Eu vou ficar bem. Ento... ns nos encontramos
aqui s... o que... 9h30?" 

Scully o lembrou de que ela chegaria atrasada por causa do jantar
com sua me, mas que ela se juntaria a eles depois. Ele a lembrou
da reunio de 11h30 com Skinner, no Montrose Park, em Georgetown, e
todos concordaram que os canadenses trabalhariam durante uma hora
ou algo assim. Com isso decidido, Nick passou um brao ao redor da cintura
de Natalie e pulou pra cima. Os agentes observaram eles sumirem sobre
os prdios, e ento Mulder perguntou. "Ento, como  voar?"

Ela inspirou e soltou o ar num "whoof!" antes de responder.  "No
sei se posso descrever de maneira adequada.  alm das palavras. Posso
ver as correntes de vento... bem, 'sentir' seria mais preciso."
//Quando meu metabolismo se estabilizar, e eu no sentir a necessidade
para beber seu sangue cada vez que estou perto de voc, eu vou te 
levar para voar sobre a cidade// ela prometeu. Em voz alta, ela disse,
"A sensao  parecida com muitas outras, mas  muito mais do que qualquer
uma delas.  um sonho sobre voar se tornando realidade." 

Mulder acenou com a cabea. "Estou contente ao ver que voc 
encontrou um lado bom nisso tudo. No sei se poderia ter controlado
isso to bem quanto voc."

"Mas eu tive muita ajuda, e sei que vou precisar muito mais ainda at
encontrar uma cura." eles no falaram sobre a possibilidade de
fracasso, mas o silencio de poucos segundos foi o suficiente para mostrar
isso. Ela continuou. "Estava querendo te contar uma coisa h algum tempo,
mas outras coisas aconteceram e no tive oportunidade." ela suspirou.

"Quero me desculpar pelo meu comportamento nestes ltimos dias. 
Como voc disse na sexta, no foi fcil para voc tambm, e todas as
situaes inesperadas que tivemos foi mais devido  minha teimosia em
aceitar as coisas, o que fez as coisas ficarem mais difceis. Eu s...
eu s queria dizer o quanto eu aprecio o que voc por mim. Por
tudo."

Antes que ele pudesse reagir, ela se aproximou e o abraou pela cintura,
murmurando um 'obrigado' contra o peito dele enquanto o abraava.
Mulder hesitou por alguns segundos, ento devolveu o abrao, e sentiu
a maioria da tensao deixar os ombros dele. Ele no sabia se ela
estava fazendo alguma coisa atravs da conexo do sangue dele no
sistema dela, ou se o gesto muito humano estava lhe dando uma
esperana de que ela estava recuperando seu equilbrio e ficando
como era antes. Finalmente, ele deixou de analisar o ato e s deixou
acontecer, permitindo-se flutuar na calma durante um minuto antes de 
abrir a boca para responder.

Enquanto ele respirava, ela sentiu a emoo nele e interrompeu
"E se voc disse algo como ' para isso que servem os parceiros'
eu juro que te levo voando para cima do Potomac, e te jogo l
dentro do rio."

A resposta no demorou dois segundos. "Sabe, Scully, adoro quando
voc fica durona" ele ouviu um bufo amortecido, seguido por um aperto
nas costelas dele, e ento ela se afastou sem olhar pra ele. "Ei..."

"O que?" Ela pausou, mas no olhou pra ele. A voz quase impaciente
e nervosa seria  a dica suficiente para ele: a breve proximidade
despertou a fome, e ela sentiu o vampiro dentro dela subir. 
//S agora eu consegui com que voc confiasse em mim de novo...
e eu no quero acabar com este momento deixando voc me ver assim...//

"Te vejo hoje  noite". Ele sabia que ela precisou do contato fsico
tanto quanto ele, mas ela levou um risco muito grande para os dois
com o controle meio fraco dela. 

"Tudo bem" foi a resposta curta dela, o maximo que ela ousou falar
quando os caninos afetaram sua dico, mas ela conseguiu soar mais
tranqilidade do que antes. Somando um "dirija com cuidado" ela pulou
da calada e voou alem dos postes das ruas, indo para o norte quando
ela alcanou altitude suficiente. 

Mulder assistiu ela mudando a direo, respirou fundo, e ento
subiu no carro, aumentou o volume do radio o suficiente para mante-lo
acordado, mas no o suficiente para ser preso por perturbar a paz, e foi
para casa.

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Sede do FBI--17 de junho; 11:15 da noite

Mulder alcanou Scully no salo de entrada da Dcima Avenida. "Ento,
como foi o jantar?" ele perguntou, dando um passo pra trs quando
eles saram para a garagem.

"Oh, s *cheio* de surpresas". a voz dela estava carregada com 
sarcasmo cansado, mas ela no falou nada at chegarem no carro.
"Nick vai ficar interessado ao saber que meus vizinhos ouviram
nossa pequena 'discussao', mas chegaram ao consenso de que deviam
ser animais perdidos lutando nas latas de lixo."

"'Lixo'? Bem, isso sustenta a *minha* auto-estima". 

"Espere, fica melhor. Encontrei minha me na frente do restaurante,
e... bem, vamos dizer que foi uma boa idia ter levado uma garrafa
de 'sopa', e que o banheiro no estava longe da nossa mesa. 
Parania induzida pela televiso era uma coisa, mas acho que minha
me no teria me impedido de ataca-la se eu no tivesse levado comida
comigo." ela mostrou uma garrafa quase vazia.

"Presumi que ficaria bem - mas acho que foi a multido no
restaurante. Muitas batidas de coraes, muito sangue no lugar -
acho que foi isso. Bem, resumindo, ela me confrontou, mais tarde,
no estacionamento, e queria saber se eu estava fazendo alguma dieta
estranha. Praticamente me acusou de anorexia." ela viu a sobrancelha
que Mulder ergueu, perguntando o motivo da me dela ter dito isso
enquanto entraram no carro. "Eu coloquei pedaos do bife quase
cru que pedi dentro de um saco plstico na minha bolsa. Achei que
meu estomago no iria suportar aquele tipo de comida slida, ento 
eu fingi comer, e planejar jogar aquilo fora depois."

"Mas voc no a impediu de ver isso" ele falou, saindo com o carro.

"No. Tive que falar que estava com um problema de intestino,
no querendo que ela ficasse preocupada, mas acho que no a convenci."

Mulder no disse nada at que eles chegaram na rua, e entao se
aventurou. "Voc acha que vai ter que contar pra ela?"

"Espero que no. Vai depender de quanto tempo vai demorar para 
desenvolver uma cura, isso se existir uma."

"Dra. Lambert parece achar que sim, especialmente com todos os
nossos equipamentos de laboratrio  sua disposio. Nada como
um oramento federal para dar  cincia um aumento criativo."

"Isso  bom" ela comentou, sem entusiasmo, apoiando a cabea
contra a janela, encarando o transito.

O primeiro instinto de Mulder foi oferecer algumas palavras
de confiana, mas decidiu que, devido ao humor dela, Scully poderia
achar que ele estava exagerando. Porem, a meio caminho para o
destino deles, ele tirou a mo do volante, e deixou a mo
sobre o apoio entre os dois bancos.

Vrios minutos se  passaram antes que ela olhasse naquela
direo,  e meio minuto antes do significado ficar claro. Um
sorriso minsculo apareceu na boca dela, e ela bateu sobre a mo
dele ligeiramente. Mulder suspirou em alivio, mentalmente, e 
refletiu a expresso dela.

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Montrose Park, Georgetown,

Diretor Assistente Walter Skinner estava na entrada do parque,
vendo os agentes pararem o carro perto do dele, e sarem. Ele notou
que Scully parecia uma pouco mais plida que o normal, mas no parecia
estar doente.

"Pelo que vejo voc est se sentindo melhor, Agente Scully?"

"Sim, senhor." ela respondeu, de repente ansiosa sobre como explicar
sua situao atual. Ela tinha ensaiado mais de uma explicao,
mas quando confrontada com a ao, ela percebeu em como seria estranho
o relatrio que ela faria para o diretor, de acordo com as regras.
Uma semana atrs, ela nunca acreditaria nisso.

Ele acenou com a cabea, e ento foi direto ao ponto. "Agente
Mulder disse que voc queria uma reunio  noite, longe do
escritrio, porque voc tinha informaes sobre o caso Soares."

"Sim, senhor.  A informao  de natureza incomum, e meu envolvimento
neste caso ficou num patamar que eu acho vai mudar minha relao
diria com o Bureau."

"Voc est pedindo para ficar disfarada? Isso no podia esperar
at amanh de manh?"

"No, senhor, eu... " Ela hesitou, olhou brevemente para Mulder,
e ento decidiu mergulhar na explicao original que tinha pensado.
"Na ultima quarta-feira, enquanto estvamos na residncia do sr. Soares,
fui atacada pelo suspeito e exposta ao que acreditamos ser um organismo
que altera o DNA de seu novo anfitrio. Durante os ltimos dias,
isso mudou meu metabolismo de maneira radical."

"Fora fsica, e velocidade, aumentou num fato mnimo de cinco;
a viso noturna aumentou ao ponto onde eu posso ver o espectro
infra-vermelho, enquanto a luz ultravioleta no apenas  dificil
de tolerar, mas tambm causa queimaduras de quarto grau na pele.
Meus sentidos de olfato e audio ficaram extremamente agudos
tambm, e parecem ser necessrios  sobrevivncia do organismo.
Numa adio para a fotosensibilidade, estou limitada a uma
dieta bastante singular..."

Quando ela interrompeu o discursos, Skinner pulou na abertura.
"Como assim?"

A resoluo inicial dela para ser honesta com ele lutava com
o instinto de vampiro, ento a primeira venceu. //E se isso 
no der certo, eu posso faze-lo se esquecer disso. Mas ento, e
se desse certo? Talvez se eu redirecionasse o foco da necessidade...//
"Parece que o organismo precisa de sangue para funcionar dentro do
anfitrio."

A expresso de seu supervisor era uma mistura de descrena
e suspeita, piscando algumas vezes para voltar  neutralidade oficial.
"Voc est falando de transfuses?"

Ela tragou.  "No, senhor. Gostaria que fosse."

"Talvez voc pudesse" Mulder sugeriu.  "No tentamos isso ainda."

Skinner deu um olhar duro para o agente, e entao olhou para Scully.
"No  sangue humano." a declarao era menos que uma pergunta, s
para ter a chance de inserir um pouco de estado normal para a confissao
dela.

"s vezes. No comeo era sangue de vaca, e eu ainda bebo isso,
mas... agora eu tenho acesso a doaes descartadas. //Isso no
est indo bem, mas o que eu esperava?//

"Voc est falando serio sobre isso, no ?" Quando a parte do
relatrio dela comeou a ficar estranha, Skinner imaginou que 
o casal de agentes estava brincando com eles, fazendo uma piada
muito perigosa e impropria, ou fazendo o ato ocasional para salvar
a integridade dos Arquivos X, e que Scully estava se tornando
uma copia carbono de seu parceiro.

Mas a maneira como ela tentava suavizar a 'evidencia' e a real angustia
nos olhos dela quando ela acenou a cabea, porem, lhe dizia que no era
este o caso. //Ser que ela acredita no que est dizendo?//
Voltando ao habito, por falta de uma resposta melhor, ele perguntou.
"Voc tem alguma prova do que est alegando?"

"Achei que voc nunca perguntaria" Mulder meio que sussurrou, virando 
o olhar para outro lugar enquanto Skinner carranqueava pra ele.

//Voc no est me ajudando muito, parceiro// "Eu tenho documentos
de exames qumicos feitos no meu sangue, e outras mudanas metablicas,
feitas por mim e por outra medica que est estudando esse tipo de 
condio h algum tempo." ela lhe deu uma pasta com papeis que
continham dados, com as comparaes de Nick apagadas com cuidado.
//Eu s espero que ele no pergunta para que serve a pesquisa dela...//

Skinner olhou para as tabelas escritas em jargo tcnico, e
tremeu a cabea, olhando pra ela, alertas vermelhos soando em
sua mente. "Um mdico poderia entender isso, mas j que no sou..."

"Eu entendo". Ela puxou o estetoscpio dela da bolsa e ofereceu para ele.
"Voc j escutou um corao atravs disso aqui?" ele acenou
com a cabea, e ela pegou a ponta e colocou dentro da blusa, apertando
forte contra a pele. Ele colocou os plugs nas orelhas, e escutou, 
e olhou confuso quando no ouviu nada. "Estou ouvindo, mas est muito
lento. Voc pode comparar com a batida do seu se quiser ter certeza de
que o aparelho est funcionando corretamente" Scully falou, achando que
este foi o primeiro pensamento dele, pois ela sabia que ela mesma 
pensaria assim.

O que estava perseguindo pela mente dele, porm, totalmente era algo
diferente.  Mulder distinto, o senso de Skinner de realidade no gostou
vague em reas alm dos limites oficiais, at mesmo quando confrontou
com a evidncia da prpria experincia dele.  Ele sempre era mais
confortvel com a explicao de Scully dos fenmenos teve o par
encontrou nas investigaes deles/delas, porque confirmou para ele isso
o universo tinha definido limites, e fez isto mais fcil de explicar
o alto-ups.  Ter Agente Dana Scully prtico, sensato
anuncie com uma face direta que, no s fez vampiros existem, mas
ela tinha se tornado um, severamente sacudiu a fundao dele.  Defesa
mecanismos chutaram automaticamente dentro, e ele comeou a afiar para seu
carro, lanando o estetoscpio praticamente a seu dono.  " Olhe, eu no fao
saiba por que voc est me contando isto..."

Scully notou que a batida do corao dele ficou mais rpida, e antes
que ele desse o primeiro passo, ela pegou o pulso dele, com fora,
ameaando quebrar o osso caso apertasse  mais forte.

Skinner puxou o pulso, em reflexo, e ento tentou torcer o brao,
para se livrar do aperto dela. Scully esperou, aparentemente sem esforo,
os ps dela nem mesmo plantados no chao tentando se apoiar.
O encarando com olhos azuis e glaciais - ele pensou ter visto outra
cor, mas decidiu que era truque da luz - ela estalou. "Eu quero que 
voc me escute" e ento, to de repente quanto ela o agarrou, ela
o soltou. Ele s teve tempo para registrar esse fato antes que ela
chegasse mais perto, colocou as mos ao redor das costelas dele, e o
ergueu como se fosse uma cesta de roupas.

Segurando Skinner no alto, ela somou. "Eu quero que voc acredite
em mim". No esperando por uma resposta, ela o colocou abaixo com
fora, e sumiu, aparecendo jardas agora de costas para os dois homens.
"Isso  prova suficiente?" ela perguntou, a voz severa.

Mulder observou o homem mais alto vacilar ligeiramente, fechando os
olhos, como se processando o que viu durante os ltimos vinte minutos,
e ento abriu, olhando para o pulso contundido dele de novo. Eles
trocaram rpidos olhares. A expresso de Skinner era uma sucesso de
confuso, alarme e acusao, enquanto a de Mulder era de expectativa, mas
s isso. 

Mulder redirecionou a 'conversa', olhando para a outra participante na
discusso da noite.

Skinner notou que Scully no tinha se movido de onde estava, os
braos cruzados sobre o trax, e os ombros curvados, como se em misria.
Ele apertou os lbios - um flash de indeciso entre distancia profissional
e lealdade profissional - e ele suspirou, seus prprios ombros largos 
se curvando quase sem perceber. Ajustando seus culos, e descansando a
outra mo no quadril, ele finalmente disse. "Tudo bem. O que voc quer
que eu faa?"

O relaxamento de Scully era visvel at mesmo a esta distancia. "Bem,
pra comear, ns podemos ter certeza de que no vou poder participar
de nenhuma reunio durante o dia." ela pausou para aquela informao
ser absorvida antes de continuar. "Como mencionei, posso obter minhas
prprias... necessidades sem passar por canais pblicos, mas talvez,
mais tarde, algumas requisies estranhas podem aparecer. Estamos
pesquisando a possibilidade de um tratamento que inverteria os 
efeitos." 

"O outro mdico?" sua ateno voltou para Mulder. "Era para isso
que servia o pedido para as passagens no outro dia?" o agente 
acenou com  a cabea. "Ele acha que existe algum tratamento?"

"Ela tem trabalho nisso nos ltimos seis anos" Scully falou.
"Ns achamos que o equipamento de laboratrio no Bureau pode
nos dar uma chance melhor para encontrar o ponto fraco do organismo...
se isso tiver um."

Um silncio breve, ento, "Farei o que posso fazer. Mais alguma coisa?"

"No no momento, senhor." ela ouviu passos atrs dela, mas no se virou,
sabendo quem era pelo som e cheiro. Uma mo familiar ofereceu uma
garrafa, e Scully olhou enquanto pegava isso, olhos cor ocre, ainda
queimando sem chama com a exibio de raiva e humor azedo dela.
//Voc sabia o motivo de eu no poder ficar de frente pra ele...
eu tentei  no assusta-lo, e olha o que aconteceu...//

Mulder no reagiu ao aparecimento do vampiro, e parte dele
quis saber se isso era um bom sinal ou no. //Talvez eu me acostume
com isso// Ele voltou para Skinner enquanto ela inclinava a cabea pra
trs, para beber, dando para Scully tempo e espao para se recompor. O diretor
acenou para ele se aproximar. Mulder viu a inteno dele e apontou
para uma rea varias jardas alm do local onde estava Skinner.

Quando eles chegaram ao local, ele explicou, sua voz muito baixa.
"Eu sei que isso  atpico dela, mas estamos seguros o bastante
sobre isso." ele se posicionou para poder manter um olhar em sua
parceira sobre o ombro de Skinner sem ser muito bvio.

Skinner olhou de lado, e ento voltou a ateno para Mulder. "Tudo bem.
Digamos que voc vai me contar o que exatamente aconteceu na Filadlfia."

"Bem... quase" Seguindo o que ele viu e ouviu naquele dia, Mulder
falou sobre todo o incidente. Enquanto falava, ele notou que seu chefe
olhava para o pescoo dele, e, a um certo ponto, Mulder inclinou a 
cabea de lado, e indagou. "Conferindo alguma marca?" ele brincou,
e Skinner foi pego, carranqueou, sem jeito, e acenou com a cabea para
ele continuar.

Quando Mulder terminou, Skinner perguntou, "Aconteceu alguma coisa desde
que ela... voltou... que o leva a acreditar que a condio da agente
Scully afetaria sua habilidade para fazer o trabalho dela?" 

Mulder esperou o suficiente para dar a impressao que ele estava
pensando de fato na pergunta, e entao respondeu. "No, senhor".
Um ligeiro movimento na direo de Scully o distraiu um pouco,
e entao ele olhou para Skinner de novo.

"Quanto voc sabe dessa mdica?"

"Ela  uma patologista forense habilitada, e acredito que ela
est sendo sincera em sua inteno de encontrar uma cura, ou pelo
menos numa maneira para controlar os sintomas. Vamos dizer que
ela veio altamente recomendada."

Skinner pensou em sondar mais adiante aquela declarao, mas decidiu
no ir por este caminho, no momento. "Voc acha que Scully poderia
estar em perigo, no caso de Soares vir ataca-la de novo, ou
dela ficar sob a influencia dele a qualquer momento?"

"No vimos nada que indicasse to situao---" //No desde a troca
de sangue de ontem  noite// --- "E no aconteceu nenhum roubo de
arte com o mesmo M.O. desde quarta  noite, ento ele deve estar
escondido. A casa est vazia desde quinta, e ele no foi visto em
qualquer das outras residncias que so reconhecidas como sendo
dele."

"Mesmo que consegussemos bastante evidencia para uma autorizao, no
queria mandar ninguem, pois ele pode estar dentro de alguma das
casas.  Mas enviei um alerta de busca no Litorial Oriental, no caso
de algum o avistar, mas nada voltou para mim. Ela foi deixada
sozinha apenas algumas horas depois que isso aconteceu, e ele no
conseguiu voltar para ela, ento achamos que ela est bem segura."

"Presumindo que voc possa impedi-lo caso ele venha atrs dela."

"Bem, ns temos algumas coisas preparadas." //Como Nick e uma
garrafa de antdoto de vampiro...//

Skinner cedeu. "Tudo bem. Me informe se alguma coisa mudar.
Especialmente se ela..." ele virou para onde a tinha visto, e ficou
surpreso quando no encontrou nada a no ser a garrafa no chao,
marcando onde ela estava h apenas alguns segundos. Ele olhou nas
sombras, e para Mulder. "Onde ela est?"

Mulder conteve o impulso para olhar pra cima, dizendo. "Acho que
ela est voltando para o Bureau". ele leu a pergunta no olhar
preocupado do diretor para o carro deles estacionado. "Agora, como
ela foi... acredite em mim, senhor. Acho que voc no gostaria de 
saber." //...ela  capaz de saltar altos prdios com apenas um
nico salto...//

Scully no se incomodou em escutar a conversa deles, sentindo que devia
estar muito deprimida. Ela tinha tomado toda a garrafa para voltar o lado
humano dela, que trouxe junto as lagrimas humanas tambm. //Estou to cansada
de dar um passo pra frente, e dois pra trs. O sangue de Nick ajudou
a reduzir a fome, mas ainda sinto isso em horas estranhas. Existe uma...
deficincia em algum lugar... eu posso senti-la. Ser que Soares no
teve chance para terminar o que comeou s porque Mulder o interrompeu?
 por isso que ainda estou em transio?// Ela tinha procurado na 
Biblioteca do Congresso sobre referencias on line de vampirismo, como se
fosse uma patologista fazendo hora extra, e achou pouca coisa importante
em relao ao que ela estava experimentando.
 
Pesquisar o aspecto de folclore foi rpido, e ento, descartado. Ela pegou
a cruz que usava, algo que ela fazia ocasionalmente quando estava 
preocupada. E deu um sorriso de lado // Missy, pela primeira vez
eu acho que poderia usar um pouco daquela psicologia de Nova Era...
pelo menos eu poderia pensar em outra coisa...// 

Um movimento desviou seus pensamentos, e ela olhou para o cu. A luz
estava alguns graus passada de seu znite, e Vnus estava tentando
segui-la, como sempre. Ela automaticamente identificou as constelaes
mais comuns, mas foi levada por algo mais emocional // To bonita...~~
encantada pelas luzes cintilantes e um retorno sbito de curiosidade
anterior, ela se lanou facilmente para as nuvens. E teve bastante
presena de esprito para inalar profundamente e soltar a 
respirao em pequenos sopros enquanto chegava cada vez mais alto,
mas ela sabia que no sufocaria na altura das nuvens. //S o
suficiente para manter meu nariz e garganta longes da ulcerao...
Nick estava certo - no precisamos de muito ar...//

Ela encontrou uma leve brisa e esticou a mo para ela. //Parece
que estou colocando meus dedos num congelador bem fundo, mas no seco//
ela estudou os cristais de gelo na mo e em seu corpo, maravilhada.
//Eu toquei uma nuvem... est muito frio para voar dentro delas,
mas eu posso tocar as pontas.//

Olhando ao redor, ela percebeu como era quieto ali em cima. Nem com
sua audio de vampira ela podia ouvir qualquer som exceto o vento 
constante. //To perto do silencio absoluto que existe na natureza,
sem sentir a presso.//

A perfeita falta de som lhe deu um tremor, e ela sentiu uma sensao
de liberdade que tinha sentido apenas em sonhos. Mesmo com sua primeira
lio de vo, ela no sentiu algo assim. A pressa a deixou vertiginosa,
e ela riu, descendo e subindo pelas nuvens durante algum tempo,
testando sua tolerncia para o frio, e desfrutando o brilho mais
intenso das estrelas. 

Caindo para a troposfera, ela praticou montar nas correntes, traduzindo
o que tinha aprendido ao velejar com a famlia, no ar.

Assim que ela teve chance para se esquentar, ela comeou a dar
mergulhos em alta velocidade, rolando. Depois de quase uma hora, ela
descobriu a presena de outro vampiro, e viu Knight um pouco longe
dela.

Tendo aprendido a voar antes da existncia de aeronaves, Nick 
observou as manobras tremendo um pouco aos riscos e desaprovando
um pouco ver que uma habilidade usada para transporte e caa
sendo usada como esporte. Ela passou por ele, num movimento largo,
e ele a repreendeu indiretamente com um, "Voc est planejando
se juntar ao Cirque Soleil?" 

Ela bufou e se virou de costas. "S me acostumando ao ar, treinador.
Voc deveria tentar.  divertido" ela fez uma dzia de espirais para
baixo, recuperou a altitude e voou ao lado dele, que estava indo para o
Triangulo. 

A atitude impertinente o aborreceu de repente, e ele tentou no estalar. 
"Isso no devia ser divertido, Dana. Nos somos Vampiros, no os 
Wallendas Flyers."

O sorriso dela diminuiu um pouco, mas no sumiu. "Eu sei disso,
mas se, e at que uma cura seja encontrada, eu vou ter que confiar
nestes truques para sobreviver. Voc acha que os pilotos de caa
fazem aquilo tudo s porque parece impressionante visto da terra?"

Ele suspirou, concedendo o ponto. "Tudo bem." Eles continuaram
em silencio por um minuto, e entao ele disse. "Ns queramos saber pra
onde voc tinha ido, j que no voltou com Mulder. Ele achou que voc
gostaria de um tempo para pensar."

"Sim. As coisas hoje no foram muito boas, e me deixou pra
baixo."

"Mas voc parece estar melhor agora."

"Acho que pode ser parte do processo de ajuste. Perder controle sempre
foi um medo que tive, e estar numa posio como esta no facilitou
as coisas. Mas... eu acho que se puder controlar o que for possvel,
o resto no vai parecer to ruim." 

Por fora, ele acenou com a cabea, mas pensou //Um bom empenho, mas
ingnuo. Levou tempo para eu chegar onde estou agora, e manter o
vampiro  distancia sempre foi uma luta muito grande. No quero 
protege-la das realidades desta existncia, mas ela precisa ter
alguma esperana, e talvez ela possa controlar isso melhor do que eu...
pelo menos ela tem um professor mais consciencioso...//


PARADIGMA SHIFT

Captulo 9

Um crossover de X-Files/Forever Knight
por Linda Stoops e Andrea Brown

Sede de FBI--1:30 DA MANH

Mulder se encontrou com eles a caminho do laboratorio Forense. O agente notou que
sua parceira estava muito animada, mais do que ele tinha visto antes.
"Ento... voc bombardeou o Pentgono?"

"Ainda no, mas estamos pensando em ir para a Casa Branca mais tarde" ela
zombou de volta. "Voc estava indo para onde?"

"Natalie me mandou comprar rosquinhas." ele olhou para Nick. "Voc deve saber
do que ela gosta. Quer fazer algo til, e vir comigo?"

//Natalie?// "Claro. Ela gosta de rosquinhas quando est fazendo alguma coisa que
a deixa perplexa."

"Ento  melhor eu me fazer til" Scully comentou, indo para o laboratrio. "Apareceu
alguma coisa nova na amostra mais recente?"

"No muito.  Voc ainda est flutuando, mas parece ter reduzido a velocidade. 
Ela est trabalhando na possibilidade de que a adrenalina  o catalisador da
mudana". ele viu as 'engrenagens' cientificas ganhando velocidade dentro da cabea
de Scully. "Parece o episodio da doena da velhice em Star Treck." ela franziu a
sobracenlha, confusa. "Demora muito para explicar. V brincar de quimica" Nick
falou.

Desde que ele tinha ficado muitas vezes no escritorio depois das horas comuns, Mulder
sabia onde ficavam as mais proximas fontes de comida vinte e quatro horas,
entao ele dirigiu para uma lanchonete que vendia rosquinhas pouco alm do
Tringulo.

Nenhum dos homens disse nada por vrios minutos, ento Nick falou primeiro.
"Dana disse que vocs esto juntos h trs anos."

"Yeah. Algum no Bureau decidiu que eu precisava de um inspetor, e ela arrumou
o emprego. Ns tivemos muitas viagens alegres desde ento, e eu acho que a
subverti um pouco para o meu lado. E sobre voc e a doutora?"

"Ah.. cinco ou seis anos. Eu era quase um 'paciente' dela. Ainda nao tenho
certeza de quem ficou mais surpreso: ela por me ver sair da mesa e andar depois
de morto, ou eu por ver que ela estava mais interessada em tratar minha condio
fsica do que ficar com medo. Desde entao, um... relacionamento cresceu a 
partir da." pausa. "Sabe, espero que Nat e Dana encontrem logo uma cura,
mas se demorar muito, ou se elas nao tiverem sucesso, quero ter certeza
de que voc entende que as coisas nunca mais vo ser as mesmas para vocs
dois. Nat e eu conhecemos vampiros antes e depois que eles foram transformados,
e..."

"Como o irmo dela, Richard". Mulder encarou o trnsito, as duas maos
sobre o volante.

//Entao, ela lhe contou a historia...// "Como Richard. Acontece alguma 
coisa quando eles entram nesta vida, e nada  igual a antes com aqueles que eram
chegados a eles. Ela pode parecer a mulher que voc conheceu antes, mas ela
no , e nunca mais pode ser de novo."

Mulder nao respondeu, mas preferiu perguntar. "Durante seu trabalho, voc
teve algum parceiro? Um mortal?"

"Sim. Trs" ele sentiu uma aflio por Schanke, e uma aflio mais fraca
sobre o mentor da patrilha dele nos anos sessenta. //E  por isso que
estou to cauteloso com Tracy.//

"Algum deles sabia o que voc era?"

"Nao." //Eu nao poderia traze-los para o meu pesadelo, e nem arruina-los.//

"E por que no?"

"Eu nao podia me arriscar... bem, parte medo de rejeio, mas principalmente
porque sempre tem um perigo para os humanos que sabem da nossa existencia, e 
parece que os que estao perto de mim correm mais perigo do que antes."

"Ento voc est to na escuridao sobre isso como eu estou. A grande diferena
entre ns  que eu nao tenho medo do desconhecido. Saber dos vampiros 
perigoso, concordo, mas tambm  perigoso saber da colonizao de alienigenas 
neste planeta, governos ocultos, e mutantes psicopatas e feras. Comparado a isso,
ter sua parceira acordando como uma sanguessuga notruna parece quase normal."

"Foi quase isso que Dana disse na outra noite. Mas uma coisa  reconhecer a
existencia de vampiros, e outra bem diferente  ter um amigo que se transforma
em um.  muito mais do que tampar as janelas, e invadir bancos de sangue 
procurando sangue descartado. Lembra daquela situao na segunda de manh?"

Mulder olhou para Nick de repente, e voltou a olhar para a rua. Entao, ele
disse num tom baixo, mas enftico. "Eu achei o corpo dela. Eu a levei para 
casa dela. Eu fiz o jantar dela. Eu =fui= o jantar dela. Acredite em mim,
detetive, eu =sei= que as coisas mudaram. Eu nao teria te chamado se achasse
que pudessemos controlar esta coisa ns mesmos."

Silencio de novo, seguido por "Entao, falando da segunda de manh - voc passou
tanto tempo naquele quarto com ela, que eu tenho que perguntar - voc vai me dizer
tudo, ou eu terei que ir para Natalie, e pedir uma traduo mortal?"

//Ai. Acho que mereci isso.// Lembrando do que ele tinha descoberto esta noite, 
ele resumiu as partes pertinentes, inclusive o estado humano marcado na comunidade
dos vampiros. Mulder o incediou com vrias perguntas sobre criao e cultura
de vampiros, fazendo Nick usar toda sua memria e conhecimento.

Enquanto isso, Natalie e Scully estavam tendo sua propria conversa, mais
vicil. J que o laboratorio forense nao tinha amostras de adrenalina
humana, Natalie teve que produzir algumas, correndo duas vezes pelo
andar. Quando o joelho machucado dela protestou o abuso no meio da
segunda volta, o pequeno ganido de dor, e tropeo, fez Scully aparecer
instantaneamente ao seu lado. Enquanto ela se apoiava na mulher menor, mas
mais forte, Lambert acautelou. "Tenha cuidado sobre onde e quando 
voc faz coisas como esta. Nick disse que os humanos vem o que
esperam ver, mesmo se eles tiverem que ser convencidos, mas eu acho
que ele tem se arriscado muito ultimamente."

"Achei que estavamos seguras o suficiente a esta hora, mas vou tentar manter
isso escondido" um tecnico passou pelo corredor  frente delas hesitou, um
olhar preocupado no rosto. Ela acenou com a cabea, e acenou, dizendo que as 
coisas estavam sobre controle, entao ele continuou para seu destino. Assim
que Natalie estava sentada, Scully puxou um pouco de sangue, e lhe deu a seringa.
"Ja que  seu,voc deve fazer as honras."

"Obrigada" Natalie respondeu num sotaque ironico, enquanto injetava um pouco
do liquido no microscopio. "Tudo bem... isso aqui t normal." ela saiu do
microscopio para ir ao microscopio de eletron, e viu os organismos vampiros
invadirem os normais. "Eles ficam mais vivos depois que o sangue humano
entra na equao, e menos vivos com sangue animal" ela anotou alguma coisa,
e ento, falou. "Vamos ver o que acontece com o seu."

Os organismos do sangue dela se aproximavam e atacavam os novos anfitrioes,
se movendo mais depressa do que antes, assim como aconteceu na amostra de
Nick. Porm, depois que eles terminaram isso, nao se transformaram como
as criaturas que estavam no sangue de Nick. Ela tremeu a cabea, para indicar
o fracasso, se movendo pra trs, para obter uma opiniao para sua contraparte
mais experiente.

"Droga!" Natalie murmurou quanto olhou, e anotou mais alguma coisa.
"O que est te mantendo 'adormecida'? Voc bebeu sangue humano, tanto 
guardado quanto fresco; voc teve o sangue de outro vampiro para nivelar
a fome. Estava certa de que a unica diferena entre esses organismos e o
de Nick era uma infusao suficiente de adrenalina para catalisar a
metamorfose completa." ela explicou antes para Scully que o sangue de 
Mulder poderia nao ter hormonio suficiente para as criaturas se
alimentarem e estabilizarem numa simbiose adulta.  Natalie rosnou, frustrada,
enquanto estrangulava o microscopio. "O que ? Que mais vocs querem?"

Scully saiu da cadeira dela e foi para a geladeira, para pegar outro par de amostras
de uma leitura que ela tinha feito mais cedo. "Talvez possamos encontrar algo no
sangue tirado no domingo de manh. Se puderemos ver a evoluo progredindo, poderiamos
ter uma ideia de onde acontece a mudana." ela ficou de p, na porta aberta, encarando
os frascos, garrafas, tubos de testes, e recipientes, e suspirou. "Deus, vou ficar
com saudade de sorvete."

"Voc gosta de doces?"

"Nao. Gosto de coisas frias: sorvete, picols, cubos de gelo..."

"Voc *come* cubos de gelo?" Natalie estremeceu ao pensamento de mastigar
gelo entre os dentes. "Uhhkh, aposto que voc fazia sucesso nas
festas."

Scully deu de ombros, e entao achou os frascos que estava procurando.
"Se voc quiser trabalhar com este aqui, vou terminar os outros".
Natalie pegou os tubos, e os colocou sobre uma prateleira. Enquanto
Scully pegava o saco plastico, ela falou. "Pensando bem, eu tambm gosto
de laranjas." ela parou, e perguntou. "Natalie, voc sabia que 
voc tem cheiro...parecido com o ctrico?"

"Nao. Eu tenho? Isso  engraado, pois meu perfume nao ..." o
comentario dela parou quando ela seguiu o que a agente estava falando, e
Scully sorriu, erguendo uma sobrancelha. Natalie percebeu que a ameaa
oculta era apenas uma replica aos habitos de comida de Scully, e ela bufou
enquanto olhava para o microscopio. "Que beleza. Humor 'Vampiro'" ela 
murmurou.

Scully riu atrs dela.

O humor leve sumiu diante da decepo dos resultados das presentes 
tentativas. Nao haviam mudanas nos organismo do sangue coletado antes
da troca, e fora a pele morta, e do soro contendo enzimas desnecessarias
para o metabolismo de vampiro, nada novo poderia ser retirado
das amostras de tecido. Natalie soltou um som de desgosto, se sentando.
"Tem que ter algo aqui que nao estamos vendo. Est bem na nossa cara, 
mas nao conseguimos ver."

"Bem, eu *estava* querendo saber se Soares tivesse tentando terminar o
processo, se o aparecimento de Mulder pudesse te-lo interrompido mesmo assim."

Natalie tremeu a cabea.  "Se *ele* tivesse continuado, voc nao estaria
aqui. Assim que a vitima bebesse do sangue do vampiro, ele ou ela
se tornaria um vampiro tambm. E assim que o novo vampiro fizer seu primeiro...
oh, meu Deus!  isso!"

" isso o que?" Scully ouviu o corao da patologista bater mais rapido, e ela
sentiu o dela tambm acelerar, mesmo que lentamente.

" essa a diferena. Voc ainda nao matou. Nick disse que esta era a
parte da iniciao, mas j que voc foi deixada pra trs, voc nao passou
por isso. Isso quer dizer que o catalisado deve estar em algum lugar
dentro da circulaao sanguinea da pessoa agonizante."

"Poderia ser um dos hormonios libertados pela glandula pituitaria ou
hipotamos durante os ultimos momentos de vida, como uma endorfina. 
 por isso que as pessoas alegam que se sentem calmas e felizes nesta
hora. Mas so muitas coisas inundando o sistema de uma vez. Qual deles poderia
ser o catalisador?"

Ambas pensaram por alguns minutos, e entao, Scully continuou:
Isso poderia explicar o motivo do sangue que Mulder me deu nao invocou a
mudana completa. Nao haviam os hormonios corretos, ou outras substancias
quimicas para completar a transformaa."

"Okaaay, isso faz sentido. Mas tem um problam: por que o proprio organismo
de vampiro nao se transfere para o novo anfitriao? O sangue dele entra na
vitima durante a troca; voc teve uma dessas, e nada parece ter acontecido
desde entao."

Scully pensou nisso com furor, se lembrando de tudo que aprendeu sobre
epidemiologia e virologia.  "Talvez..." ela disse afinal, escolhendo as
palavras com cuidado. "Talvez o agente infectado no  levado pra
dentro da circulaao sanguinea, mas na saliva."

"E talvez entao se prende em algo dentro da circulao sanguinea, e entao
 transportado e reproduz-se, se alimentando do sangue normal circunvizinho.
A simples troca poderia assegurar que a vitima vai curar sozinha, e 
quando elas voltam, se alimentam para terminar a metamorfose.
De certo modo, Mulder interrompeu o processo a tempo."

//Mas nao cedo o bastante para me impedir de me tornar um vampiro... mas
se ele chegasse mais cedo, Soares o teria matado... ou at mesmo me
fazer mata-lo// Fragmentos daquela tarde de quarta voltaram pra ela, e
Scully estremeceu violentamente, abaixando a cabea e fechando os
olhos enquanto era varrida de volta ao pesadelo.

"Dana?" a reao dela para o ultimo comentario deixou Natalie surpresa, e
instinto predominou sobre a precauo, e ela foi para a colega americana, e
tocou seu ombro.

Com um suspiro alto, despertando, Scully voltou, olhos luminosos e dourados,
virados para o teto, e depois se arregalando para reconhecer o ambiente
ao redor. Para seu crdito, Natalie ficou firme  sbita transformao. Um
calafrio, uma balanada na cabea e uma longa piscadela, e ento, o vampiro
dentro dela foi embora. "Deus, o que foi isso?"

"Voc  que tem que me dizer. Voc precisa...?" um aceno para a geladeira,
indicando os sacos com sangue, marcado como 'evidencia', junto com as 
amostras.

"No, no. Eu estou bem". Ela colocou os dedos sobre a testa, se
concentrando. "Eu estava pensado no que teria mudado se Mulder tivesse
chegado mais cedo... entao tudo veio, quase me subjugando. Quase como
um retrospecto. O que aconteceu na noite em que voc e Nick chegaram,
o proprio ataque, a fome... e mais alguma coisa. Eu tive a sensao de
que alguem estava l fora, me procurando.

Natalie pensou nisso, e entao tremeu a cabea. "Nick nunca mencionou
nada assim antes. Na verdade, parece mais uma rea de tenso ps-traumtica."

"Voc acha isso?" a nota de esperana na voz era palpvel.

"Considerando o monte de coisas que voc tem passado, estou surpresa por
voc nao ter tido um choque mais cedo."

Scully parecia pensar, e entao acenou com a cabea. "Deve ter sido isso.
Parece que recordaes reprimidas podem te derrubar." 

"Voltando para o assunto original. Bem, podemos especular, neste momento,
o que catalisa a mudana, e como o organismo  transmitido, mas pelo menos
podemos provar que..."

"...que o que quer que seja,  especulao. Pra comear, onde vamos
conseguir as substancias quimicas necessaria? Nao podemos pedir por
telefone."

"E duvido que poderemos arrumar da maneira convencional. Bem, vamos esperar
os rapazes voltarem - de repente eles tem uma nova perspectiva do que precisamos
fazer. Enquanto isso..."

Elas voltaram para seus respectivos testes, descobrindo algumas coisas pouco
notaveis. A certa altura, Natalie falou, casualmente. "Ento, como foi seu
primeiro vo solo?"

Um sorriso distrado cruzou as caractersticas de Scully, e ela suspirou 
profundamente. "Foi a experiencia mais espetacular que eu j tive em toda
minha vida. Nick j te levou alto o suficiente para tocar uma
nuvem?"

"No,  muito frio e o ar  rarefeito para ns, mortais. E voc?"

"Oh, sim" ela respirou. "E  to silencioso... profundo. Eu s... nao 
consigo pensar na palavra certa. O mais perto que cheguei foi quando falei
para Mulder que isso parecia um sonho sobre voc estar voando, s que parecia
de verdade. Mas  alm disso."

"Acho que essa deve ser uma daquelas coisas que voc tem que experimentar pessoalmente."

Scully acenou com a cabea. "Talvez, se voc vestisse roupas quentes, e levasse um
tubo de oxigenio, Nick poderia voar com voc em segurana."

"Parece um bom plano. E o que mais voc fez?"

"Eu pratiquei, experimentei alguns manobras:  voltas, mergulhos, espirais". 
Ela riu.  "Eu tinha feito um comentrio sobre pensamentos felizes, e Nick me
chamou de 'Sininho'. Hoje  noite, eu estava mais para Rock, o Esquilo Voador.
Ele parecia escandalizado pelo que eu estava fazendo."

"Bem, ele  do tipo antiquado. Mas, na idade dele, isso  esperado.
s vezes,  uma de suas caracteristicas mais gentis, mas em outras, 
frustrante como o inferno." perdida em sua memria, ela nao notou a sobrancelha
de Scully subindo, e entao uma subita risada quebrou o devaneio. Ela olhou
para a mulher ruiva, e colocou a mao sobre a boca para abafar outra explosao de
riso.

"O que foi?" Scully sorriu de volta.

"Eu--- acho que nao deveria dizer" Natalie tentou explicar, lutando para
manter a expressao controlada.

"Voc comeou. Agora me conta."

", ah... bem, olha, nao se ofenda, mas  que eu acabei de pensar..."
ela riu de novo, e tentou se recompor, tossindo, e falando
"Esquilo Scully?"

O bufo, seguido por repiques de risada, era a garantia que Scully nao
tinha levado a ofensa, e Natalie se juntou a ela ao imaginar na cena.
Depois disso, ambas tentaram se controlar, mas entao, outro pensamento
passou pela cabea de Natalie: "Entao, se voc  Esquilo Scully, o
que Mulder seria?"

Isso foi demais para Scully. Toda tensao dos ultimos dias achou a liberaao
quela imagem estranha. "Oh, Deus!" isso saiu de sua boca quase como um
choro, e ela balanava na cadeira, se abraando.

No meio da histeria, Nick e Mulder entraram no laboratorio, e as duas mulheres
tinha perdido a pouca compostura que tiveram conseguido achar: Natalie
colocou a cabea sobre o brao, e sobre a mesa, e Scully saiu 
da cadeira, ofegando.

"Deve ter sido uma piada e tanto" Nick aventurou, e Mulder deu de ombros.


PARADIGMA SHIFT

Captulo 10

Um crossover de X-Files/Forever Knight
por Linda Stoops e Andrea Brown

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Demorou algum tempo para as coisas se acalmarem, mas as noticias da descoberta
fizeram com que a demora valesse a espera. Mesmo depois de isolar o catalisador,
isso ainda nao fosse a cura, e a probabilidade de achar uma volta para Scully
voltar  forma humana nao fosse certa, o humor dos outros dias tinha melhorado.
Na verdade, Mulder nao podia se lembrar da ultima vez em que viu
sua parceira tao animada sobre alguma coisa.

Principalmente pela ideia de pegar uma amostra da substancia quimica
que precisava - eles tinham trs opes: uma sala de emergencia de um hospital,
um laboratorio de anatomia ou um necroterio. Entao, como as duas 
ultimas ideias mostraram ser inviaveis, Mulder elevou a mao e comeou.
"Isso pode ser um pouco egosta, mas---" trs paresde olhos se viraram para ele.
"---considerando a alta taxa de assassinato nesta cidade, ns poderiamos
tentar pegar essa substancia de alguem... bem, quase morrendo?"

"Voc tem razao: isso  *egosta*" Scully concordou, o otimismo dela  murchando
quando se lembrou das severas eticas da Lei de Hipcrates. "Bem, tanto para..."

"Eu concordo" Nick interrompeu, "Mas nao temos muita escolha, temos? Ora, nao
vamos matar ninguem, e talvez, se a quantidade for o suficiente..."

"Que tal outro ponto de vista?" Scully perguntou para Natalie, pensando. //Nao posso
acreditar que eles esto pensando nisso//

"Tambm nao gosto disso" Natalie respondeu, soltando uma respirao resignada.
"Mas nao vejo outro meio."

"Voc est falando srio?!" Scully encarou o trio, focalizando primeiro 
em Natalie, surpresa de que uma mdica da mesma categoria pudesse aceitar
tal idia. "Voc entendeu o que est me pedindo para fazer com outro ser humano?"

"Eu fao isso" Nick anunciou. Quando sua aluna se virou para protestar, ele continuou.
"Eu fui mdico durante algum tempo. E respeito o Juramento que voc fez. *Mas*,
vai chegar um momento quando a meta s poder ser alcanada pisando alm da linha
da lei para manter seu espirito, assim como Pauster e Reed fizeram. Eu sei
usar uma agulha, entao nao vou acelerar a morte de ninguem. Na verdade, se eu 
estiver l, acho que posso at ajudar a manter a pessoa viva." ele lhe
deu um sorriso conciliador. "Se houvesse uma maneira melhor, mais facil, acredite
em mim, Dana - eu faria isso. Mas estou falando como seu professor, e estou dizendo
que devemos fazer isso. Se nao for pela nossa causa, enao para os vampiros
que querem se livrar da condio deles de nao poderem ver a luz do sol."
//Assim como Erica, assim como eu...//

Scully o encarou por um longo momento, pesando nas palavras dele, e entao fechou
os olhos, e baixou a cabea. "Tudo bem, voc ganhou." mas as proximas palavras
dele foram cortadas por ela. "Mas se esta cura, presumindo que vamos poder
desenvolve-la, s poder ajudar novos vampiros, como eu, que nao mataram ainda,
e sobre voc e os outros que j passaram deste ponto?"

Natalie se meteu para responder. "Pode ser que sim, pode ser que nao,
mas acho que se pudemos achar uma cura, entao podemos achar um tratamento
para aliviar alguns dos sintomas. No minimo, buscando um substituto para o sangue."

"Acredite em mim, ela j investigou tudo que podia num laboratorio de 
Patoloia." Nick falou enquanto se sentava na beirada da mesa, perto dela.

"Vocs j chegaram perto?" Mulder quis saber, perguntando finalmente o que
estava coando em sua mente, procurando uma cura. Ele olhou para as notas de
pesquisa, mas quase nao podia entende-las, e enquanto ele sentia que Natalie
acreditava que sua meta estava dentro do alcance, ele precisava de alguma
garantia de que o progresso viria logo.

"Uma vez," os canadenses disseram em harmonia, ento sorriram e Natalie
acenou para Nick falar. "Foi um tipo de hormonio... sinttico? Feria igual
ao inferno, mas funcionou. Comi comida solida sem ficar doente, andei pela luz
do sol, sem problema... foi maravilhoso... enquanto durou. Mas o problema
era que eu precisava de mais, e mais, e a retirada do hormonio ficava
cada vez pior. At entao, eu pensava que entendia como os viciados em drogas
se sentiam. Isso era quase tao ruim do que passar fome, mas a dor era diferente.
Fome tem sua propria agonia, mas aquilo era..."

"Como se voc estivesse vendo pelos olhos de outra pessoa, e ela est no controle."
Scully falou, dando um olhar significativo na direo de Mulder, enquanto se lembrava
da visita de Frohike.

"Exatamente. Mas enquanto minha tolerancia aumentava, a dor tambm. Nao havia
jeito de me livrar." Natalie se aproximou e colocou a mao sobre a mao dele.
"Entao, durante um caso que deu errado, eu levei um tiro. A droga perdeu seu
efeito enquanto eu estava morrendo, e quando o vampiro retornou..."

"E mesmo muito desapontada por falhar de novo, nunca fiquei to aliviada
quando eu vi os caninos dele aparecendo" Lambert terminou. "Desde entao, ficamos
quase num beco sem sada. Tudo que sabiamos era que nao tinha dado certo, e nunca
tivemos certeza do porque. Agora, com isso, temos um lugar para comear."

"E falando em comear--" Nick procurou entre os objetos cientificos pelo
instrumento que precisava. "Onde vocs colocam as seringas?"

Scully hesitou, se levantou e foi  para o armario de provisoes, e tirou uma
seringa hipodermica e uma agulha, e pegou algodao e alcool do kit de primeiros
socorros da parrede. Mas em vez de dar os artigos para seu mentor, ela
os colocou numa bolsa grande, explicando. "Voc pode ter sido mdico antes,
Nick, mas eu sou mdica *agora*."

"Mas voc disse... " O olhar de determinao resignada o silenciou, e
ele acenou com a cabea, pensando //Ela nao tem que fazer isso, mas
vamos ter uma chance melhor de retirar alguem da beira da morte com ela
junto.// "Tudo bem, mas lembre-se: sangue derramando em grande quantidade 
intensifica a fome. Vamos pegar o que est na geladeira, mas nao fique
surpresa se eu te forar para longe de l."

Ela concordou, embora relutante, eles pegaram o resto de que precisavam, e sairam.

Mulder esperou at que eles estivessem distantes no corredor antes de perguntar
para Natalie. "Com o risco de ser pessimista, o que vai acontecer caso a
substancia quimica que eles estao procurando nao fizer o truque?"

"Entao vamos continuar procurando. Mas, eu acho que este pode ser o catalisador.
Faz sentido, mais do que qualquer outra coisa que j encontrei. Tentamos
remdios herbarios, coqueteis de drogas, sintticos, hemoglobina, outros
hormonios, tira-lo do sangue, at artefatos mgicos. nada funcionou, e ele
est ficando sem vontade de continuar depois de cada processo. Honestamente nao
posso culpa-lo. Mas eu sei que estamos pertos. Posso sentir isso" uma pausa,
seguida por um sorriso torto. "Isso parece um puco obsessivo?"

"Falando como um cara obsessivo, sim. Por outro lado, posso pensar em metas
piores."

" verdade" um pensamento perdido e um olhar ao antebrao dele
a fizeram sair da cadeira e ir para o armario. "Levante a manga. Quero ver
o que est debaixo do curativo."

"Por que?" ele indagou enquanto desfazia a manga.

"Quero ver como est curando, e descobrir se voc tem algum dos organismos
dela em seu sangue. Mordidas de vampiro somem mais rapido do que feridas comuns de
furos, o que quer dizer que a saliva tem que ter as mesmas propriedades
curativas que existem no sangue."

"Mas ela no me mordeu.  Eu me cortei."

"Nao deve fazer diferena, se eu acho que sei o que eles esto fazendo."
Voltando para onde ele estava sentado, ela tirou o curativo, agora menor
do que quando ela viu antes, e expos a cicatriz fina. "Bem, tem bastante
casca para tirar uma amostra. Fique quieto" ela vestiu uma luca, pegou
um bisturi e tirou um pouco do tecido seco sobre a rea. Colocando sobre
uma lamina, ela pegou uma seringa e foi para perto do ferimento. "Vou
precisar de um pouco de sangue, entao vai picar um pouquinho" 

Mulder assobiou quando a agulha entrou, e olhou fora enquanto ela fazia
o trabalho. "Ok, acabou." ela anunciou, tirando a agulha e colocando uma
bola de algodao encharcada com alcool sobre o ferimento. "Segure isso
at que pare de sangrar."

"Eu ganho um balo?" Mulder perguntou, estremecendo aos efeitos secundrios.

Natalie sorriu. "Se isso der certo, eu te dou um pacote deles." ela olhou a
primeira lmina sobre o microscopio. "Hmmm.. parece normal..." um longo
silencio, e entao, "O q---?" ela fez carranca, confusa, e entao tirou
a lamina, colocando outra que tinha o sangue de Mulder. "Nada."
Mais outras laminas tiveram o mesmo tratamento antes que ela achasse o que
estava procurando. "Tudo bem. Entao, agora... o que voc ...?" outro
silencio, mais longo, enquanto ela mastiva o labio inferior. Malditos. 
"Parece que..."

"O que foi?" ele ficou de p, atrs dela.

Ela no respondeu no comeo, e se sentou, encarando o microscopio.
"Tem uma celula que nao consigo identificar. Parece com o organismo do
vampiro, mas tem elementos dos leucocitos, e do proto-organismo que os une.
Acabei de ver isso passar para uma celula vermelha, algo que normalmente
devoraria." ela arregalou os olhos quando pensou numa possibilidade,
e entao ela pegou uma lamina com uma amostra mais recente do sangue de
Scully. Um momento depois, ela saiu do microscopio e olhou pra ele,
os olhos brilhando, excitada. "Acho que achamos."

"O que?"

"O organismo hbrido! Acabou de atacar um dos organismos de vampiro dela,
e acabou com ele. Suas celulas brancas esto fazendo isso enquanto conversamos."

"Voc quer dizer que sou imune?"

"Nao. Se isso fosse verdade, ninguem que fosse mordido, e sobrevivesse, 
se tornaria um vampiro. O que eu acho  que isso existe em todos os humanos.
O que eu acho que est acontecendo aqui  que quando os proto-organismos
entram na circulao sanguinea humana, nao s comea um acoplamento entre
vampiro e vitima, mas tambm cura o dano. Seu corte levaria uma semana
para curar.  A celula atacar qualquer coisa que nao pertena a seu anfitriao,
incluindo seus pequenos primos que esto na circulaao do vampiro. Porm,
se o vampiro tomar sangue o suficiente para matar a vitima, ou transforma-lo
em outro vampiro, a hibridao nunca vai acontecer, o que quer dizer que existe
um tempo antes da uniao das duas celulas. E o hibrido parece ter uma vida
curta, tempo suficiente para fortalecer o humano para que o vampiro possa
se alimentar de novo. Caso contrario, eu teria encontrado mais hibridos
do que achei. Foi isso que achei no tecido cicatrizado: celulas hibridas
mortas, e celulas brancas."

"Parece um sistema eficiente. Ser que devo ligar pra eles, e dizer o que voc
achou?" ele pegou o celular.

"Ainda nao. Temos que ver a primeira teoria pode ser provada." ela estudou a
atividade na lamina, e entao se afastou para colocar na fita o que tinha dito
para Mulder. "Agora, s para testar a extensao do lao de sangue, voc pode
senti-la agora?"

Ele fechou os olhos e pensou numa imagem de sua parceira. Depois de dez segundos, ele
tremeu a cabea. "Nada claro, e talvez seja pensamento tendencioso. Nao 
to forte quanto era antes."

"Certo. Entao isso parece seguir a diminuio nos hibridos." ela acrescentou
estes achados  fita, olhando por mais lminas, e colocou uma gota do sangue
de Nick. O 'hmmm' dela foi menos entusiasmado dessa vez.

"Nada?"

"Nada. As clulas dele nao esto sendo reconhecidas como invasoras, mas
as dela nao atacam as dele. Talvez seja a diferena entre os organismos
nas clulas de Nick e de Dana. Vamos tentar criar um hibrido com seus
proto-organismos."

Mulder ficou atualizando o caso de Soares enquanto Natalie fazia mais testes, 
ambos afiando seus crebros enquanto trabalhavam. Nenhum deles viu o tempo
passar at que o alarme do relogio dela tocou. "Uma hora at o amanhecer" ela
explicou. "Espero que eles estejam voltando. Ela no vai ter muito tempo
para voltar pra casa."

Como se em resposta, o celular de Mulder tocou. "Trs chances..." Mulder brincou.

<"Mulder, sou eu.  Demorou um tempo, mas acho que pegamos nossa primeira
amostra. A condio do doador ainda  crtica, mas ela est melhor do
que estava quando a trouxemos. Nick est levando o pacote, j que eu nao vou
ter tempo de passar a e ver os resultados antes do amanhecer. Alguma novidade
por a?">

"Acho que sim. Espere, vou chamar Natalie para falar com voc." ele entregou o
celular para ela.

"Dana, eu tenho um 'eureka' pra voc..." Lambert contou tudo para Dana,
e como esperado, mais tecnicamente do que sua explicao para ele. Elas
conversaram por mais algum tempo, e entao ela desligou, devolvendo o
aparelho, dizendo. "Ela est contente. Nick acabou de sair do hospital,
entao ele deve estar chegando. Vamos ver se tudo  especulao, ou se
estamos certos."

Quando Nick finalmente chegou, o primeiro impulso de Natalie foi de agarrar
a bolsa das maos dele, e enfiar a seringa ali. Ao invs disso, ela lhe deu
um cotonete de algodao, e lhe disse para colocar na boca. Ao ver sua
expressao de surpresa, ela somou. "Preciso de uma amostra de saliva
para o que vou fazer. Obrigada" ela pegou o pacote e levou tudo, junto com
o cotonete, para o seu local de trabalho.

"Entao, o que *voc* acha?" Nick perguntou, sua curiosidade aumentando.

"Bem, citando Howard Carter: 'coisas maravilhosas'." ela comeou
a rebobinar a fita, e entao mudou de idia. "Mulder, por que voc nao
conta pra ele, enquanto eu dou uma olhada nisso aqui com o microscopio?"
enquanto eles saam, ela misturou o sangue desconhecido com o sangue de
Scully, e prendeu o folego, ofegando quando ela viu o que acontecia com
tanta frequencia com as amostras de sangue de Nick. "Oh, meu Deus... ns
estvamos certos." ela sussurrou.

A audio de Nick pegou as palavras claramente, e ele interrompeu Mulder com
uma mao erguida. "Voc quer dizer que se ela tomar sangue o suficiente
para matar..."

"A condio fica... permanente, at onde sabemos" ela emenda, mais por causa
dele do que por ela. "Esta inclusao de substancias quimicas parece dar s
celulas adultas a alta resistencia, senao a invulnerabilidade para qualquer
coisa que lancemos contra elas.  a pedra angular que te faz imortal."

"Mas o que aconteceria para Scully se as celas dela no mudarem?" a pergunta
de Mulder tinha um tom quase medroso.

"Nao sei dizer. Nick, voc conhece algum vampiro que nunca matou?"

"No," Nick respondeu.  "Iniciao, intencional ou no, sempre
acontece mais cedo ou mais tarde. Normalmente mais cedo. Ela
reclamou que a fome  irregular, como se o metabolismo dela nao
fica a um passo normal, e ela parece responder melhor a sangue humano do que
sangue de vaca."

"Bem, isso poderia ser atribudo a outros fatores.  Alm disso, ns
podemos ter um possivel tratamento, senao uma cura, nadando nas veias do
proprio parceiro dela."

Nick quis assistir a prxima bateria de testes, especialmente que a maioria
continha amostras de sangue que Natalie tinha tirado dele, mas o amanhecer estava
vindo, menos de uma hora, e ele tinha que se proteger at l. A oferta de 
Mulder para levar Natalie para o hotel quando ela estivesse pronta, deixou
Nick nervoso, pois ele nao queria deixa-la sozinha numa cidade estranha, e
entao, ele s saiu quando faltavam minutos para a hora limite.

"Ele  sempre to protetor assim?" Mulder falou depois que o detetive foi embora.

Natalie sorriu quando se lembrou de outros tempos. "Sim... bem, voc
sabe sobre as historias de cavaleiros com armaduras. Para Nick, velhos
hbitos so dificeis de esquecer." ela sugeriu que Mulder cochilasse em
algum lugar, rapidamente, se lembrando de sua propria batalha sobre
seu relogio interno, nao querendo que o agente dormisse ao volante.

Levou quase duas horas para terminar a maioria dos testes, e o unico
motivo dela ter parado era que o resto demoraria de quatro a oito horas
para serem completados, e o turno do dia estava prestes a entrar.
Ela limpou sua rea, pegou suas anotaes, e acordou Mulder, que estava
cochilando numa cadeira no fim corredor. 

Ela esperou at estarem fora do predio para lhe dizer os resultados,
querendo ter certeza de que ele estava acordado o suficiente. Ele
parecia estar alerta, mas ela praticamente o forou a tomar o caf da
manh, quando ele se negou a fica num quarto disponivel do hotel.
Uma comida bem equilibrada, e duas xicaras de caf depois, e ela finalmente
o deixou ir.

Os efeitos da digesto e cafena o mantiveram no caminho at que ele
estava a um bloco de casa, mas Mulder conseguiu parar na frente do predio
sem bater em ninguem. A metade dos carros dos vizinhos j tinham sado,
e ele nao encontrou dificuldade em achar uma vaga. Ele acenou com a cabea para
um dos inquilinos que estava indo trabalho, e pensou, enquanto destrancava
a porta, de como isso estava se tornando uma atividade regular.

//Estranho// ele quis saber enquanto acendia a luz. //Eu deixei a luz
acesa aqui quando...//

Um barulho macio atrs dele pegou sua ateno, e quando ele se virou, viu olhos
vermelhos-dourados brilhando para ele, debaixo de uma cabeleira negra. Ele
pensou //Oh, inferno...//

Ento a escurido o tragou por inteiro.



PARADIGMA SHIFT

Captulo 11

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Filadlfia--19 de junho; 12:20 DA MANH

"Byron?"

Soares, concentrado na papelada sobre sua mesa, nao responde na hora,
e enquanto olha, mostra sua irritao por ser interrompido.
"Sim, Ann Marie?"

"Ahm, ns estvamos querendo saber se vamos sair a qualquer momento."

"Como eu j disse antes para voc e Mildred, assim que Dana for
corretamente iniciada, vamos nos mover e continuar de onde paramos.
Sally fez os arranjos necessrios enquanto estavamos viajando."

"Ah". Ann Marie apertou o punho por um longo momento antes de perguntar.
"Voc tem certeza de que ela vai concordar em ficar conosco. Bem, ela  uma
agente federal e ..."

"Acho que ela vai concordar prontamente, depois que eu explicar as coisas
pra ela. Qualquer submissao mortal dela morreu quando ela veio. Ela pertence
a ns agora, e se ela tiver qualquer objeo em deixar sua antiga vida,
eu sei que posso motiva-la a reconsiderar." Soares sorriu quando pensou na
pequena ruiva que tinha entrado na casa dele h quase uma semana. O primeiro instinto
dele foi se alimentar da intrusa e deixar a casca dela no predio desocupado
como um misterio sem resposta, mas quando ele viu a pele translucisa, 
os olhos de safira, a boca delicadamente moldada, e o cabelo ruivo, ele
decidiu completar sua propria coleo com ela.

Mildred era morena, atltica, enquanto Ann Marie era angelical, de natureza mais
submissa. Sally era... prtica, trabalhadora e sem imaginao como era esperado
dela, vindo de sua classe social anterior

Mas da breve conexao dele com Dana, ele sentiu uma mente rapida e uma paixao
profunda que ele nao tinha encontrado h muito tempo. Com o conhecimento criminal
dela, usado para seu bem, eles poderiam iludir as autoridades por anos. O 
verdadeiro desafio, ele pensou, seria corrigir a natureza voluntariosa
dela, e transformar isso para o que uma mulher foi destinada a ser: suave, 
encorajadora do homem para quem ela estava presa, e grata pela proteo e 
preocupao que ele lhe daria.

//Como sempre devia ser. As mulheres se iludem achando que podem
tomar as proprias decisoes sem supervisao de um homem. Elas nao tem inteligencia
suficiente e nem carater moral para dar alguma contribuiao exceto dar
 luz. Se elas fossem soltas, elas poderiam distrair os homens, trazendo caos
 sociedade. Nenhuma das minhas mulheres pode ter um filho, ento eu tenho que
encontrar outro trabalho para elas, e orienta-las, mente e alma, para que elas nao
conduzam outros  ruina.//

"Mas e sobre o parceiro dela?"

O tom da voz dela o alertou para o real motivo atrs da pergunta.
"Deixe o parceiro dela comigo. Nem voc, e nem Mildred podem
toca-lo de forma alguma. Entendido?"

"Mas por que Mildred e eu, e no Sally?"

"Sally no precisa saber. Agora, v e conte para Mildred o que eu 
disse. Melhor ainda. Diga pra ela que eu quero ve-la.... *agora*" ele fez
uma de suas mais perigosas expresses, que indicava o que aconteceria 
caso suas ordens nao fossem cumpridas.

A loira saiu pela porta, voltando com sua irm mais velha antes do que
Soares pensou, confirmando a suspeita dele de que Mildred estava 
esperando no outro quarto.  Quando a antiga cantora se virou para
sair, ele disse, "No, voc fica tambm. Nao quero nenhum engano depois
disso." Anne Marie acenou com a cabea, mas ficou perto da porta. Mildred
foi inteligente o bastante para ficar quieta e esperar at Soares falar
com ela, mas a linguagem de seu corpo, assim como o vestido que usava, 
at meia coxa, indicava claramente que ela planejava estar em outro lugar,
e estaria saindo assim que ele terminasse a conferencia dele.

"Mildred," ele comeou calmo, saindo da cadeira e andando pra ela.
"Por acaso eu nao deixei claro para voc ou Ann Marie, nos ultimos
dias, sobre Dana, ou como amos proceder com as aquisies, assim que
nos mudssemos? Se no entendeu, eu gostaria de saber diretamente de
voc, e no da sua parceira a."

"Bem..." Mildred comeou a dizer, olhando para Ann Marie, e por isso no viu
o ataque contra sua cabea. Ela ficou tonta, e um punho foi direto em seu estomago.
Ela tentou se enrolar, em autodefesa, mas ele a puxou pra cima, e falou.
"Entenda bem. Voc faz o que eu mando. Sem variaes, sem licena potica,
sem mudana de ultima hora e todas essas outras desculpas que voc d depois
de fazer o seu trabalho. E sabe por que?" ele continuou mesmo com soluos
e choradeiras, a ultima sendo de Ann Marie. "E voc sabe por que?"

Mildred tentou se lembrar da resposta correta, das conversar anteriores,
mas a dor apagou a habilidade dela para se lembrar. "Nao lembro... Byron,
por favor..."

"'No se lembra?' Bem, eu vou ter que refrescar sua memria." outro tapa.
"Voc faz o que eu mando porque tudo que voc acha que possui  meu.
Desde as camas boas que voc dorme, at as viagens de primeira classe
pelo mundo, e a mesada que eu te dou para voc comprar brincos" ele tocou um
e entao puxou, ferindo a orelha dela. "E at este vestido barato" ele apertou
um punhado de pano e puxou, rasgando, suas unhas machucando a carne dela.
"Este material  barato, assim como a prostituta que o usa. E depois de 
toda educao e cuidado especial que te dei,  assim que voc me paga?"
Ele rasgou o resto do vestido, e a jogou no chao. "De costas!" e 
comeou a chuta-la. Ela conseguiu levantar e foi para a porta. "Nao deixe
ela sair, Ann Marie!"

O vo impetuoso de Mildred foi parado por uma porta fechada e uma figura
tremula. Ela tentou segurar o que sobrou do vestido enquanto implorava. "Por
favor... Ann Mariee... voc sabe que ele vai me matar... por favor, me
deixe ir..."

Lgrimas desciam pelo rosto de Ann Marie enquanto ela chorava. "Eu sinto muito,
Millie... eu sinto muito... eu nao posso... ele vai me matar se eu te ajudar...
eu sinto muito" ela fechou os olhos.

Soares agarrou Mildred pelos cabelos e a jogou contra a janela. Vidros
cortaram sua pele, e o vampiro dentro dela veio  tona. Mas Soares era
mais forte. Agarrando com fora, ele a levou para a lareira, onde enfiou
a cabea dela dentro do fogo.

"*Nooo!" ela lamentou, o grito sufocado. Depois que acabou,
ele falou.

"Se eu nao precisasse que voc trouxesse Dana amanh  noite, eu te colocaria
l fora, para esperar o sol. Mas as outras duas nao so fortes o bastante
para segura-la caso ela resista, entao voc tem outra chance para viver. Obedea,
e voc pode ficar aqui. Se voc falhar, eu vou fazer sua irm mais nova acabar
com voc." Ele voltou para a mesa, ordenando. "Tira essa cadela queimada da
minha frente. Ela no vai deixar a casa at segunda ordem."

Ann Marie hesitou, com medo de se mexer, e dele bater nela, e entao ela correu
para o lado de Mildred. Ela quase lamentou ao ver a mulher, mas conseguiu
tira-la de l.

Byron as observou saindo, e fecharem a porta. //Dizer para elas ficarem
quietas s vai aumentar o barulho. Mulheres e crianas so muito parecidas.//
Ele se sentou, e pegou o celular deitado sobre uma pilha de revistas, e apertou
dois botoes.

Dois toques depois, um click e <"Scully".> 

" a agente Dana Scully?"

<"Sim">

"Excelente. Meu nome  Byron Soares.  Acho que j nos conhecemos,
na ultima quarta-feira, na minha casa. Voc se lembra de mim?"

O  <"Sim".> era frio.

"Que bom. Sinto muito por nao poder terminar a nossa... conversa,
mas foi um encontro limitado, devido  hora do dia. Eu gostaria de continuar
de onde paramos. Eu sei que voc deve estar bem confusa sobre o que
aconteceu, e a verdade  diferente do que voc deve ter ouvido.
Voc deve ter muitas perguntas, e eu tenho certeza de que a nica pessoa
de quem voc poder conseguir alguma resposta til sou eu."

<"Eu sinto muito, Sr. Soares, mas exceto pelo fato de precisar te prender por
suspeita de assassinato, apropriao indbita, conspirao por contrabandear
propriedade roubada para o estrangeiro e atacar um oficial federal, acho que
nao temos nada importante para discutir.">

"Oh, eu tenho certeza que temos. Eu marcaria uma reuniao para esta noite,
mas estou atolado de servio, e at a hora de terminar, j vai estar amanhecendo.
E esta  uma limitao que nos assiste, como eu sei que voc j descobriu at
agora. Nao estamos na casa da cidade, entao vou ter que enviar alguem
para te encontrar num local marcado e te levar, que tal, amanh  noite?
Que tal quatro horas da manh? S voc e eu, minhas parceiras, seu parceiro,
e todo mundo sentadinho para uma pequena conversa ntima...*sozinhos*."

<"Meu parceiro?">

"Sim. Ele foi bem inteligente em ter seu numero programado no dial de velocidade
dele. Ele nao disse muito desde ontem de manh, e ele nao est disponvel no
moment--" um som de medo e pura raiva o fizeram sorrir. "mas eu sei que ele vai 
concordar comigo de que voc precisa de alguem para te ajudar em suas novas habilidades
e funo, dentro de suas restries."

<"Onde ele est?">

"Em um lugar seguro.  Ainda caminhando no lado ensolarado da rua, se
 isso que te preocupa. Mas nao seria um incentivo para voc vir se alguma coisa...
infeliz... acontecesse com ele."

Outro silncio emocionalmente carregado, e uma voz quase inexistente 
falou, <"No, no seria. Onde  o local, e quem devo esperar?>

"Preciso falar com alguem sobre isso, e te aviso amanh. Boa noite, minha
querida" ele desligou de repente, nao dando chance para ela identificar
a chamada. 

//A voz era encantadora, mesmo sendo um pouco estridente. Ah, tudo
bem. Eu gosto de um desafio// A tentativa para recobrar Dana foi um desafio.
Ela o deixou muito fraco para confrontar o macho que veio atrs dela,
e Byron teve que ir para um hotel, debaixo de falsos nomes, fazendo
planos para partir e cobrindo suas pistas e recobrar suas foras, entao ele
teve que esperar at segunda  noite para viajar para Washington e a reivindicar.

Ela no estava em casa quando ele foi para l, e a tentativa de acha-la
no predio do FBI foi contrariada pelo fato de que o laboratorio Forense
no tinha acesso pela entrada principal, entao ele vagou por varios andares
antes de conhecer o caminho. 

Ele at tocou a mente dela uma vez quando sentiu a presena dela l,
sentindo suas emoes caticas e recordaes antes de se retirar. Quando 
ele conseguiu fazer outros guardas sarem de seu caminho, e chegou ao 
andar correto, ele j nao podia mais senti-la.

Frustrado, ele teve Mildred e Ann Marie deixar a vigilncia deles/delas dentro
Annapolis e o une ao endereo do scio onde eles eram mais
prspero.  Eles passaram o dia no apartamento dele, ento voou com seu
corpo inconsciente para o townhouse e retomou residncia l.

Apertando o botao do interfone sobre sua mesa, ele ordenou.
"Sally, me encontre na sala de estar."

Uma pausa, seguida por "Estou a caminho, senhor" Poucos minutos depois, alguem
bateu na porta. "Sou eu, senhor."

"Entre."

Ele observou a reao dela para a baguna e sorriu quando ela s piscou, 
e disse. "Vou providenciar a limpeza, senhor."

"Obrigado" quando ela se virou para partir, ele perguntou. "A cozinha?"
ele era familiar com o horario dela, sabia que ela nunca se alimentava depois
de subir, e quis saber se ela pegou as outras duas roubando garrafas da
geladeira.

"Est tudo bem. Eu ia checar nosso 'hspede', e caso ele esteja acordado,
pensei em oferecer algo para ele."

"Claro. Nao devemos negar hospitalidade, afinal de contas. Cuide disso primeiro.
Preciso ter certeza de que ele est em boa sade para a iniciao, amanh."

"Sim, senhor ".

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PARADIGMA SHIFT 12
por Linda Stoops e Andrea Brown

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Sally levou a bandeja de comida para o poro, onde antes a agente do 
FBI tinha encontrado Soares. Agora, o parceiro dela era seu residente atual.
Ele seria refm at que Soares ordenasse sua destruio, por ele,
por elas, ou pela prpria agente. 

Novatos eram quase to vulnerveis quanto mortais, pois estavam presos
no medo, choque e sede. Com o passar do tempo, eles se acostumariam,
e a influencia do mestre enfraqueceria. Mas no com Soares. Os vampiros
criados por ele no fugiam, de uma maneira ou de outra; ela s soube
de um que conseguiu escapar. O resto morria pelas mos de Soares.
Mildred chegou bem perto desta vez, e Sally quis saber se a mulher
iria sobreviver mais uma semana, assim que o novo membro da 'familia'
chegasse.

Ela hesitou  porta do quarto, e ouviu os barulhos do outro lado.
//Ou bravo, ou desesperado// ela pensou, e bateu. "Por favor,
se afaste da porta, sr. Mulder. Trouxe uma bandeja, mas no vou
entrar se voc teimar em ser herico, e ns ambos sabemos quem
vai ganhar a briga." No havia resposta, e ento ela entrou,
fechando a porta logo depois.

Ela notou mais algumas marcas na porta, revelando que o cativo estava
tentando encontrar outros meios de fuga desde que acordou neste novo
ambiente. //No iria adiantar muito//

Enquanto o cativo a vigiaiva de p, Sally se lembrou de um animal
pronto para fugir. Ela sorriu, e tentou coloca-lo  vontade.
"Sinto muito se elas no foram suaves com voc, mas sutileza no 
 um atributo muito forte delas." ela sustentou a bandeja.
"Voc no comeu nada desde ontem  noite, assim pensei em trazer algo
para voc."

"Po de gengibre?"

"Como?" ela foi pega de surpresa pela pergunta.

"Bem, presumo que, j que vou ser o prato principal, seu trabalho 
me engordar, no ?" ele seguiu at a cama, perto da parede, mantendo a
distancia enquanto ela colocava a bandeja abaixo.

"Ah, sim," ela deu um meio sorriso ao ver a referencia ao conto de fadas,
mas notou o cheiro de medo nele. //Ele sabe que vai morrer logo, e ento
faz piadas para manter a mente leve// "Desculpe, no temos isso,
e eu duvido que um osso de galinha possa ser usado aqui" ele deu
de ombro. "Se voc precisar de qualquer coisa, posso tentar arrumar."

Mulder no se moveu at que ela parou na porta, esperando pela resposta
dele. Ao invs de responder, ele se sentou na cama, e olhou debaixo da toalha
antes de falar. "Ento, voc  uma das noivas do drcula?"

Sally tremeu ao ouvir a comparao, dizendo, "Sr. Soares  meu 
empregador, como ele  para os outros." Decidindo ir adiante, ela
somou. "Mas o que ele quer com sua  parceira, por outro lado, pode ser
algo diferente" ela descobriu um rastro secundrio de raiva no ar,
mas ele no parecia reagir. "Ela deve vir logo, amanh de manh."

"O que te faz pensar que ela viria?"

"Sr. Soares planejou certos... incentivos." ela no sabia o que era,
mas suspeitava de um ou dois telefonemas.

A imaginao de Mulder exibiu alguns enredos desagradveis, e ele
testou as guas onde ele sabia que seria jogado sem remo, nem canoa.
"Como usar o lao-sanguineo entre ns para fora-la a vir aqui?"

"O que  que voc sabe disso?" ela perguntou, suspeita. Soares
tinha mencionado tais conexoes no passado, mas raramente eles mantinham
um mortal vivo o suficiente para explorar isso. A idia de que o lao poderia
afetar o vampiro a intrigou. Ela se aproximou da cama, esquecendo de
fechar a porta devido  sua agitao. "Ela te pegou? Onde ela te mordeu? Quando?"

"Ela no me pegou" ele explicou enquanto levantava a manga para
mostrar a cicatriz. "Eu me entreguei."

Sally encarou a linha quase invisvel no antebrao do homem, sua
mente bobinando. Ela nunca ouviu falar sobre um mortal se submeter
de boa vontade para a necessidade de um vampiro exceto em romances de fico,
mas ela sabia que haviam excees. E um vampiro no podia pegar
o escolhido do outro.  Soares tinha que saber disso, e que este mortal
estava fora dos limites at que Dana lhes desse permisso.

Mulder observou a mulher sair do quarto e fechar a porta de novo. Ele
no sabia qual seria a reao dela ao mencionar o lao, mas ele esperava
que sua confisso lhe comprasse algum tempo. Conferindo o contedo da
bandeja mais uma vez, ele virou o olhar para cima, e murmurou. "Onde
voc est, Maria? Joo est prestes a ser mastigado."

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

20 de junho; 12:45 da manh

"Bem, acho que  tudo." Mildred anunciou, olhando as duas malas a seus ps.

"Por que voc no vai embora, simplesmente?" Ann Marie sugeriu.
"Eu digo que voc esteve aqui a noite toda. Voc nao deveria desperdiar
tempo num gesto to futil, e que s vai nos meter em problemas."

"Oh, mas no  ftil, Annie," Mildred respondeu com um sorriso venenoso.
"Alm disso, voc no sabia que eu ia fazer isso, porque eu estava aqui
na cama a noite toda. Voc mesma disse."

"Mas voc conhece as regras..."

"Ffeh! Regras so feitas por pessoas que querem impedir que outros faam o
que eles querem fazer. Byron manda em mim desde 1912, e estou cansada de
ficar sendo seu brinquedinho, e s apanhar quando mostro iniciativa.
Pensei que me tornando um vampiro, iria ficar livre desse tipo de tratamento,
mas ele no  melhor do que os homens mortais."

//E voc demorou tanto tempo para perceber isso?//
Ann Marie pensou, relutante em brigar com Mildred para tenta-la
impedir de cometer um perigoso erro. "Voc pode ficar fora do alcance
dele depois desta noite, mas, e ns? Ele vai saber que voc conseguiu dinheiro
de algum lugar, e mesmo que ele no consiga a verdade de mim, ele
vai saber de um jeito ou de outro, e vai ser o inferno quando ele perceber
que voc no vai voltar."

"Se ele cair em cima de algum, provavelmente vai ser sobre Sally. Ela
vai ter que explicar para onde foi o dinheiro da minha conta depois que
ela a fechou. Voc pode dizer que eu devo ter roubado seu cartao 24 horas
ontem, e sa antes dele nos chamar para a sala. Ele no olha os extratos. Isso
 trabalho da Sally."

A expresso de Ann Marie ainda era duvidosa e apreensiva. "Alm disso,
ele no pode perder Sally. Antes, ele fazia maior parte da contabilidade.
Agora, tudo que ele faz  falar com os clientes, pesquisar o sistema
de segurana da obra, entregar os bens e gastar a parte dele do dinheiro.
Ns trs  que fazemos o trabalho de verdade, e ele no tem mais tempo
para voltar a fazer isso. Tudo que voc tem que fazer  se fingir de
boba - como voc disse, ele espera isso de voc - e ele nao vai
te pertubar."

Ann Marie esperou at ouvir os passos de Mildred diminuirem, antes de sair
pela porta. Ela hesitou e pensou em como impedir a vampira de ir ao poro.
//Talvez eu devesse deixa-la ter o mortal, e ento aquela mulher-agente
no ter motivos para vir aqui. Talvez Byron no vai nos castigar demais
se o homem morrer, mas ele est to fixado em trazer a federal para 
c, que depois que ele terminar conosco, ele vai caar Millie e vai mata-la,
s por vingana.  Mas ela no quer me escutar! Se eu for atrs dela, e fizer
uma cena, isso pode chamar a ateno, e vai ser pior do que antes//.

Ela agonizou por vrios segundos sobre o prximo movimento que deveria fazer, 
ento saiu do quarto e foi para a porta de Sally. Ninguem atendeu suas batidas,
e isso a deixou com medo, at que Mildred se lembrou de que Sally
normalmente estava on-line a esta hora, fazendo negocios com o distante
Leste, ou vampiros da Costa ocidental, e na Europa, o que significava
que ela estava na sala de estar.

Sally estava no meio de uma busca por uma propriedade quando uma 
frentica Ann Marie entrou na sala. "Estamos com problemas, eu
preciso que voc pare ela antes que ela faa alguma besteira. Eu disse
pra ela que era uma idia ruim, mas ela nao me escutou, e se ele
descobrir..."

"Ann... Ann, o que ela vai fazer?" Sally sabia que Ann Marie raramente ficava
apavorada sem uma boa razo, e a angustia da loira a alertou. O olhar
de Ann Marie caiu ao cho, indicando o poro, e o olhar desamparado,
e o suspiro medroso foram as unicas respostas que Sally precisava. "Meu
Deus..." ela respirou, e saiu correndo, com Ann Marie na sua cola.

"Voc no vai contar pra ele, no ? Ele ainda est com raiva de..."
Ann Marie comeou enquanto elas corriam para a cozinha.

"Deixe que eu resolvo isso, Ann. Voc sobe para o quarto dela 
e esconda qualquer prova de que ela estava a ponto de partir. Ele no
deve saber o que ela planejou, porque ele vai suspeitar que voc
est metida nisso, e ele vai atrs de voc tambm" a outra vampira
hesitou, mas Sally a espantou. "V logo, antes que ele nos oua." 
Ann Maria saiu correndo pelo corredor.

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Mulder acordou quando ouviu o barulho na porta, e sentiu que alguma coisa
estava errada. Ele se sentou, e colocou as pernas fora da cama, esfregando
os olhos. Quando a porta se abriu, e ele viu a vampira alta e de cabelos
escuros, ele sabia que ela no ia lhe dar chance para fugir. Ele viu o
mesmo olhar no rosto de Scully quando o vampiro a controlou, e a memria
o fez fechar os olhos, e se enrolar como uma boa, as mos apertadas atrs da cabea
para proteger sua garganta.

"Oh, Foxizinho, no aja dessa maneira" ela ronronou, fechando a porta. Seus quadris
balanavam enquanto ela se aproximava ainda mais da sua presa. "Eu s quero
falar com voc um pouquinho. Vamos l, sente-se direitinho, como uma pessoa
normal, e vamos conversar, ok?"

"No," uma voz amortecida veio da figura amontoada.

"Eu nao tenho tempo para isso, Fox, ento seja um bom menino e olhe
pra mim" ela carranqueou ao ver ele tremendo a cabea, negando, ento escutou
a batida do corao dele, e alterou a voz dela, para comando. "*Olhe* para
mim, Fox."

Ele sentiu as palavras em sua mente, mas ele a fechou do lado de fora.
Ele estava comeando a se afastar para a porta quando sentiu mos agarrando
sua gola e cs, e logo ele estava voando contra a parede. O impacto quebrou
sua postura defensiva, e sua concentrao, mas ele fechou os olhos
de novo quando caiu no cho.

Ele fugiu at que suas costas batessem contra o concreto, e retomou sua
posio de ourio, pouco interessado com dignidade nesta hora de 
sobrevivencia. Dedos como ganchos de ao agarraram seus pulsos e tentaram puxa-lo,
preparando-se para esmagar osso, assim ele resistiu, e a enfureceu mais ainda.

Ele foi arrastado pela gola e batido contra a parede uma, duas vezes. Na terceira,
ele amassou no cho. E foi colocado de p, e sua camisa foi aberta no pescoo.
"Agora, homenzinho" ela assobiou, triunfante, enquanto colocava a cabea dele para
o lado. "Vamos ver se voc vai prestar pra ele depois disso."

Em sua ltima tentativa para se libertar, Mulder quase perdeu o som
de uma porta se abrindo e passos atrs de sua atacante. Ele sentiu ela descendo sobre sua
garganta, e hesitar, como se tivesse ouvido o barulho tambm. Mas ela nao
teve tempo para se virar - simplesmente foi  arrancada pra trs, deixando 
Mulder cair no chao. 

Um segundo depois, um som molhado de mastigaes, e os gritos agudos dela
o fizeram abrir os olhos o suficiente para testemunhar Soares sobre o corpo
dela, erguendo uma espada. Mulder fechou os olhos antes da arma descer, no precisando
ver a decapitao que ele sabia que viria logo.

Soares olhou para baixo ao cadver que se contraa a seus ps, dando um
olhar superficial para a vitima de Mildred, e ento se virou para a mulher
 porta. "Limpe essa baguna. Chame algum para ajudar. Ela tem uma lio
para aprender esta noite" Ele voou para o segundo andar.

Sally no se aborreceu em ver seu empregador partindo, mas suspirou pesarosamente
sobre o corpo, e foi para o cativo ainda vivo. Ela colocou uma mo sobre o
ombro dele, e nao ficou surpresa quando ele ofegou e vacilou ao seu toque.
"Est tudo bem, sr. Mulder. Sou eu, Sally. Ele foi embora. Voc pode abrir os
seus olhos."

A voz familiar dela fez Mulder olhar, sabendo instintivamente que ela
nao tinha desejo para seu sangue, e que ele estava seguro por enquanto. 
Ele se sentou, apoiou o cotovelo sobre o joelho e deixou a cabea quase entrar
dentro do peito enquanto contava as contuses e choques que seu corpo sofreu 
nos ultimos dois minutos. Finalmente, ele olhou pra ela, rapidamente para
Mildred, e entao para ela de novo. "Por que?"

Sally no se incomodou em seguir para onde o agente estava indo.
"Ela sabia que voc no devia ser tocado, mas ela e o sr. Soares tiveram
uma... desavena, e acredito que ela pretendia fazer algum tipo de declarao
antes de ir embora. Felizmente para voc, ns chegamos a tempo."

"Yeah, bem, acho que ele no est muito preocupado sobre isso. Ele s quer
me manter vivo at minha parceira chegar aqui, certo? E ento, o que acontece?
Ele vai me usar como refm para conseguir que ela v com ele?" o sarcasmo desafiador
sumiu aos poucos do rosto de Mulder quando outra possibilidade foi revelada. "Ele
vai me entregar para Scully me morder, no ?"

Ela afastou o olhar, pouco disposta a confessar que o pensamento passou por
sua cabea, embora ela tivesse certeza de que Soares faria o que lhe daria
maior lucro e menor esforo da parte dele. Fora Dana a fazer algo que
Sally sabia que seria detestvel para a agente daria para Soares mais
controle do que ele tinha tido com suas outras conquistas. O empregador
dela tinha um lado cruel, mas ela nunca viu este lado sdico do homem.

//Mas na ltima noite, ele foi mais excessivo que o normal// 
Ela olhou para o mortal de novo, e respondeu, cansada. "Se ele vai fazer
isso? Com toda a honestidade, sr. Mulder - eu no sei."



PARADIGMA SHIFT 13
Linda Stoops <jassmoris@yahoo.com>

por Linda Stoops e Andra Brown

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Centro da cidade de Filadelfia - 3h10 da manh

Ann Marie conferiu a hora e olho o cu noturno pela dcima vez em
uma hora, ficando cada vez mais furiosa com Byron Soares, e com
Dana Scully, enquanto se passavam os minutos. Ele a enviou no lugar
de Mildred, para encontrar essa Dana, no telhado do shopping. Ela sabia
que era melhor no recusar, mas ela mostrou seu ressentimento confrontando
Sally sobre revelar para Soare o plano de Mildred para matar o
humano. A mulher mais velha foi concisa e brutalmente franca, lembrando
Ann Marie o que Soares tinha feito para ela sobre o pecado secundario do
roubo, e que sendo cumplices da desobediencia aberta de Mildred poderia ser
fatal para elas duas.

//Isso  tudo culpa dela// Ann Maria xingou pra si mesma.
//Se ele no quisesse tanto assim outra mulher, Millie ainda estavaria
viva, e tudo seria como antes. Agora, eu tenho que me sentar aqui, e
esperar ela aparecer para que eu possa leva-la para casa. Bem, ela no vai
desfrutar da nossa estadia por muito tempo.//

O mal-humor dela foi suspenso por um movimento sobre as luzes da cidade
e a sensao crescente da presena de um vampiro. Ela afiou a viso
noturna e olhou para o cu, para encontrar o visitante, que parou tempo
o suficiente para ve-la antes de se afastar e ir para fora do centro
da cidade. Confusa e brava, Ann Marie foi atrs.

Scully olhou sobre o ombro para ver se a loira a estava seguindo, ento ela
trocou para uma corrente de ar mais rpida. Parecia que Soares tinha
ficado satisfeito quando ela falou que aprendeu os fundamentos do vo sozinha,
e isso era o que ela e Nick tinham planejado. Eles decidiram manter a exposio
dela para outro vampiro em segredo, iludindo Soares de que Scully ainda era
razoavelmente ignorante. Ela no queria revelar muito, mas ela tinha que
manter distancia da escolta atrs dela.

J que ela sabia que poderia precisar da habilidade para localizar suspeitos mortais
no futuro, ela parendeu a negociar com os ventos irregulares entre os
edificios mais altos de Washington e Annapolis durante  noite, praticando o
vo. //S espero que ela nao tenha aprendido as mesmas manobras, ou isso vai
levar muito mais tempo do que planejado//

Quando ela chegou ao primeiro bloco, Scully desceu alguns andares e nivelou.
Olhando para ter certeza de que a mulher a estava seguindo, Scully cruzou mais
trs ruas, fez uma manobra, e se escondeu quando ela viu Ann Maria passar.
Ela viu a loira diminuir a velocidade, olhar para os lados, para cima,
e ento parar completamente.

Scully sabia que s tinha segundos para agir antes dela
olhar pra trs, entao ela mediu o angulo de ataque depressa, apertou
as maos e se inclinou como um falco sobre um pardal, pegando a mulher
entre os ombros, e a jogando contra o asfalto.

Ann Marie tinha sentido Scully perto, mas no definiu o local
antes de ser atirada como uma bala de canho no meio da rua. Ela nao
teve chance de se recuperar do impacto, mas foi puxada de p, arrastada
pela calada, e teve o rosto empurrado contra um prdio. Depois de 
anos cumprindo papis de gneros mortais, e trabalhar para Soares, 
ela estava condicionada a nao lutar com ninguem maior do que ela, ento
ela nao resistiu no comeo, mas quando Scully a virou, e Ann Maria viu
que elas eram quase do mesmo tamanho, ela deixou a raiva anular
todos seus outros reflexos e golpeou a agente. 

Qundo a mao dela agarrou e perdeu um punhado de cabelo ruivo, mas pegou
uma corrente de ouro, ela puxou a corrente numa tentava para trazer Scully
mais perto para as garras dela.

A mo dela apertou ao redor da cruz.

Scully tinha comeado a evitar o ataque subito de Ann Maria quando a vampira
mais velha deu um guincho de dor e caiu aos ps de Scully, apertando a mo
queimada e lamentando. "Mantenha isso longe de mim!"

//Ento, isso funciona.// Ela estava disposta a aceitar a palavra de 
Nick em relao a objetos religiosos - e que ela era exceo - mas vendo
a prova agora, confirmou isso pra ela. //E se isso afeta uma das criaes
de Soares, ento vai queima-lo tambm, pois ele tem impressionado ela
com as convicoes que *ele* possui.// "Tudo bem, estou guardando a 
corrente" ela disse, colocando o cordo debaixo da blusa. "Mas eu tiro
se voc no responder s minhas perguntas."

A advertncia, uma variante no padro usado pelo "policial duro" num
interrogatrio, foi levado como uma ameaa. //E ela age como Byron, tambm.//
Carranqueando, Ann Marie devolveu. "Mas eu deveria te levar para a casa."

"A Casa?" Ann Marie acenou com a cabea. "Mas ele disse que estava ficando..."
Se lembra da ultima vez que voc acreditou no que ele disse?
"Mais mentiras, claro. Meu parceiro est l?"

Outro aceno, seguido por uma zombaria.  "E Byron fez de tudo para
que no o tocassemos at voc chegar l" //O sangue de Millie est em suas 
mos tambm...//

"Quem mais mora l?" Ela pisou pra trs, dando espao para Ann Marie ficar
de p.

"Sally... sua secretria." a dor na mao estava diminuindo, mas ela continuou
segurando-a, encarando o local onde o objeto estava escondido. //Como ela
consegue suportar isso, ainda mais usar no pescoo?// A divergencia descarada
do que ela aprendeu fez ela odiar ainda mais a novata.

"Ela  um vampiro tambm?" um aceno curto desta vez, e Scully sentia
traio debaixo da onda de raiva fluindo da mulher hostil.
Debaixo de circunstncias mais tranqilas, Scully teria tentado conduzi-la
para esclarecer isso //Mas nao tenho tempo para entrar numa dinamica
familiar, e este  o campo de Mulder, e no meu// "Tudo bem, Ann Marie, ns
vamos para a casa. Se voc estiver metida em qualquer dos atos ilegais
do sr. Soares, vamos ter que te levar para fazermos algumas perguntas. //Mas,
agora, estou mais interessada em pegar Mulder inteiro. Vampiros problematicos
so mais interessantes, mas agora nao.//

Ann Marie no podia ouvir os pensamentos de Scully, mas o bufo sarcastico
dela fez parecer como se ela tivesse respondendo  ultima declarao. 
"Voc espera que sigamos quietinhos para a priso de mortais? Nossa, voc
 imbecil! Acho que isso explica por que voc pode usar essa... essa coisa."

Scully recebeu insultos piores de suspeitos, mas isso nao a aborrecia,
mas ela decidiu responder, pelo menos para plantar uma semente de
duvida na credibilidade de Soares, e possivelmente, ganhar a
cooperao de Ann Marie. "Posso usar uma cruz porque nao tenho medo dela."

"Mas ns deveriamos ter."

"E por que?"

"Byron disse isso... toda as historias nos dizem isso. Monstros nao podem
tocar coisas santas."

Scully quase sorriu ao eco no intencional de uma conversa parecida.
"Se eu achasse que era um monstro, Ann Marie, eu poderia acreditar nisso.
Mas nem todos os vampiros so monstros." //Nao posso dizer o mesmo do seu
chefe.//

Ann Marie fez um barulho rude.  "T legal. Menos de uma semana desde que
voc veio, e voc j  uma perita. Aposto que voc leu todos os livros
de fico: vampiros heroicos... que porcaria!"

A facilidade dela para ficar com raiva e desprezo estava comeando a deixar
Scully sem paciencia, e ela sentiu os caninos se estendendo com o desejo
para bater na loira at o proximo municipio. Ela tragou a tentao e
simplesmente disse. "Vamos."

"Claro. Vamos acabar logo com isso" ela fez um show para voar,
no se preocupando se algum mortal estava olhando, e nem se Scully
a seguia.

//Sndrome clssica da esposa desprezada// Scully pensou enquanto saltava atrs
de Ann Marie de um local mais discreto. //Posso apostar que ela no tem
amor por Soares -  evidente na voz dela, mesmo nao podendo sentir as
emooes dela - mas ela fazia o que ele mandava, como um cachorrinho. Ela
aguenta isso porque sente que nao tem para onde ir. Eu acho que, para
ela, sou a mais recente amante dele, e isso explica a hostilidade. Ser
que ela vai nos impedir de ataca-lo?//

A casa era um pouco distante do centro comercial, e Scully tinha
certeza de que Soares planejou isso para que quando  ela confrontasse ele, e
soltar Mulder, o amanhecer estivesse desponsando, e nao havia nenhuma
garantia de que seu parceiro estaria em condies de ser levado para
longe da casa. //Pelo menos ele ainda est vivo//.

Da sala dos monitores, Sally mexeu na cmera externa
para ver a aproximao das duas mulheres, focalizando em Ann Marie,
e ento Scully //Ele sempre teve uma fraqueza para ruivas// ela se lembrou,
pois ele sempre as cortejava antes de leva-las. 

Enquanto elas entravam na casa, Sally foi para outro monitor, movendo
os controles da mquina. Ela notou que a agente mirou diretamente na
cmera enquanto Sally fazia os ajustes. //E eu vejo que
voc aprendeu a usar a audiao especial. Voc vai precisar disso,
assim como tudo mais, para sobreviver  proxima hora.//

Quando Ann Marie foi para a biblioteca - o lugar da reuniao - Scully
hesitou perto da porta durante um segundo antes de se juntar a ela.
//Destrancando a porta, no ? Para deixar algum entrar?
No, ningum l fora. Talvez para facilitar uma fuga? Sim, isso
mesmo.// 

Ela apertou um boto, e a porta se trancou. Scully gelou ao som,
virou e olhou para a cmera, para mostrar que estava contrariada, e
ento continuou virando para sua escolta.

"Ns devemos esperar os outros aqui" ela ouviu Ann Marie dizer
para Scully enquanto elas entravam no cmodo. A novata olhou as dzias
de estantes, e Sally descobriu um sorriso fraco de prazer antes
de ser enterrada debaixo de uma eficiente mscara. //Mais um com
respeito para com livros? Ouso esperar uma alma gmea?//
Um movimento estranho da outra ocupante do cmodo agarrou sua
ateno, e ela viu Ann Marie puxar uma lana curta de debaixo do sof
e pisar atrs de Scully.

Se a agente ouviu ou sentiu seu atacante, Sally no sabia,
mas Scully girou e tirou a arma dela, batendo um soco com
um punho no plexus solar de Ann Marie, que caiu pra trs, tossindo, 
mas agarrando a lana. Ela tentou se livrar da sua vtima. Scully forou
isso pra trs, de um lado para o outro, tirando a lana das maos
de Ann Marie e jogando isso pro lado.

Ann Marie saltou sobre a ruiva, e a jogou no cho, gritando, culpando
Scully por tudo que tinha acontecido de errado nos ltimos dias,
enquanto a perplexa novata tentava argumentar com sua atacante, e manter
a lana fora do alcance. Elas rolaram de um lado para o outro no 
tapete, por vrios segundos, e ento Scully conseguiu entalar um joelho
entre elas, e jogar Ann Marie pra longe.

A ex-cantora pousou sobre uma pequena mesa, quebrando-a.
Ela rolou pra longe da madeira lascada, pegou uma das pernas,
e se atirou sobre Scully, que a atacou para tirar a perna da mesa das
mos dela.  Scully pegou o pulso da mulher, e a jogou sobre uma estante
de livros. Sally pensou que podia ver o brilho feroz arder nos olhos
de Scully enquanto ela batia em Ann Marie, mas ela estava longe demais
da cmera para ter certeza.

Uma sensao crescente de uma presena interrompeu a concentrao de Sally 
na tela do monitor, e ela ajustou o painel de controle antes de focalizar
na briga. A luta das mulheres estava no chao, mas nenhuma soltava a outra. 
//Pelo menos elas no quebraram mais moblia.// Ela ouviu a maaneta
virar, e ento a voz de Soares veio atrs de seu ombro esquerdo.

"Meu, meu... Rivalidade entre irms? To cedo..." Soares comentou
secamente antes de assistir as combatentes. Ele estremeceu quando Scully
foi lanada por uma das janelas do segundo andar, mas sorriu quando ela
voltou, rosnando, para atacar de volta. Ann Marie pegou uma cadeira
e bateu contra Scully, que caiu longe, e ento pegou uma cadeira tambm
e balanou contra  a loira. Ann Marie se abaixou, e apontou um punho
contra o rosto de Scully, que conseguiu evitar o soco.

" uma vergonha no estarmos gravando isso" ele somrou, dando um
breve olhar para os gravadores unidos s cmeras. "Poderia ser um
entretenimento e tanto no futuro." Quando no havia nenhuma reao, ele
disse. "Voc no aprova, pelo que vejo."

"No  meu lugar aprovar ou desaprovar, senhor" Sally respondeu 
num tom indiferente.

"Bom. Fico contente ao ver que alguem por aqui se lembra disso."
ele olhou o resto dos monitores e notou que alguns estavam escuros.
"O que aconteceu com as cmeras um, dois, seis e oito?"

"Mildred."

"Ah. Bem,  melhor eu ir buscar o quinto membro da nossa
pequena festa e acabar com esta tolice. Nos una assim que eu tiver as
coisas controladas l embaixo."

Sally murmurou um automtico "Sim, senhor," ao se afastar e 
ento virou a ateno para os monitores da biblioteca. As duas mulheres
estavam voando agora, rosnando e assobiando enquanto batiam em estantes,
teto, em sua luta para subjugar - ou, no caso de Ann Marie - matar
a outra. A batalha acabou quando Scully se apoiou contra a parede, 
puxou os joelhos at o peito, chutando os dois ps no peito de Ann Marie,
que vinha pra cima dela, com as garras  mostra. 

A fora do pontap enviou Ann Marie pelo cmodo, e ela bateu com o ombro
numa estante de livros. Sally apertou a boca quando pensou ter ouvido uma
vrtebra estalar com o impacto, e ela prendeu a respirao quando
Ann Marie amassou na passarela e ficou deitada como uma boneca de
pano. 

Ela encarou o corpo sem vida antes de olhar para o monitor que mostrava
a sobrevivente. Scully se ajoelhou ao lado do oponente derrotado, e tentou
achar um pulso, embora Sally soubesse que a agente no acharia um, mesmo
se Ann Marie estivesse viva.

Scully se moveu e olhou--para o que, Sally no podia ver - mas a porta
da biblioteca se abriu e Soares entrou com seu refm, e isso explicou
a ao estranha da mulher do governo. //Ela os sentiu aproximando. Ou
um, ou outro, nao posso dizer. Agora vamos ver se ele pode controlar
a mulher moderna, novata ou no. Se no,  morte para ela e seu parceiro.//

"Bom dia, Dana" Soares comeou, um rastro de presuno em sua alegre
saudao. Quando ele viu sua mais nova aquisio, ele parou, olhando
a cena, e no disse at esvaziar o fardo humano dele sobre o
sof. Quando Mulder no se sentou imediatamente, Sally achou que
Soares ou tinha levado o mortal de surpresa, ou tinha conseguido
passar suas barreiras.

// melhor voc nao estar acordado mesmo. Voc no vai ter que ver
o rosto dela quando ela te levar.//

A expresso na face de Scully era ilegvel na tela, mas o tom
repugnante na voz era evidente at mesmo para um estranho. "Ela
est morta, Soares. Isso era uma de suas ordens?"

"Claro que no, minha querida. Se eu quisesse que voc fosse destruida, 
eu nunca te teria trazido pra c. No - ela foi morta por causa de 
estupido ciume que tinha de voc - e por causa dos seus excepcionais cursos
de autodefesa do FBI - foi isso que a matou.  uma vergonha, mas acho
que no adianta mais nada lamentar, no ?"

At mesmo por cima das cmeras, Sally podia ouvir as vibraes
dele tentanto manipular os pensamentos da mulher ruiva. H muito tempo
atrs, isso no fazia mais efeito nela. //Tudo que ele precisa fazer 
te-la sob controle o suficiente para matar, e ento no h retorno.//

"No, no pode. Mas no era minha inteno mata-la."
Scully subiu e deu um passo para as escadas, hesitando e olhando para
a grade, como se pensando se saltava ou no, mas ela preferiu descer
normalmente.

Soares olhou sua descida, no dizendo nada at que ela chegou ao fundo. 
"Por que caminhar, criana, quando voc pode voar?" ele falou, meio
que caoando dela.

"Porque eu quero," Scully respondeu, indo para o sof.

"Ainda se agarrando a hbitos humanos... 
faz tanto tempo que mudei, que tinha me esquecido como  forte a 
necessidade para negar a nova existencia, e recorrer s antigas maneiras..."

"No estou negando o que sou, o que voc me fez ser.
Mas eu escolho quando e onde eu uso minhas habilidade, e nao simplesmente como
num ato de capricho."

"Um excelente ponto de vista. Voc mostra muito mais controle e restrio
do que suas irms mais velhas nunca mostraram." ele parou, como se para
medir a reao dela, antes de continuar. "Bem, pelo menos elas no 
estaro aqui para lhe ensinar hbitos ruins."

"Sua 'associada', Ann Marie, aparentemente me culpa
pela morte de algum chamada Mildred, mas ela nunca explicou o
motivo."

Ele deu de ombros. "Quem sabe por que algumas mulheres fazem certas
coisas?"

Se Soares no notou, Sally notou que a novata enrijeceu  pergunta
retrica dele. //Cuidado, jovem. Ele vai tolerar divergencia at certo
ponto, e se voc quiser o proximo por-do-sol,  melhor escolher suas
palavras com prudencia// Para o alivio dela, a resposta de Scully foi um som
reservado na garganta.

Soares levou o som vago como um acordo, porque
ele mudou de assunto, confiante. "Ento, agora, voc est aqui. 
Voc vai morar e trabalhar conosco, e vai ver que ser mais que um
desafio do que sua vida tediosa e mortal de antes. Assim que voc
estiver educada corretamente nos melhores pontos, voc ser uma
vampira completa. Eu quero mostrar tudo para voc, querida Dana:
a pura alegria de voar  noite, no somente como uma forma de viagem,
mas como um caados, como a coruja e o falco da noite. A sensao de
poder sobre esses homens que negaram o respeito que voc merecia s
por causa da sua altura ou de seu sexo."

Sally viu o movimento da cabea de Scully, levando isso como um
sinal de que ela estava escutando.

"Sim... Quantas vezes voc quis vingar as injustias feitas  voc,
e  outras mulheres, por bobos como eles? Bem, agora *voc* tem este
poder, e voc pode lutar contra esta impunidade, porque um vampiro pode
viver fora das restries fracas das paredes mortais. Somos as sombras
que eles temem --" ele continuou enquanto ela ia lentamente para o sof,
parando sobre um Mulder imvel. "Mas eu te ofereo todas estas coisas,
minha linda Dana, e voc foi forte o bastante para vence-los,
e sair da cova que estes patticos mortais chamam de morte. Fora
alm da resistencia humana; imortalidade... no simplesmente imortalidade,
mas uma eterna mocidade e beleza tambm. Voc nunca mais vai ficar
doente e morrer, e qualquer ferida mortal vai ser apenas um breve
aborrecimento."

//Foi assim que ele pegou as outras; falando palavras bonitas
para alimentar suas vaidades, o desejo delas para ferir os que as usaram.
Elas nunca pensaram em perguntar o preo de tal oferta, at que a conta
chegasse, e elas continuariam pagando at que a morte as livrasse do servio
dele.// Sally reconheceu, pelas expresses faciais de Scully, a resistencia
enfraquecendo, e reconheceu a postura de sonambulo dos novatos hipnotizados.
Ela baixou os ombros, dando um suspiro de desanimo. // assim que
sempre comea...//

Enquanto Scully se sentava ao lado de Mulder, no sof, colocando uma
mao ao longo do pescoo dele, Sally comeou a pensar na casa e nos
horrios de viagem que teria que fazer quando escutou a agente 
falando.

"Fox, voc pode me ouvir?" Scully perguntou, a
voz dada para comandar.

Considerando que a posio de Scully bloqueava o rosto de Mulder para
Sally, ela no podia saber se a chamada fez ele abrir os olhos ou no,
mas o tom estupido da voz dizendo "sim" significava que a novata tinha
aprendido a controlar o mortal. As proximas palavras de Scully
foram faladas muito baixas, e Sally s pde adivinhar: Mulder estava
sendo assegurado de que ele no sentiria nenhuma dor, e que ele desfrutaria
de sua nova vida quando acordasse. Scully se esticou adiante, para ganhar
acesso  artria, curvando a cabea sobre o pescoo dele, e golpeou.

A mo visvel de Mulder empurrou para cima, apertando o ar, e ento murchou e
caiu enquanto Scully bebia na garganta dele. Movimento no andar superior
fez Sally olhar para l, e assumindo que Ann Marie ainda estava viva, ela
focalizou a cmera ali. Ela arregalou os olhos, e indo para o boto 
para alertar Soares, ela parou, e afastou a mo, e olhou entre os dois
monitores. //Por que a demora?//

Soares assistiu o ato por mais um longo momento, e ento colocou a
mo sobre o ombro de Scully, dizendo, "Isso  o bastante, Dana. Eu termino
pra voc." quando ela no se afastou imediatamente, ele apertou a mao sobre
ela. "Voc no quer mata-lo, no ?"

Ela hesitou, e ento se afastou lentamente, o ofegar alto e rouco
dela sobre os alto-falantes. Sally viu uma sujeira escura sobre os
lbios de Scully enquanto ela observava seu criador chiar com ela. 
Soares mostrou os proprios caninos, e a mulher ficou de p, e lhe deu
espao. Quando ele se abaixou para beber, ele encarou a figura imvel,
e ento se virou, com uma expresso de surpresa para Scully. "Mas
onde voc...?"

"Ei," uma voz seca interrompeu do sof.  Quando Soares olhou pra
baixo, Mulder ergueu o que parecia ser uma pequena lata, "Chupe isso,
Lugosi", e bombeou trs sprays no rosto do vampiro.

Soares cambaleou pra trs, imediatamente, apertando o rosto 
com as mos e gritando, e a agente agarrou seu parceiro debaixo dos
braos e o puxou pra longe da cmera. Sally s teve a chance de mexer
nos controles para segui-lo quando Scully gritou. "Agora, Nick!"

Com aquele sinal, o homem que Sally tinha visto na grade da passarela ficou
de joelhos, apontou uma besta sobre a grade e atirou. Calor atingiu o
peito de Sally enquanto Byron Soares era atingido  direita de seu
corao. O vampiro dentro dela gritava para salvar seu mestre, mas ela
o desafiou, e recusou. Com dentes apertados, ela conseguiu ver Soares
meio inclinado, tentando puxar a seta, grunhindo por causa do esforo.
//No... eles esto quase vencendo...//

De repente, outra imagem entrou na cena. Scully, armada com a lana
de Ann Marie, se ajoelhou entre ele e a cmera, agarrou o ombro dele
para segura-lo, e com um assobio gutural, acertou seu corao. Sallly quase
uivou dos efeitos do lao de sangue, apertando um punho sobre o local 
correspondente, e rezando pelo fim do tormento. Visoes inundaram sua mente,
e ela nao tinha certeza se a conversa que ela ouviu eram dos microfones ou
s em sua cabea.

"Moa traioeira... eu poderia te dar o mundo... e voc seria minha..."

"No... ningum me possui..."

Sally sentiu a onda de conexo para ela, tentando se aproximar
pela ultima vez, quando caiu de repente. Onde estava a dor feroz e o lao
de seu fabricante, havia apenas um buraco agora, como se um dente infeccionado
tivesse sido arrancado. O alivio trouxe lagrimas aos olhos de Sally, e ela
sussurrou, "Livre, livre..."

Uma voz estranha, masculina, entrou pelo interfone, interrompendo o mantra
escasso dela, perguntando, "Est todo mundo bem?"

//Deliriosamente feliz conta?// foi a resposta silenciosa dela, 
nao ouvindo as respostas dos outros. Ela lembrou de quando ela e Soares se
encontraram, a noite em que ele a vez vampira, e o momento em que ela
decidiu ser melhor do que ele em seu proprio jogo. Levou um ano
para ela aprender todos os seus segredos, tantos vampiros quanto mundanos, e
outros quatro antes dela ganhar acesso para suas propriedades. No final 
da segunda dcada, ele tinha feito ela sua beneficiaria principal e executora -
a idia sendo dele, claro, j que ele precisava de uma frente para emergencias,
e ela serviria por esse lado - e a responsabilidade s aumentou, e os clientes
comearam a tratar com ela tambm. Ela se fez indispensvel pra ele, na mais
sutiis das manipulaes submissas, e ele morreu, certo da lealdade dela para
com ele. //O mais bobo dos tolos...//



PARADIGMA SHIFT 14
BY LINDA STOOPS E ANDREA BROWN

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Quando Scully falou sobre Ann Marie, Sally olhou, e viu Nick
flutuando abaixo com o corpo de Ann Marie nos braos, e a colocou
no sof. Havia um verdadeiro pesar no rosto da agente quando ela falou,
"Eu tentei conversar com ela, mas parecia que ela s queria me matar.
Foi um acidente."

"Eu sei, Dana. s vezes no h nada..." Nick se endireitou enquanto
parava de falar, e antes que Sally pudesse adivinhar o que o distraiu,
ele anunciou, "Tem outro vampiro aqui dentro."

" Sally" Mulder e Scully responderam, quase que em harmonia.
"Ela est do nosso lado... eu acho."

//Bem, isso  um fraco elogio// ela pensou com um riso torto enquanto
apertava um boto. "Obrigada pelo endosso, sr. Mulder. Estarei logo a.
Por favor, pea ao seu amigo para no atirar em mim quando eu entrar."
No esperando pela resposta, ela desligou e correu para a escada.

Scully olhou para a cmera, e ento olhou para Mulder,
"Eu sabia que tinha algum nos vigiando, mas no esperava 
por isso." ela chegou mais perto da cadeira onde ele conseguiu se
sentar, alerta para a leve palidez, a batida irregular do corao
e o cheiro estranho. //Como adrenalina velha// "Como voc est
se sentindo?" ela indagou suavemente enquanto se curvava sobre ele.

O sorriso que Mulder deu era forado. "J estive melhor"
ele reconheceu num tom cansado. "Acho que os dois ltimos dias finalmente
me pegaram. Eu vou ficar bem: s me d um tempo para parar de tremer."
ele bufou. "Neste momento, me sinto como uma gelatina."

Ela deslizou a mo dela na dele, e apertou de leve. O primeiro impulso
de Scully foi dar um abrao tranquilizador, se lembrando quando ele a
acalmou da mesma maneira depois de seu salvamento de Donnie Pfaster,
mas ela sentiu a sede por sangue roendo em seus controles, e no podia
confiar em segurar o vampiro. O olhar entre eles foi o suficiente.

"Dana, voc ainda est com seu telefone?" Nick perguntou. "Quero 
falar com Natalie, e avisar que est tudo bem" //E nos dar alguns minutos
para pensar em outras coisas//

"Claro" ela puxou o celular do cinto, apertou alguns botes e passou
para o detetive. A conversa foi um resumo, mas muito produtiva, e a patologista
tinha uma novidade para contar assim que eles voltassem.

Depois dele desligar e devolver o cellar, Knight comeou a perguntar
a Mulder sobre Sally, mas a porta da biblioteca se abriu e a entrada dela
o cortou. Ela olhou primeiro para ele, depois para a besta sobre a cadeira, 
com seu clip cheio de flechas de madeira, e ento voltou para ele, de mos
vazias, e perguntou, "Eu me entrego ao senhor, ou ao FBI?"

Ele acenou com a cabea para os agentes  e respondeu com um igualmente
seco "Esta  a jurisdio deles; eu sou de outra cidade. Tem mais algum
na casa?"

"No, ningum". Ela olhou para Scully, que estava entre ela e Mulder, deu
trs passos adiante e ofereceu a mao direita, palma pra cima, com um sombrio
"Ns somos do mesmo sangue, voc e eu" ela sorriu um pouco tmida  cotao
quase pretensiosa, mas ela sempre quis usar a saudao de Livro de Selva para
qualquer vampiro que Soares trouxesse, e que ela sentia que poderia conversar.
"Sou Sally."

"Agente Dana Scully," ela respondeu, pegando a mo do vampiro mais velho
como se fosse cumprimenta-la, mas Sally cobriu a mo de Scully com a dela,
e apertou suavemente, como um aperto de mo corts e antigo entre as mulheres.
Um olhar para as marcas de furo no pulso da novata revelou de onde o sangue
da boca dela tinha vindo. "Ann Marie me disse que voc era a secretria do
Sr. Soares."

"Entre outras coisas" a referncia para o antigo empregador dela fez
Sally olhar para o corpo espreguiado no cho, e uma deciso sbita a
fez ir para um dos artigos presos  parede. Pegando um pequeno machado
de guerra, e ela foi para o cadver.

"O que voc est fazendo?" Scully exigiu, bloqueando Sally. Nick
avanou tambm, mas parou quando percebeu a inteno dela.

"Tem que ser feito," Sally explicou. "Para ter certeza de que ele no vai
subir novamente. Isso, ou exibi-lo na luz solar. Eu, eu prefiro no 
fazer os vizinhos chamando as autoridades sobre uma fumaa e uma queimadura
do tamanho de um corpo no quintal dos fundos, se puder evitar." //Alm
disso, eu j queria fazer isso durante anos, e voc j fez metade do
servio para mim...//

"Ele destruiu Mildred assim, e ele teria feito o mesmo ou o pior para
voc, se ele ainda estivesse vivo." Olhos castanhos e azuis se encontraram
por um breve, mas intenso olhar, e ento Scully se afastou. Quando Sally
elevou a arma sobre a cabea, ela notou o olhar fixo de Mulder em Soares.
//Ele no quer deixar de ver e talvez, se assegurar de que seu pesadelo 
terminou...// Pedindo fora ao vampiro, ela levou a lmina para cima, 
e baixando, cortou o pescoo num golpe. Quando ela olhou para trs
ao cativo anterior, ele encontrou o olhar dela e acenou com a cabea, 
engolindo em seco. //Por todos ns//

Como o amanhecer chegaria dali a duas horas, os trs vampiros embrulharam os
corpos - Ann Marie num lenol de seda, Soares no tapete onde ele caiu - e 
os levaram para longe da casa. Enquanto Nick levava o ladro de artes sobre
o Atlntico, e jogou o corpo e a cabea em dois lugares diferentes, as mulheres
levaram Ann Marie para o telhado do clube favorito de jazz dela, espalhando
ptalas de rosas brancas sobre o corpo descoberto, deixando-a para
o amanhecer. 

"No ramos amigas," Sally admitiu em resposta a uma pergunta de Scully.
"Mas eu senti que tinha que manda-la embora com um pouco de dignidade e
ternura, porque ela era assim na vida dela, e ela foi a primeira a me
permitir fazer isso." sua voz tremeu, e ela beliscou a ponta do nariz
para tentar conter as emoes. //No agora, no aqui.//

Scully, com respeito ao desejo da outra mulher para privacidade, manteve
distncia at que voassem de volta, quando ela falou. "O que voc vai fazer,
agora que Soares se foi?"

Sally explicou que ela era que controlava tudo de Soares, 
as finanas, transaes e bens. Para os 'contratos' ainda no
cumpridos, ela diria que ele 'no mar' (o que no deixava de ser
verdade) e que nao sabia quando ele estaria de volta, 
e ela reembolsaria todos eles, inclusive emitindo advertncias
annimas para objetivos planejados. Quanto s mulheres, ela diria
que elas foram com ele. Todos tinham documentos, e ela faria isso para
no elevar nenhuma sobrancelha burocrata mais cautelosa. //E isso  algo
que voc vai ter que aprender, criana, quando chegar sua hora de mover...//

"Voc voa muito bem para algum to novo nessa vida" Sally falou quando elas
aterrisaram na porta da frente. "Eu estava com trs semanas quando fiquei
um pouco familiar com as correntes trmicas."
para a vida, a " Sally comentou em
a aterrissagem deles/delas  entrada dianteira.  " Eu h pouco era trs semanas 
vistoso
familiar com correntes trmicas ".

"Tenho que agradecer a Nick por isso, entre outras coisas."

"Ah, sim.  Voc teve sorte em conhecer um vampiro."

"Para ser honesta, se o agente Mulder no conhecesse o detetive Night,
eu no teria chegado onde cheguei, e precisei ser convencida
antes de acreditar."

"Srio?" Sally tinha deslizado a primeira chave, e agora estava
colocando a segunda, e se virou. "Foi a fome ou os caninos?"

"Luz solar ".

"Ow! Coitadinha?" ela estremeceu em condolncia, se lembrando das
poucas vezes em que ela se queimou, e foi para a cozinha colocar os
mantimentos que ela comprou para Mulder num mercado vinte e quatro
horas, o mesmo lugar onde elas compraram as rosas para o funeral improvisado.

Nick e Mulder j estavam l quando as mulheres entraram.  Antes deles
fazerem suas incumbncias, Sally teve a certeza de que a sede de sua
'irm' mais jovem estivesse satisfeita e depois deu permisso para
os outros convidados invadirem a geladeira. //Eu devo mais do
que hospitalidade para eles, mas isso ser o suficiente por enquanto.//

Mulder, cabelos midos depois do chuveiro necessrio, olhou e viu a comida
para humanos escassa dentro da geladeira, e ajudou Sally a desempacotar
os novos mantimentos. Ele arregalou os olhos, surpreso, e contente,
ao ver uma pequena embalagem de sementes de girassis descascadas, e
quando os olhares deles se encontraram, ela inclinou a cabea para a
parceira dele, indicando que isso foi sugesto dela.  

"Bem, obrigado, pra quem quer que seja" ele concluiu, selecionando um
refrigentes, salada de batata e um prato semi-pronton - pois ele no 
tinha comido bem h trs dias, e tinha que comer pouco. "Tem uma coisa
que eu gostaria de perguntar... voc nunca nos disse seu sobrenome. O
verdadeiro. Como devemos chamar voc, alm de Sally?"

A reao dela foi de considerao, confuso e diverso quase triste.
"Para ser honesta, senhor Mulder, no me lembro. Eu ouvia isso to
raramente durante minha infancia, e quando cresci, era chamada pelo
meu primeiro nome. Depois que me tornei vampiro" ela deu de ombros 
"usamos tantos nomes em documentos falsos para podermos viajar que
um sobrenome nada mais significava para mim. E meu empregador nunca
usava isso."

"Ento vocs eram prisioneiras deles" Nick observou, ficando irritado
ao pensamento. //Nunca conheci vampiros mestres que escravizam suas
criaes dessa maneira. Nem mesmo LaCroix fazia isso...//

A rplica de Sally era simples, mas brutal. "Ns ramos propriedades 
deles, detetive Knight. Propriedade viva, mas propriedade." ela
olhou para Mulder. "Voc perguntou se eu era uma das noivas de Soares.
Eu sei que voc quis fazer piada, mas, de certa maneira, eu era. Por
causa da cultura ele era acostumado a ter um escravo, criado ou
esposa que faria tudo pra ele, fazer sua vida mais fcil, para receber
ordens. E at mesmo morrer, se ele quisesse."

"Ento, Mildred no foi a primeira pessoa que ele executou" Mulder
aventurou. Sally acenou com a cabea. "Bem, pelo menos ela foi a 
ltima.

"Isso  verdade" ela concordou, abrindo uma garrafa especial para ela,
e colocando um copo para Scully e ela mesmo. "Indiretamente, ele foi
responsvel pela morte de Ann Marie. Ele no encorajava brigas entre
ns, mas Soares no planejava que ficssemos amigas demais. No, querida,
tome" ela insistiu ao ver a recusa de Scully pelo copo. "Um copo ou dois
antes de ir pra cama nos deixa menos faminta depois do sono de um dia.
Tenho certeza de que seu professor vai concordar." 

Quando a mulher aceitou, Sally voltou a falar. "Ele temia que poderamos
nos unir contra ele, mas ele tinha confiana de que nenhum de ns
era inteligente o bastante para engana-lo. Ele nao achava muito da raa
humana tambm, e muito menos ainda do sexo... frgil."

"Isso explica por que ele estava falando daquele jeito com Scully" Mulder
falou. "Quase me entreguei quando ele tentou ser potico." ele rodou os
olhos para sua parceira. "Fiquei surpreso por voc manter seu rosto firme
sem se entregar enquanto ele falava tudo aquilo."

"Eu tive muita prtica," ela admitiu, erguendo o copo para um gole.
Mulder elevou a garrafa dele ao mesmo tempo, e ento gelou quando 
entendeu o que ela quis dizer.

Sally pegou o significado debaixo daquela pequena interao, e suspirou.
//O que eu no faria para ter algum com quem caoar. Teria feito os ultimos
150 anos bem mais agradveis.// "Quanto aos outros, tenho
certeza de que se no fosse por mim, Mildred comandaria a festa,
sendo a leoa principal, considerando sua antiga profisso - acrobata
de circo. Era seu maior desejo - controlar tudo - isso e seu apetite para
roupas caras e bugigangas. Ele tolerou a ganancia dela, pois
isso era fcil de se controlar. Por outro lado, Ann Marie no era to
ambiciosa. Tudo que ela queria era aprovao e algum que cuidasse dela.
Nosso fabricante deu isso pra ela, mas ele colocou uma condio: ele lhe
deu a responsabilidade de manter Mildred fora de problemas, mas negou
a autoridade para Mildred prestar-lhe obedincia. Mas mesmo que ele
lhe desse, ela no tinha estmago para confrontao."

"Mas com certeza teve para me confrontar" Scully interrompeu.

"Sim, mas s porque ela esteve no limite nesta ltima semana. Soares no
fez segredo de que voc teria um lugar especial depois que ele te trouxesse
para ns - provavelmente segundo no comando, depois dele, pelo menos
pelo tempo que voc o divertisse - no obedecendo as regras
de hierarquia. Ela podia ter aprendido a conviver com isso, mas
quando Mildred morreu por quebrar as regras e atacar o agente 
Mulder, Ann Marie ficou a um degrau de cair, e nao ia aguentar
levar ordens de uma nova."

"E o que voc quer?" Nick perguntou. Ao olhar interrogativo de
Sally, ele explicou. "Voc disse que Mildred queria atenao.
Ann Marie, aceitao. O que voc queria? //A resposta dela pode me
dar um pista se ela pode ou nao ser confiada.//

"Ah. Se voc tivesse me perguntado isso quando aconteceu, quando eu era
uma criada domstica comum, sem futuro, mas muito servio, eu teria 
respondido 'liberdade'. Tempo e experiencia mudaram isso, mas eu agora
eu tenho o que eu sempre quis, de verdade, e voc me deu isso, e eu
agradeo.

"E  o que ?"

Ela inclinou o copo na boca, e deu um sorriso torto. "Eu sobrevivi, e
o bastardo no."

Scully sufocou na bebida dela.

Depois que Mulder batesse nas costas da agente, ele disse. "Acho que
 verdade sobre 'estar vivo  a melhor vingana.'"

Sally deixou sair um suspiro de satisfao.  "Sim, Sr. Mulder" ela
bebeu o ltimo gole. "O amanhecer vai chegar logo, e eu devo cuidar
de seus aposentos. Volo em alguns minutos."

"No precisa ter todo esse trabalho" Nick protestou quando ela
foi para o corredor. "Voc no  mais uma criada."

"No, mas eu sou a dona da casa, e meu dever para meus convidados 
faze-los se sentirem  vontade." ela saiu da sala antes que Nick
pudesse discutir.

Scully gesticulou para silncio, embora nenhum dos homens
parecia que ia falar. Ela escutou, levantou a cabea, at que o
som de passos sumiu, e ento perguntou. "Ento, a pergunta :
podemos confiar nela?"

"Fazer o que?" Mulder pegou uma colher de salada de batata.

"Para tomar conta de 'tudo' que era de Soares, e continuar de onde
ele parou." ela parou. "E no fazer de ns seu lanche da meia noite."

Mulder deixou de mastigar quele ponto, mas enquanto ele tentava
engolir para responder, Nick se intrometeu. "Falando de experincia,
acho que ela quer deixar isso pra trs, e ganhar sua independencia. Ela vai
cooperar at onde for capaz, pelo menos para ser deixada em paz. Se ela
tomava conta da contabilidade, provavelmente deveria ter uns dois caixas
que ele no conhecia, e talvez at um terceiro detalhando as
finanas dela. Duvido que seja ilegal tomar posse de tudo, mas o imposto
de renda faria muitas perguntas sobre transferencias de fundos
e propriedades de bens imveis.  alo que voc vai ter que considerar
se voc quer ficar escondido."

Scully meio que tremeu ao ouvir isso, embora ela tivesse aceitado seu
presente estado. "Espero que no chegue a tanto, mas voc me pareceu
do tipo prtico para no planejar esta possibilidade" Nick esclareceu.

"Ento, todos os vampiros tem contas na Sua?"

"Muitos de ns prefere dinheiro ao vivo, mas outros tem pequenos
esconderijos, espalhados para usar quando necessrio. Mais do que
alguns de ns tivemos sorte ou inteligencia para fazermos ps de meia
considerveis. E ela teve muito cuidado para atacar Mulder por atacar,
especialmente com materiais adequados na casa..."

"...e dois vampiros que a matariam se ela fizesse isso" Mulder
mostrou, beliscando algumas sementes.

Sally voltou dez minutos depois. Ela deu o quarto de Soares para
Nick. A cama maior de Mildred serviria para Mulder, e Sally ficou aliviada
quando a agente no contestou em levar a cama da mulher que tentou mata-la,
mas Sally sentiu a reticncia da agente. //Acho que ela ainda v parte
de Soares em mim, e no posso culpa-la por se sentir assim. Ela no pediu
para ser trazida...//

Sally executou sua patrulha habitual da casa, fechando tudo,
ouvindo os barulhos mortais, iniciando mais um dia. Ela deixou
as lgrimas carem. //Mesmo eu tivesse planejado ficar
sozinha, esperava que outra pessoa da 'familia' ficasse junto, 
quando isso acontecesse// 'Nunca pensei em ser a ltima do meu
lao de sangue.'

Scully acordou ao por-do-sol, confusa por sonhos estranhos, e uma srie
de emoes que pontuaram seu sono. Ela pensou nisso enquanto tomava 
banho e usava uma das roupas de Ann Marie, uma das mais reservadas, 
e decidiu que ela estava tentando saber de Mulder, para ter certeza
de sua segurana, e quando ela percebeu que sua intruso estava perturbando
o sono dele, ela se retirou, indo procurar Sally.

Ela encontrou a mulher loira, inglesa, no computador, copiando discos
sobre os arquivos de Soares, e ficou assustada pela aparencia da mulher.
Foi-se embora o penteado srio e a roupa quase desalinhada: um tecido
colorido caa sobre os ombros dela, sobre um terninho preto, com
uma racha de seis polegadas sobre o joelho, e um  broche de prata 
vitoriano na lapela.

Quando ela se aproximou, Scully notou a aplicao de maquiagem, bem
leve. //Quantos anos ela tinha quando se tornou vampiro? Dezessete, 
dezenove? Parece que ela tem idade de uma caloura, e no trinta anos.//
"Boa noite" ela falou, mantendo a voz neutra. 

"Boa noite," Sally respondeu.  "Det. Knight est olhando os documentos
pessoais e correspondencia do sr. Soares, e agente Mulder ainda no
apareceu. Voc quer tomar caf da manh?"

"Ainda nao, obrigada. Voc estava certa: me alimentar antes de dormir
aplaca a fome quando se acorda." ela se aproximou da mesa, tentando
ver algo fora do comum. No viu nada. //Se ela parece no estar nos
enganando debaixo dos nossos narizes, por que eu acho que ela vai
armar alguma coisa?// Estou comeando a pensar como Mulder. 

Com um reflexo que ela pensaria ser impossvel h uma semana, ela sentiu
o lao de sangue, mordendo um suspiro quando no sentiu nenhuma reao 
chamada dela. Mas ela se lembrou de uma coisa: Nick tinha dito que
a conexo enfraqueceria com o passar do tempo, e s outra alimento,
consciente ou no, iria reacender o lao. //Pude sentir os dois ontem 
noite, quando estvamos dormindo, ento agora s deve dar certo quando
dormirmos...// a voz de Sally cortou seus pensamentos, e Scully teve
que pedir para ela repetir a pergunta.

"Queria saber sobre a afirmao do det. Knight sobre voc. Voc acha
que s porque voc ainda no matou voc vai poder voltar?"

"Acho que  possvel" Scully deu uma explicao nada tcnica sobre como
a vida do vampiro age dentro do corpo. Ela tinha quase terminado quando
Mulder entrou, usando roupas mais curtas que o habitual. Vendo ele
acordado e normal fez Scully soltar um suspiro de alvio.

Ele olhou para Scully. "O que achou da roupa, Scully?" ele se olhou, 
e ento olhou para Sally. "Isso  o que eu chamo de uma grande mudana.
Bem vinda ao sculo vinte."

"Obrigada"  o sorriso de Sally era notoriamente mais largo e mais franco
do que Mulder se lembrou dos primeiros encontros, e ele levou isso como
um sinal de que ela estava se sentindo  vontade na presena deles
para mostrar sua verdadeira personalidade. "Decidi que, j que nao preciso
criar uma fachada, no tenho que me vestir como a av de algum. 
Mas como a moda moderna no tem padro para trajes funerrios, ento
eu peguei algo diferente. Isso  apropriado?" ela perguntou para os
dois agentes, enquanto se virava para revelar o resto da roupa dela.

Scully abriu a boca para ressegur-la de suas escolhas, mas Mulder
as observaes de Mulder causaram uma puno afiada na mandbula superior
de Scully, e os caninos desceram,e ela no podia confiar na propria voz.
Se desculpando depressa, ela saiu no corredor, e foi para a cozinha.

Nick a encontrou no p da escada. "Qual o problema?" ele perguntou,
preocupao evidente na voz. "Pude te sentir l em cima, e bem longe."

Ela piscou, surpresa. "E-eu fiquei com fome" ela no sabia como
responder.

"No. Eu no poderia apanhar uma simples fome." ele se ops. 
"Desci para ver o que estava acontecendo, meio esperando que voc
e Sally estivessem nas gargantas uma da outra... literalmente. Ento,
o que te fez afiar as garras para ela?"

"Nada" ela tentou fugir, mas parou ao escutar as vozes na sala de estar.

"Dana... lembre-se com quem voc est falando."

"Eu no sei" ela estalou, irritada. "Eu s... eu no confio nela com
Mulder debaixo do mesmo teto." depois da sbita confisso, o resto
saiu. "Nao me senti assim quando estvamos cuidando de Ann Marie, mas
quando ns voltamos pra casa..."

"Voc no queria ela perto dele, no ?" ele esperou o aceno dela. 
" igual ao que voc sentiu quando eu cheguei perto de Mulder naquela
manh?" ele quase podia ver as engrenagens rodando na cabea dela
enquanto ela fazia as conexes. //Bingo!// "Vampiros so territoriais,
possessivos.  por isso que temos que ficar com os humanos que levamos:
para imperdir de lutarmos entre ns."

Scully suspirou e acenou seu consentimento enquanto eles iam para
a cozinha, mas algo dentro dela ainda estava empacado ao pensamento de
Sally e Mulder sozinhos. Ela teve que tomar dois copos cheios para
aquietar o brado possessivo do ego mais escuro dela, e Scully se sentiu
mais controlada quando voltou  sala de estar.

Quando ela chegou na porta, ela ouviu Mulder dizer, "...eu ia te perguntar
uma coisa mais cedo, mas no deu. Acho que voc iria esperar at
Scully unisse  trindade estranha de vocs, e voc tentaria
persuadi-la a te ajudar a lidar com Soares mais tarde."

"Eu tentaria sim."

"Mas voc se arriscou a ser descoberta para proteger a mim e a
minha parceira, no avisando sobre Nick. Eu vi o sistema de segurana,
e tenho certeza de que voc o viu. Ento, o que eu quero saber :
por que?"

"Por que o que?"

"Por que se arriscar, quando ele teria sido morto mais
tarde?"

"Ah. Bem, Agente Mulder, eu tambm vi o que aconteceu quando voc
descobriu a sua parceira, e eu queria saber o que teria inspirado
esse tipo de lealdade."

Scully ergueu a mo da maaneta como se tivesse queimado, e ento
foi depressa para o poro, sem esperar a resposta de Mulder.



PARADIGMA SHIFT
CAPTULO 1
por Linda Stoops e Andra Brown

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Ela voltou para sala depois de alguns minutos, mas entrou aparentando uma
calma que no sentia.

"Bem, voc est de volta" Sally a cumprimento, tirando uma dzia
de folhas e dando para Scully. "Agente Mulder sugeriu para 
contarmos s autoridades que Soares foi conectado aos roubos antigos,
nos contratando h seis anos atrs. Assim, teremos uma continuidade com
alguns dos arquivos antigos que eu encontrei 'por acaso'. Podemos dizer
que Soares usou os registros que ele obviamente roubou de seu empregador.
Podemos fechar alguns casos e fazer isso at que os caadores passem
a ir para outra fonte."

Scully examinou as pginas, se maravilhando na quantidade de dinheiro
que as pessoas pagavam por artigos que seriam vistos por to poucas
pessoas. //E as pessoas ainda morrem... por estas coisas// "Como vamos
ligar os assassinatos a isso? Afinal de contas, esta foi uma das
razes do caso nos ter sido enviado."

"Com o sangue," Mulder opinou. "E as ferramentas que Mildred e Ann
Maerie usaavam. A idia de que um grupo de ladres de arte pode estar
colecionando sangue humanos como trofus poderia distrair as outras
agncias de execuao de lei pela falta de evidncia na entrada dos
roubos de lugares fortemente bloqueados. No seria muito dificil para
entenderemos que vampiros no teriam problema em entrar, mas j
que *todo mundo* acha que vampiros s existem na fico..." ele deu
de ombros, deixando o resto para Scully.

//Ento vamos voltar com um relatrio plausvel, com algumas perguntas
secundrias sem respostas, e o caso  fechado// "Eu s acho que  um pouco
estranho te ver escondendo a verdade" ela comentou no que esperava
ser um tom de piada, ao invs de crtica.

Ele estreitou os olhos enquanto olhava nitidamente para ela, e
ento voltou para sua posio sardnica. "Bom saber que eu ainda posso
te pegar de surpresa" //A verdade no vai te matar, mas pode te
machucar, muito mais do que mentira e omisso. Eu sei a diferena, Dana, mais
do que voc possa acreditar//.

Sally ouviu o conflito subjacente do casal, mas fingiu no notar.
//E eu invejo sua briga, jovem. Nunca poderia deixar meus sentimentos irem
alm da gaiola em que estavam. Se Soares soubesse o quanto eu odiava engolir
os 'Sim, senhor', ele teria forado at eu estalar, e ento Mildred
teria se segurado por mais tempo, vendo o que ele poderia fazer comigo.//

"Vejo que voc escolheu um sobrenome:  Dickinson," Scully notou, voltando
a atenao para os documentos. "Posso presumir uma inspirao literria?"

"Pode. Sempre gosei da frase dela sobre imagem natural, e me encontro
querendo expressar uma pequena ironia neste momento" //Eu estava certa.
Ela tem gosto para leitura. Teria sido agradvel ter outra 
pessoa ao redor, com interesses semelhantes...//

Scully acenou com a cabea. "Posso entender a necessidade para ser
alguem." //Ela foi ningum durante anos... eu acho que nunca poderia
ter tolerado tanto tempo assim.//

"Sally Dickinson, C.P.A". A vampira mais velha testou em voz alta,
sorrindo ao ritmo das slabas. "Parece bem comum e ordinrio, no acham?
S o bastante para me permitir sumir quando tudo acabar. Depois disso,
bem, eu tenho uma montanha de insinuaes literrias para saquear, e 
esperanosamente, tempo para fazer isso."

Mulder saiu para invadir a cozinha, voltando vrios minutos depois
com Nick, que estava com uma caixa de papelo cheia de provas 
incriminadoras onde as autoridades mortais iriam fuar, felizes, 
e no ficarem surpresas. O resto, ele anunciou, ele daria para vrios
vampiros conhecidos, para investigaes em nome da comunidade.

"Alguns destes objetos podem ter sido roubados de mortais que os
pegaram depois que alguns de ns tivemos que deixar esses objetos
para trs. Eu sei disso pois reconheci pelo menos trs meus e dois de um amigo.
No vamos ser capazes de retoma-los como nossa propriedade, j que se
passaram dcadas desde que os possuimos, mas podemos oferecer lances
para compra-los se quisermos. Ele sempre roubava para outros vampiros,
ou de outros vampiros?"

"No. Ele sempre afirmava que se eles quisessem o objeto de volta,
eles poderiam pegar, e o risco de ser descoberto era maior entre nosso
meio, pois mantinhamos as mesmas horas e conheciamos os sinais da presena
de outros vampiros. Mas roubar de um vampiro no era nada demais para ele."

"Que considerao." Nick bufou enquanto dava um monte de envelopes
para Scully e o celular para Mulder, que ligou para ver se tinha
chamadas. Kniht encontrou o celular no criado mudo de Soares, aparentemente
um trofu de conquista.

Mulder estava rindo quando desligou, e quando viu o olhar interrogativo
de Scully, explicou. "Langly tirou um relatorio da internet, que falava
sobre coisas que foram vistas no cu de DC e de Maryland, e que tinham o
tamanho de humanos. J est correndo por a que a CIA ou a Aeronautica
esto metidos nisso, j que nenhum som poderia ser ouvido enquanto eles
passavam. Voc sabe o que isso significa, no ?"

"Tenho quase medo de perguntar, mas v em frente.

"Que, tecnicamente, voc , agora, um OVNI" a mulher rodou os olhos
e voltou a ler enquanto seu parceiro arqueava uma sobrancelha, divertida,
para Nick, falando sobre estas noticias. Depois de vrios minutos de
quieto estudo, Mulder dirigiu uma pergunta para a anfitria deles.
"Sally, assim que a sua parte na investigao terminar, o que voc
planeja fazer pelas proximas decadas?"

Ela parou no meio de um segundo livro razo, e pensou. "J pensei um
pouco, e acho que poderia trabalhar numa empresa de contabilidade, embora
eu esteja muito bem qualificada para entrar, sei que pareo muito
jovem para qualquer coisa mais experiente. Por conta propria, contadores
proliferam mais do que advogados, ento abrir um escritorio seria desperdicio
de dinheiro e energia. E sempre tem o servio pblico. Ouvi dizer que
eles esto ansiosos em contratar minorias."

Nick tossiu ao ouvir isso.

"Por outro lado, visto meu passatempo predileto, e poderia abrir
uma loja de livros raros e usados." uma sbita memria fez
ela sorrir, e Sally somou. "Mas se eu no gostar de nada disso, posso
me aposentar em algum pequeno lugar em Sussex e criar abelhas" A 
referncia a Doyle, pretendida para extrair uma relao de Scully,
encontrou seu alvo no seu parceiro, que deu um latido seco de risada.

Sobre o caso, Sally daria bastante identificao e cdigos de 
aceso para manter os investigadores de ambos os lados do Atlantico bem
ocupados, mas ela insinuaria que seu empregador poderia ter escondido 
dinheiro em esconderijos, lhe dando pistas falsas para perseguioes
que durariam anos.

"Muitas das propriedades dele foram colocadas em meu nome, mas 
eu vou entregar tudo. Investi muita coisa pra mim, e posso viver
confortavelmente, e j que eu esperaria ter concesso de certas
imunidade por entregar provas para o governo, tenho certeza de
que eles no olharo meus ativos de perto. //A nica coisa
que quero manter  minha coleo de livros que ser fechada como
propriedade dele, mas a qual eu poderia comprar  pra mim
por vrios corretores no proximo leilo do governo//

Scully acenou com a cabea, seu proprio senso de justia 
se torcendo ao numero de falhas disponiveis no reino do colarinho
branco, mas ela estava atenta de que Sally tinha vantagem sobre
isso, pelo que Soares a forou a fazer. //E mesmo que eu odeie
ser cumplice em reter provas, a alternativa teria um efeito domino
muito mais destrutivo. Talvez seja por isso que Mulder est aceitando
tudo isso//

J passava das duas quando eles saram da casa, com Sally de p
na entrada, como se estivesse se despedindo de seus ultimos
convidados de uma festa. Ela tirou uma pequena chave do chaveiro
e deu para Nick, com um pedao de papel, explicando. "Os registros
mais velhos dele esto num armrio trancado, neste local. Ele guardava
tudo l para ter referencia quando um cliente queria algo que ele tinha
roubado de outro. Mais uma vez, obrigada, detetive Knight."

Ele arrumou a caixa debaixo do brao, e apertou a mo dela.
"De nada.  uma pena no termos nos encontrado em circunstancias
mais agradveis."

"Talvez possamos curar isso quando eu visitar Toronto.
Ouvi dizer que  uma  bela cidade" ao aceno dele, ela se virou
para Mulder, e disse, "Voc foi o catalisado que me forou a agir,
agente Mulder, e estou endividada com voc. Se voc precisar
de qualquer coisa, por favor, me avise."

Ele tremeu a cabea, pronto para recusar a oferta, 
ento a memria da primeira conversa entre eles apareceu, e ele
deu um meio sorriso. "Que tal um bolo de gengibre?"

A risada dela parecia ter levado os outros dois de surpresa, 
mas nem ela nem Mulder deram uma explicao. "Feito" ela ficou
sria quando olhou para sua ltima convidade. "Admito que no 
lamento completamente os eventos que te trouxeram aqui, mas mesmo
que eu deseje que voc pudesse permanecer uma irm de sangue,
eu sinceramente espero que voc encontre sua cura. Esta vida no
 fcil, e se eu soubesse para onde me levaria, eu teria 
escolhido outra coisa" ela estendeu as mos para Scully, um
sorriso saudoso nos lbios.

"Obrigada, e se conseguirmos invertes a condio do detetive Knight..."
a oferta de Scully gelou em sua garganta enquanto ela apertava
as mos da vampira mais velha, a formaao do contato fisico sendo um
canal para o diluvio de emoes que ela reconheceu do sono de ontem.

//Era esta a outra presena// Sally, roubada do
foco que a sustentou durante um sculo, estava sentindo os efeitos
secundrios de sua liberdade recm-adquirida: isolamento. Ela
no tinha ningum para se conectar, nem mesmo com quem lutar, e a
idia de ficar sozinha estava corroendo sua postura. Olhos mbar e
turquesa se encontraram, lgrimas nos ltimos ameaando derramar
num embarao, e Scully fez a nica coisa que podia pensar para
consolar a mulher: ela a abraou, colocando a cabea loira
sobre o proprio ombro. Ela sentiu a aflio, incitando recordaes
de seu pai e de suas irms, e ela alisou o tumulto de imagens
com calma e confiana, repetindo silenciosamente //Nunca sozinha...
ns estamos aqui...//

Depois de um minuto, Sally parou de tremer, e ela deu um ultimo
aperto de gratido antes de se afastar. Ela fez mmica 'obrigada' 
enquanto Scully apertava as mos delas, num eco do primeiro encontro,
e ento se afastou, se juntando ao seu parceiro.

"Pronto?" Scully perguntou, deslizando um brao ao redor
das costelas de Mulder.

Ele fez o mesmo com ela, e apertou-a, junto com as bolsas e roupas.
"Sempre que voc estiver - whoa!" o subito movimento pra cima
era como montar um elevador expresso, e demorou um segundo para
seu estomago se acostumar. Ele mordeu  o impulso de gritar
"Que Legal!" e deu um mais conservador "Ainda bem que eu estava
inconsciente da primeira vez que voei; mesmo sendo agradvel, prefiro
que seja uma curta experiencia." ele olhou para Nick, e acenou
com a mo que levava a bolsa.

"Obrigada, mas no se mexa demais. Eu nunca fiz isso antes."

"Bem, no estou preocupado. Se Christopher Reeves conseguiu fazer,
eu acho que posso, tambm."

"Sim, mas ele tinha uma capa."

"Tudo bem, mas a Margot Kidder tinha?" uma pausa de dez segundos, e ento 
ele comeou a falar numa voz muito baixa. "'Voc pode ler meus pensamentos...'?"

Ele tinha se esquecido da audio de vampiro.

"Potomac, Mulder. Potomac".

"Certo."

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PARADIGMA SHIFT 16
POR LINDA STOOPS E ANDREA BROWN

Captulo 16


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Sede do  F.B.I. --24 de junho 
1:25 da tarde


Skinner se instalou em sua cadeira, encontrando o olhar do agente 
 sua frente, e ento olhou para a pasta de papis sobre a mesa. "O caso
Soares foi dado como encerrado pelo I.R.S e pelas vrias agncias
ultramarinas, agora que vocs determinaram que as ofensas importantes
relacionadas ao caso no tinham nenhuma natureza incomum que
requer investigao adicional. Isso est correto?"

"Eu no diria que as ofensas no eram incomuns, senhor," 
Mulder corrigiu, a face sem expresso, e o tom de voz mascarando
a atitude dele para a ironia da situao. "S que no eram bastante
inexplicveis para um arquivo X".

Sally o manteve informado, e  Scully, sobre as perguntas na policia da Filadelfia,
do I.R.S e a Interpol fizeram para ela, e quais foram suas respostas,
e sobre as evidencias que eles coletaram. Fotos, pseudonimos, e descries
de Soares e de suas cumplices foram enviadas por fax para todos os
aeroportos e hotis, e vrios colecionadores, coletores, funcionrios
de museus e corretores de arte estavam sendo detidos para interrogatrios
em vrios pases.

Ela deu para as autoridades nomes e endereos no s dos clientes
de Soares, mas para os que o ajudaram a roubar os objetos. Mulder
suspeitou que haveriam perguntas na mdia, sobre a extenso dos roubos,
mas depois de umas trs semanas, tudo iria passar. //Claro, que se
eles soubessem o que *realmente* aconteceu...//

Skinner deixou passar o comentrio e perguntou. "A sra. Dickinson
falou com o escritorio dos Marshalls sobre proteo para 
testemunhas?"

"No, e embora ela esteja atenta de que seu antigo empregador tem a
natureza violenta, ela sente que ele vai estar muito ocupado fugindo da
lei, para procurar por ela. Mas, s por garantia, ela gostaria de 
ter documentos e identidades novos. Alm disso, ela no precisa
de mais nada."

"Ela entende que vai precisar de um contato?"

"Sim, senhor. Agente Scully e eu vamos manter um contato periodico
com ela. Ela nos pediu, especificamente, ento vamos trabalhar com
o escritorio dos Marshalls para manter ela sob nossas abas." enquanto
falava, Mulder removeu duas folhas de papel dobradas do bolso do
beijo, e os colocou sobre a pasta de arquivos.

A sobrancelha do diretor ficou franzida  nova adio, e ao olhar
significativo no rosto de Mulder, e ento ele pegou o quadrado e abriu.
No mesmo tipo de letra do relatorio oficial, as palavras //no caso de
ter algum escutando...// a pgina comeava:

\\Soares e seus cmplices esto mortos//

Skinner olhou para o portador das noticias, e no vendo
reao, ele continuou lendo. Os primeiros paragrafos do texto falavam
sobre o que aconteceu de fato. Sobre as trs mortes. Soares era
culpado pelas mortes de Mildred e Ann Marie, e seu proprio falecimento
foi descrito como ato cometido em defesa de um companheiro oficial.

A parte de Sally no salvamento de Mulder e sua ajuda
com as provas foi acentuado, mas no havia meno dela ser um vampiro.
Houve discusso sobre este assunto, com Scully, Natalie e Nick discutindo
sobre quem-precisava-saber-o-que, e Mulder, dando uma de advogado do
diabo.

Ele concordou depois, notando que, devido s circunstncias, 'vamos
explodir esta ponte quando chegarmos l.'

O fundo a metade da segunda pgina era uma atualizao sobre a
pesquisa de Natalie em Scully, assim como um pedido para a sala
de interrogatorio no poro, explicando que eles precisavam de um
ambiente controlado para a primeira de uma srie de tratamentos
onde  a proximidade para o laboratrio e a disponibilidade de restries
seriam essenciais para os pontos de inverso dos efeitos de vampiro.

Quando acabou de ler, Skinner releu com cuidado 
a ltima parte, antes de colocar os papis sobre a mesa, e encarar o arquivo.
Ele pesou as novas e antigas informaes, e as ramificaes em particular,
e ento tomou uma deciso. Agarrando uma caneta, ele circulou algumas
coisas na segunda pgina, e ento escreveu alguma coisa, devolvendo
a folha.

Esperando o melhor e esperando o pior, Mulder viro o
papel, e leu a adio. O pedido havia sido realado,
com //aprovado// escrito na margem, e quatro palavras debaixo:
//mas eu quero participar//

Mulder olhou para seu supervisor, e sua inflexivel expresso,
deu uma olhada rpida no relogio, e percebeu que teria que tomar
esta deciso sozinho. //Ela est inconsciente agora//. Ele pensou
na resposta dos outros, e a esta mudana de planos durante alguns
segundos, e ento acenou com a cabea.

Skinner inclinou a cabea uma vez, deslizou a primeira pgina para Mulder e
apertou uma tecla no telefone. "Kimberly, voc pode providenciar o
programa das salas de interrogatrio para mim?"

* * * * * * * * * * * *

25 de junho; 2:00 DA MANH

Enquanto ficava de p, na cmara um, vendo a dr. Lambert pronta para
a primeira injeo, Skinner pensou se era sbio em teimar em ser
uma testemunha do que ele sempre pensou estar limitado ao
reino dos filmes de horror.

O objetivo da experincia no estava confortvel com
sua presena, mas j que ela pediu sua ajuda e silncio, Scully
teve que aceitar sua presena como parte do pacote. Alm de ser responsvel
por aprovar o uso nada ortodoxo das instalaes federais durante os
ltimos dias, ele tinha que cuidar da concluso de seu caso, para
sua prpria paz de esprito, s para ter certeza de que a 
estranha condio de Scully seria exterminada.

//Mas isso no quer dizer que eu tenha que gostar//

A ateno voltou para o homem ao lado da doutora. O det. Knight
foi apresentado como parceiro de Lambert e um especialista neste
mesmo 'campo de pesquisa'. Skinner quis saber, porm, se o conhecimento
do oficial passou por uma academia, ou experiencia pessoal.
//Ele est vigiando cada passo dela, e  est quase to plido quanto
Scully. Mas no vou presumir nada. J tenho muito com que lidar
sem ver vampiros pra tudo que  lado.//

"Senhor?" Mulder perguntou enquanto se sentava numa
das cadeiras, oferecendo uma pequena chave. Quando Skinner olhou
para ela, confusa, o agente explicou. "Para isso" ele mostrou 
algemas. "Estamos tomando muitas precaues, determinado a natureza
do medicamenti e o que o organismo vampiro possa fazer quando os 
hbridos o atacarem. Essa coisa vai tentar me chamar, e se
alimentar de mim, e eu prefiro estar preso. J passei por
isso antes, e no quero repetir o desempenho, ento, no 
importa o que eu diga, ou faa, no me deixe entrar l at que
termine."

Skinner acenou com a cabea, pegou a chave, e especulou.
"Ser que te prender na mesa vai ser o bastante?" ele falou, e
fez isso ao mesmo tempo, prendendo os pulsos de Mulder.

"O det. Knight acha que sim" ele olhou e viu Scully testando as
prprias restries - uma algema em cada pulso - e conferir, com
Nick, a resistencia delas. O interfone estava ligado, aberto,
ento eles poderiam se comunicar livremente. O corao de
Mulder acelerou, enquanto a agulha descia no antebrao de 
Scully, e ele tremeu empaticamente enquanto imaginava a agulha
entrando na carne. //Eu odeio injeo...//

"Tudo bem, me avise se sentir qualquer mudana" eles ouviram a voz
de Natalie sobre o interfone enquanto ela se apoiava perto de
Scully, e colocava o estetoscpio sobre o peito dela. Skinner 
viu Nick chegar mais perto, aparentemente alerta para qualquer
reao sbita, e ele manteve um outro olho sobre Mulder.

"Nada... no sinto nada, a no ser um pouco de calor, mas
isso pode ser da exposio direta ao sangue" a seringa continha uma
mistura de hbridos criados dos proto-organismos de Scully, e plotoplasmas
filtrados de um quarto de sangue de doardo, diludo numa poro de
gua esterilizada. Eles decidiram dar uma dose baixa, para prevenir uma
repetio do problema de Nick com o hormnio. 

Scully ficou quieta enquanto Natalie esperava as seis batidas por hora,
normais para um vampiro, o resto do grupo mantendo um
silencio alerta. Dois minutos depois, Scully murmurou, "Atordoada...
minha cabea di um pouco... oh..." ela deu uma respirao
severa.

"Onde voc...?" Lambert comeou, e ento se afastou quando
sua paciente virou pra ela, rosnando.

Nick puxou Natalie e Scully ofegou na mesma hora, nao tendo tempo
de enfiar os dentes no pescoo dela. Negada do sangue, Scully puxou
com fora nas restries, e ento se torceu at que os parafusos que
segurava uma algema foram arrancados.

Uma vez livre, ela parou tempo suficiente para empurrar a cadeira contra
Nick, quando ele se moveu para agarra-la, e ento ela pulou
sobre a mesa.

Para surpresa de Skinner, a transformao dela combinou com
os crescentes movimentos frenticos de Mulder, que tentava se
soltar de suas proprias restries, e quando o diretor se virou
para impedir o agente de se machucar, o estrondo que veio contra o
espelho o fez olhar de volta para a outra sala.

Scully, sentindo o sangue mortal no lado oposto do vidro, se lanou
contra o espelho como um pssaro furioso, os olhos vermelhos com
necessidade e dor, gritando "*MULDER!*" e batendo na barreira entre
eles. Skinner olhou em outra direo, se lembrando dos contos de 
vampiros e olhares fixos e hipnticos, ao mesmo tempo em que Nick veio
e a abraou. Os pontaps e gritos agudos de raiva de Scully,e Nick gritando
com ela, e os gritos de Natalie, combinavam com os gritos de Mulder
por Scully, alm de seus movimentos, indo para a porta.

"Mulder, senta a!" Skinner ordenou, agarrando o agente
pelo ombro, e jogando-o sobre a cadeira. Ele segurou a cadeira, e segurou
os dois num lugar, com um p num apoio, e uma mo no brao de
Mulder.

Quando ele encarou a batalha na outra sala, a resposta de Mulder
parecia coerente, mas dirigida a ninguem em particular.
"No-voc-no-pode-entender-s-eu-posso-ajudar-voc-tem-que-me
deixar-ir-l-ela-est-agonizando-por-favor-me-deixe-ir-l"
o resto foi perdido na luta dele com as algemas, e seu chorar quase
histrico.

//Eu fui avisado do lao de sangue, mas no pensei que fosse
to ruim assim// "Mulder, me escute" Skinner usou sua voz calma
e autoritaria num esforo para quebrar o transe. "Eles esto tentando
ajuda-la. Ns todos estamos..."

A resposta de Mulder para isso foi mostrar os dentes, e dar um
resmungo desumano. "*Mentiroso!*" ele brigou, lutando contra
o aperto do homem maior.

//Ok, chega disso// Convencido de que Mulder estava alm da
razo em seu presente estado, Skinner alcanou um local no pescoo do
agente e apertou. Mulder afundou adiante, dando um macio gemido,
e Skinner endireitou a figura inconsciente numa postura
mais confortvel, antes de olhar para a sala de entrevista.

Numa tentativa para impedir os movimentos dela de fuga,
Nick tinha curvado ela sobre a mesa, debaixo dele, usando o peso
do proprio corpo para segura-la no lugar. //Tentando segura-la// ele
pensou enquanto ela resistia e se torcia, erguendo o pescoo para
tentar alcanar qualquer parte de seu capturador para ela afundar
os dentes.

//Nem posso me mexer; ela vai fugir no momento em que eu
afrouxar// ele sentiu a fome feroz e a agonia que ela
estava sentindo no momento em que ela se transformou, e ele
se viu entre a cora bamba de usar a fora de vampiro sem
sucumbir contra a necessidade incessante para sangue.

//Se eu suprimir a vontade, no posso segura-la por muito tempo.
Mas se eu soltar o demonio, vou me unir a ela, querendo matar todo
mortal ao alcance, comeando com...// "Nat, d o fora daqui! No posso
controlar ela com voc dentro da sala!"

Natalie pegou uma seringa e um frasco pequeno da bolsa dela. "S
um segundo" ela falou, a voz tremendo enquanto enchia a seringa.
" um sedativo."

"Voc no tem tempo para--arrgghhh!" ele sentiu o lado humano dele
debilitar debaixo da dor que as unhas de Scully provocaram em suas 
coxas, e ele fez o impossvel para se segurar, e no rasgar a garganta
dela com os dentes. "SAI DAQUI!!!!" ele rugiu, enterrando a testa
contra a nuca de Scully, enquanto lutava com os proprios instintos escuros.

"Est tudo bem. S segure ela mais um pouco" com a agulha pronta,
Natalie foi procurar um local mais efetico para espetar---

E viu um par de olhos vermelhos brilhando pra ela.

"Natalie, me escute," a voz murmurada falou, em sua mente. "No
faa isso. Voc no v que ele est me machucando? Faa ele
me soltar, Natalie... eu no posso respirar, ele est quebrando minhas
costelas. Ele quer me matar, eu sei disso, por favor, faa ele
parar..."

"Dana...?"

"*Faa!""

A loira hesitou, piscando, confusa, e ento de repente, notou
a agulha na mo. //Sim, eu posso para-lo com isso. Foi por isso que
eu preparei a injeo// Ela elevou a seringa, apontou para
o ombro dele, e ignorando a segunda voz ininteligivel, baixou
com fora.

Duas mos fortes nos pulsos dela impediram seus movimentos, e
impediram a agulha tambm. A distrao do ataque silenciou a presena
que a dominava, e ela olhou, confusa, para os olhos castanhos e 
alarmados de Skinner.

"No escute, no olhe pra ela. S saia daqui" ele ordenou, 
agarrando-a pelos ombros, e a empurrando pra longe dos vampiros. Ainda
aturdida pelo que ela estava a ponto de fazer, Natalie o deixou
guiar pela porta.

Quando eles chegaram na porta, Scully, percebendo que estava
perdendo sua presa e a fmea que ela tentou compelir, deixou sair uma
lamria de fada, que sacudiu as janelas, mas que parou de repente, quando
o vampiro dentro dela desistiu de controlar seu anfitrio.

"Nat," Nick disse, rouco, erguendo a cabea enquanto recuperava o
proprio equilibrio. "No posso senti-la."

Ela parou na porta. "O que?"

"No posso senti-la. Ela se foi."

As noticias levaram trs segundos para serem processadas. "Droga!"
ela girou, puxou o brao do aperto de Skinner, e correu para a bolsa.
Ela colocou o estetoscpio nas orelhas, e perguntou para 
Skinner. "Voc sabe fazer CPR?"

"Sim" a razo para a pergunta ficou evidente quando ele viu
Knight baixar uma Scully inconsciente ao cho, e ele correu
para a l, se ajoelhando na frente da mdica. //Tanto para a pergunta
se ele era vampiro...//

"Melhor ainda. Voc faz as compresses. Eu respiro. Nick, v checar
Mulder" ela ordenou, lendo ao mesmo tempo o corao e pulso
de Scully.

"Por que Mulder?" Skinner quis saber.

"Ele est ligado a ela, e se o corao dela parou---"

"Entendi" Skinner esperou at ela terminava o breve exame,
e ento comeou a massagear o corao dela. Lambert verificou
para ver se a rota area de Scully estava livre.

//Quinze compresses, duas respiraes... um-mil, dois-mil,
trs-mil... no tenho idia de como vou explicar isso para os
assuntos internos se vocs dois morrerem aqui embaixo... dois-mil,
trs-mil... pausa, uma respirao... dois, e l vamos ns
de novo...//

Nick voltou no terceiro ciclo para informar que Mulder estava
inconsciente, mas bem. Natalie acenou com a cabea, meio
escutando, e ento parou para conferir os sinais vitais de
Scully.

"Nada. Voc pode sentir alguma coisa, Nick?" a resposta dele foi
um tremor de cabea. "Tudo bem, mais uma vez..." depois do quinto
ciclo, ela pegou um leve tremor no pescoo de sua paciente, seguido
por um suspiro fraco e afiado.

"Ela est respirando" 

Skinner se sentou sobre as pernas, e olhou ela reaplicar
o estetoscpio. Um momento tenso, e o sorriso se esparramou
lentamente sobre o rosto de Natalie, dando a resposta que eles
esperavam.

"Tenho uma batida... quinze... e aumentando... ainda que um
pouco fraca." checando o pulso, o sorriso se alargou. "Bingo!
Trinta e seis, e subindo, respiraao fraca mas fixa. Dana, voc
pode me ouvir? Abra seus olhos se puder."

No houve resposta durante vrios segundos, e ento as plpebras dela
tremularam, se fecharam mais uma vez, e se abriram para revelar
as iris azuis. Scully piscou algumas vezes, como se para clarear
sua viso, carranqueou quando viu o teto, e respirou fundo  para
poder conseguir forar algumas palavras pouco audveis. "...no
cho?"

A audio mais afiada de Nick os poupou de ter que pedir uma
repetio. "Voc est no chao porque desmaiou. Na verdade, eles
tiveram que te ressuscitar. Como voc se sente?"

"...tudo di... cansada... to quieto..."

Nick ecoou a resposta dela, uma leve questo na ltima palavra, ento
ele percebeu o que ela estava dizendo. "Voc no pode ouvir os
coraes deles, ou pulmes,  isso que voc quer dizer?" um aceno
fraco, e a boca de Scully fez um movimento pra cima, quando o 
significado bateu em sua mente, e seus olhos se encheram de alvio.

"Oh, Dana," Natalie chorou, se inclinando para tocar a testa dela 
contra a de Scully, e abraando ela de maneira desajeitada. 
"Deu certo!"

Scully tentou devolver o gesto, mas estava fraca demais, e s bateu
uma mo contra o antebrao de Natalie. Quando ela se afastou,
Scully olhou ao redor, procurando um rosto perdido. "Onde... est
Mulder?"

"Ele est bem" Skinner falou. Quando ela olhou pra ele, ele esclareceu.
"Ele se algemou numa mesa, mas a situao ficou... meio difcil, e eu tive
que tomar conta da situao l."

Ela abriu e fechou os olhos, e ele pensou ter visto um rastro de
aceno e a palavra 'entendi' dos lbios dela. "Quanto voc se lembra
depois da injeo?" ele perguntou, ansioso para saber se ela
estava atenta das aes de vampiro ou no.

Antes que Scully pudesse pensar em responder, Natalie se meteu. "Com
todo o devido respeito, sr. Skinner, o periodo de perguntas e respostas
deve esperar at que ela esteja mais forte" a mdica estava em seu
elemento, e ela sabia quando puxar autoridade. Um calafrio que cortou
a agente ruiva alertou a mdica sobre a proxima fase na condio de
Scully. "Me ajuda com as mantas. Ela est entrando em choque."

"Frio..." Scully sussurrou enquanto eles a rodavam sobre uma
pesada manta do governo, e a cobriam num segundo. Natalie tomou
a presso sanguinea e leu a temperatura, e enquanto o tremor de sua
paciente diminuia, ela saiu para checar Mulder.

Ele estava acordado, mas fraco tambm. "Como ela est?" foram as
primeiras palavras quando Lambert entrou.

"Fria, fraca como uma gatinha recm-nascida, mas mortal" ela
anunciou, com um sorriso triunfante.

"Beleza" ele respondeu quando ela comeou a examina-lo.

"Como voc se sente?"

"Meio tonto, como se tivesse sido batido pelo meu chefe, para
ser impedido de me tornar o lanche da madrugada da minha parceira."

Ela bufou um pouco, e ento ficou sria. "Voc se lembra de alguma
coisa?"

O olhar que ele lhe deu foi um incmodo "Sim". Ele olhou para
o chao, e ento para o vidro. "Tinha uma...necessidade, como fogo 
buscando combustvel. No estava vindo de mim, mas eu tinha
que responder ao chamado. Dor, dio - dirigida a Nick, e medo.
A coisa sabia que estava morrendo, e ela - faria qualquer coisa
para ficar viva" uma pausa. "Est morto?"

"No vou saber at pegar uma amostra de sangue, e no vou fazer
isso at que os sinais vitais dela estejam pertos do normal" ela
tomou folego para continuar, mas foi suspensa pela voz
de Nick sobre o interfone.

"...no se preocupe com isso. Eu curo depressa, e esta era uma
cala velha, mesmo"

A voz de Skinner apareceu segundos depois. "Posso perguntar quantos
de voc existem la fora, det. Knight?"

Silencio, e ento, "Bem poucos, na verdade, e gostamos de manter
isso assim.  a lei a da natureza: sempre existem mais presas
do que predadores."

" melhor eu voltar para minha outra paciente" Natalie falou
de repente, rabiscando algumas palavras no bloco dela. Acenando
para as algemas, ela perguntou, "Voc est com as chaves dessas?"

"No. Dei para o direto Skinner.  seguro?"

"Deve ser. Vou manda-lo vir."

Assim que os sinais vitais de Scully estavam bastante fortes, Natalie
tirou um pouco de sangue, e foi para o laboratrio, acompanhada de
Mulder, que conhecia os atalhos, que evitaria a maioria dos postos
da fiscalizaao da segurana. Skinner, certo de que a crise terminou,
se ofereceu para pegar um copo de sopa no distribuidor automatico
mais perto, para Scully, antes de ir embora.

Surpresa pela preocupao de algum que no era um defensor
ferrenho e que mantinha a distancia profissional, assim como
ela, e que mostrou que a condio de vampiro dela o enervava demais,
Scully aceitou a sugesto dele com um obrigado e o observou sair
da sala, com uma expresso pensativa no rosto dela.

"Voc tem sorte de ter tantas pessoas em que pode confiar uma coisa
como essa" Nick comentou, sentando no chao ao lado dela.

Scully no teve foras para rir alto, mas ela foi capaz de
dar um tosse torta. "Fora minha me... voc conheceu todos eles,
e ela... no sabe... dissso."

"E voc teria dito a ela, se isso no tivesse funcionado?"

//Presumindo que esta  a escura, e no uma simples e forada remisso//
ela pensou num instante de fria objetividade, mas determinada que
uma perspectiva otimista era melhor para todos, especialmente para o homem
sentado perto dela. "No sei. Espero que sim. Ela, afinal de contas, 
familia." o silencio pensativo de Nick deixou ela curiosa sobre
a pergunta dele. "Voc disse para alguem da sua familia?"

"*No*", ele respondeu, um pouco forte demais. Ento, percebendo que
ela notou, somou um tranquilo "Mas minha irm percebeu de alguma maneira.
Naquela poca, qualquer doena era considerada como maldio de Deus sobre
o incrdulo, e uma existencia assim, bem... eu nao podia ficar no
mesmo teto com minha familia, e esperar que eles aceitassem isso."
ele  pegou a mo dela debaixo da manta, sentindo o calor do sangue
mortal pelo pano. "Claro que, hoje em dia, no vejo muita
diferena, a no ser que voc pode ser usado para cobaia ou acabar
numa instituio psiquiatrica."

Ele viu ela tremer e acenar com a cabea enquanto fechava os olhos,
e decidiu que seria melhor ele falar o que queria dizer desde o
comeo do tratamento, antes dela dormir. "Dana, eu s queria que
voc soubesse que estou grato pelo que voc passou hoje  noite. Entendo
que voc fez isso por sua propria causa, para recuperar sua vida normal, 
mas o que isso significou pra mim, esse seu 'querer' voltar,  mais
do que posso expressar em simples palavras. Nem mesmo eu poderia predizer
o que aconteceria depois que a injeo fosse dada, e eu j passei por
muitos tratamentos. Se arriscar no desconhecido dessa maneira requer
mais coragem do que eu teria sido capaz de ter."

Olhos azuis ligeiramente envidraados se abriram para focalizar - quase -
nele, indicando um retorno de fora. "Eu no sei se foi coragem, Nick,ou
simplesmente que a esperana no sucesso era maior do que aceitar a condio."
um sorriso cansado. "Ou talvez fosse apenas clara obstinao."

"Seja qual for o nome que voc queira dar para isso, eu aprecio o que
voc fez." ele insistiu, descobrindo a mo dela para dar um beijo nas
juntas. O olhar embaraado no rosto dela o advertiu de que ele tinha
ultrapassado algum limite, e ele desativou o incidente com um tom meio
brincalhao. "Pense nisso, ento, como a cena da Sininho bebendo o
veneno para que Peter Pan no bebesse. Ela fez isso porque no havia
outra maneira. De certo modo, o apelido combina mais com voc do que
eu pensei."

Ela conseguiu dar um riso fraco. "Bata palmas se voc acredita em
fadas" ela ofegou.

Enquanto Skinner se aproximava da sala com um copo de sopa aguada de
galinha com macarro, ele ouviu o som de uma risada masculina, e o lento
aplauso.

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PARADIGMA SHIFT

Captulo 17

por Linda Stoops e Andrea Brown


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Quonochontaug, 
Rhode Island
1 de julho; 5:30 DA MANH


"Pronta?" Mulder perguntou, pegando o celular e indo para a porta
dos fundos.

"No, mas vamos" foi a resposta de Scully. Ela olhou para o fraco
azul do amanhecer, que comeava a iluminar, e sabia que tinha que dar 
o primeiro passo hoje. Desde a primeira semana de tratamento, ela
estava se expondo por perodos cada vez maiores, gradualmente, no
por-do-sol. Esta seria a primeira que ela tentaria uma dose
de radiao Ultra Violeta, e as lembranas de ser queimada ainda
estavam frescas.

//Mas agora que o organismo est sob controle, tenho que dar
uma chance para o meu metabolismo humano uma chance para
reconstruir suas foras, e no simplesmente se afirmar apenas
quando o vampiro estiver fraco demais.//

Constante monitoramento, e freqentes e pequenas doses da vacina
a mantinha restringida, prevenindo outra ocorrncia da primeira
noite, e ela tinha recuperado o apetite para comida comum. 
Andar pela luz do dia seria a barreira final, e ela temia e ao
mesmo tempo ansiava por isso. 

A escolha do local do teste foi de Mulder, j que a casa de vero da
famlia dele lhe daria o isolamento que ela precisava nestes ltimos
dias para continuar tendo as injees, e aclimatao da luz solar, sem
se preocupar com vizinhos. Ela era a ocupante solitria, com Mulder
indo e vindo, ficando no motel mais perto, por via das duvidas.
//Ns dois sabemos que estou longe do ponto onde a sede e o lao
de sangue seria um problema, mas no posso culpa-lo por querer
evitar os velhos fantasmas dele.// 

Eles ficaram de p nos fundos; ela estava a vrias jardas do lago, 
e ele parado no deck. As portas estavam abertas, caso ela precisasse
fazer uma sada de emergncia. Scully colocou um culos com lentes
que bloqueavam os raios ultravioletas, e esperou, uma mistura de medo
e antecipao fazendo o corao dela correr. // bom ser capaz
de ouvir meu prprio corao bater, ao invs do corao de outra
pessoa por perto.// 

O som de um tapa contra carne fez ela se virar e olhar.

"Mosquitos" Mulder explicou, espanando o cadver do inseto 
na cala jeans. "Nesta poca do ano, eles so quase to ruins 
quando os de D.C."

Ele a observou l, de p, aparentemente no afetada pelas 
criaturas faminta,s e somou. "Voc est mais perto do lago, mas
parece que eles no esto te incomodando. Eles esto?"

"No." ela estava a ponto de dar de ombros, no tendo nenhuma teoria
para isso, quando um mosquito passou pelo rosto dela. Olhando para
o lago, ela empurrou o culos pra cima, e disse. "Talvez seja cortesia
profissional." 

Ela quase podia ouvir as sobrancelhas subindo em surpresa, 
mas traduzindo isso em tpica linguagem de Fox Mulder, um riso
assustado seria uma resposta mais significativa. //Fazer piada
sobre isso antes era um mecanismo de defesa// ela refletiu, vendo o
cu empalidecer. //mas agora  uma maneira de colocar a coisa toda
no passado, voltando para as coisas normais.// 

Era encorajador perceber que ela precisava ver o dia clareando,
e no sentir, como um relgio interno. //Quase l... assim que
eu conquistar o sol, vou ser humana de novo.//

O primeiro flash do sol sobre as rvores forou um suspiro dela, e
o corpo de Scully ficou rgido, plantado nas memrias de se queimar.
Calor tocou seu rosto, e ento desceu, enquanto a luz rastejavam
pelo pescoo e antebraos.  

Ela bebeu do calor como uma esponja, e sentiu a frieza que associava
com o vampiro, secar e derreter. Inclinando a cabea pra trs, estendendo
os braos ligeiramente para os lados, ela deixou a sensao cascatear
por sua carne, e verter em seus ossos. 

Uma eternidade de segundos decorreu, ento o calor se tornou um 
frio que ela reconheceu como um falso sinal de frio enviado ao 
crebro de ps nus em areia quente. //Agora, entre agora...// 

Deliberadamente, lutando contra o instinto de fugir para a casa,
ela girou e foi marchando para o deck. Dor anulou a dignidade
aquela altura, e ela correu o resto do caminho.

Mulder notou o tempo de exposio e, enquanto ele discava para
o escritrio do legista de Toronto, ele falou para ela em voz
alta. "Cinco minutos, oito segundos. Voc bateu o seu recorde do
por do sol." uma voz na linha interrompeu o comentrio adicional.
"Dra. Lambert, por favor.... Nat, Fox Mulder..."

Scully caiu numa cadeira da cozinha, assobiando quando o brao
bateu sobre a beirada da mesa. As janelas estavam cobertas,
fazendo este local como o quarto de retirada dela, e ela agradeceu
por ter a previso de colocar os oculos de sol, desde que ela 
duvidava que chegaria ao local rapidamente em seu estado meio cego
pelas queimaduras. Ela se permitiu um minuto para a dor baixar, e 
ento se levantou e foi para a pia.

Mulder entrou enquanto ela aplicava um pano mido contra a pele.
"Natalie diz 'parabns' e pede pra voc ligar pra ela
depois, dando os detalhes, quando voc estiver se sentindo melhor"
ela acenou com a cabea, estremecendo ao sentir o pano contra o
pescoo. "Ento, como voc est?"

"Um pouco tostada, mas vou viver. Voc tem certeza de que no 
tinha spray contra queimadura de sol nas lojas?"

"Eles estavam aguardando novas remessas nas duas lojas, 
mas eu peguei outra coisa que pode dar certo" ele pegou uma
garrafa de vinagre de sidra e uma caixa de bolas de algodo do
saco de supermercado que ele trouxe naquela manh. "Minha me
usava isso quando ns exagervamos no sol. E ainda tem isso."
uma garrafa de cpsulas de vitamina E se juntou ao vinagre e ao algodo.

"Bom isso deve ajudar. Obrigada. As marcas de agulha no
esto curando to rpido quanto antes, o que  um sinal de progresso,
mas eu prefiro melhorar um pouco antes de tentar de novo."

Mulder concordou, e lutou contra um bocejo. "Quer alguma coisa
para esta noite?"

"No, eu vou ficar bem. V pra cama, Mulder" ela ordenou,
o tom de voz com aquela velha familiaridade.

"J estou indo" ele a assegurou, pegando a garrafa de ch
gelado que tinha trago com ele. Quando ele foi para a cesta
para jogar a garrafa fora, ele ouviu um som de tapa, e olhou na
direo do som.

"Ai!" Scully ganiu, encarando a sujeira fina do prprio sangue
na mo dela. "Voc no estava brincando sobre estes..." a palavra
mosquito morreu na garganta dela quando percebeu o significado
da mordida, e ela olhou para seu parceiro, para ver se ele tinha
feito a conexo. 

"Tanto para 'cortesia profissional'," Mulder zombou secamente, ento
ergueu a garrafa vazia, como se estivesse brindando, e deu um
mais sincero, "Seja bem vinda de volta."

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Annapolis, Maryland--6 de agosto; 11:21 da noite

Mensagem de E-mail 
Para:  Natalie Lambert
De:  Dana Scully

Aqui est um relatrio do progresso detalhado sobre minha recente
mudana de dosagem, e seus resultados. A partir desta ultima semana,
eu no s reduzi a freqncia, mas tambm o mtodo de 
administrar a vacina: uma bandagem saturada com a soluo, e usada
a cada duas horas, quatro vezes por dia, como um aplicador sobre
a pele. Como voc pode notar, a contagem do organismo ativo 
flutuou brevemente, e ento continuou a reduzir sua velocidade, 
fixamente.  A contagem inativa cresceu proporcionalmente, mas fora a
destruio inicial de alguns dos vrus ativos pelos hbridos no
primeiro dia, no notei nenhuma morte adicional.

Acredito que seja uma questo de tempo antes que os organismos 
dormentes deixem de existir. Este estado dormente foi uma surpresa
inesperada, mas explicaria as historias de vitimas de vampiros que
sobrevivem a um nico ataque, viviam por algum tempo, e ento 
morriam, para se tornarem vampiros. Nem todos os proto-organismos
se extinguiram, ao que parece. Vou usar outra teoria para isso num
futuro prximo.

A partir de hoje, estou tendo at quatro horas cumulativas de exposio
ao sol, embora no tenha deixado de usar os culos de sol. Mulder
continua agindo como se nada aconteceu, embora ele pergunte sobre
meu progresso quando estamos sozinhos, e ele vigia meu tempo de
folga, apesar de meus pedidos para deixar esta responsabilidade para
mim.

AD Skinner mantem sua fachada oficial, mas eu tenho a sensao de
que ele nunca mais vai me ver da mesma maneira de novo.

Porm, no me preocupo com isso.

Vamos para assuntos mais agradveis. Enquanto eu escrevo isso,
estou fazendo uso de um dos certificados de presente que 
voc me mandou. Sorvete de baunilha, com massa de biscoito leve,
lascas de baunilha e pedaos de amndoa, tudo coberto com
iogurte, caso voc queira saber. Fico contente em saber
que o Alce e o Esquilo de pelcia chegaram depressa. No sei se
deveria me ofender que Sidney decidiu que o Esquilo  o mais
novo brinquedo de mastigar dele. Isso  considerado um elogio
em idioma de gato?

Mulder ficou um pouco surpreso ao receber um livro de Nick,
autografado pelo autor. Eu o assegurei de que bastava um
carto de agradecimento, mas quando ele soube que eu planejava
mandar como presente para Nick um broche da Sininho e um
prendedor de gravata com o smbolo Ying/Yang, ele teimou em
mandar alguma coisa tambm. 

Aquela marca em particular de protetor solar funcionou bem
comigo, e quando encontrarmos um jeito para adaptar minha
vacina para NIck, ele vai fazer um bom uso dela. Sobre o seu
presente,  Mulder entendeu o significado dos bales, mas o 
chifre de alce preso a eles foi um completo mistrio.

Deixei que ele pensasse que era uma referncia canadense.

Voc, Dra. Lambert, tem um senso de humor bem malvado.

Acho fascinante, depois de reler o pargrafo anterior, 
o quanto nos tornamos ntimos. E acho que, mesmo depois das
experincias da primeira semana, ns devemos comemorar. Aqueles
dias no foram fceis, mas o fato de que escolhemos nos lembrar
deles, diz algo sobre seu significado.

Agora que meu tempo como vampiro est chegando ao fim,
sinto que posso responder a pergunta que voc me fez na outra noite,
no aeroporto. Mesmo com as alternativas para caar, e
o trabalho que me permitiria trabalhar longe da luz do dia,
no lamento ter escolhido ficar humana de novo. A experincia
a longo prazo que Nick teve com a morte e medo o levaria a
querer buscar esta liberdade naturalmente.

As mortes de Soares e Ann Marie foram ambos atos de autodefesa
e defesa de outra vida, e isso, no mundo dos vampiros, do que
pude entender, me faz inocente. Mas este  um estado que no
posso manter, no com riscos que tenho com o meu trabalho e o fato
que o homem com quem trabalho todos os dias tem me permitido alimentar
dele. 

Nem meu segredo, nem a vida dele ficariam seguros por muito
tempo. A necessidade do vampiro, e seu instinto para sobrevivncia
seriam grandes demais para negar. No falo de sculos de culpa sobre
uma escolha mal-feita. Falo de uma compreenso completa de minhas
limitaes.

No vou dizer que no vou sentir falta das vantagens. Os sentidos
afiados e a cura instantnea seriam ativos inestimveis no campo,
e a habilidade para tirar a verdade ou ganhar a cooperao 
simplificariam grandemente nossos trabalhos.

E voar. Oh, Natalie,  disso que mais vou sentir falta. Voar de
asa delta seria um pobre substituto para o que eu fazia sozinha,
montando ventos e indo para as nuvens. Tal liberdade  a coisa
mais difcil de se abrir mo.

Mas o preo  alto demais.

Ento, eu volto de boa vontade para o reino mortal, usando a gravidade
e outros parmetros mais delicados, sabendo que o que passei
vai me afetar pelo resto da minha vida. 

Por enquanto, eu meus sonhos, eu posso voar...

FIM

Feedback  - Linda:  jassmoris@yahoo.com; Andrea:  andbro@allmusic.com

Traduzida em 29 de maio de 2003.




